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Ações nas redes sociais influenciam o sucesso do trabalho veterinário

Seguindo dicas, profissionais podem se beneficiar dos meios de comunicação

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Na Medicina Veterinária, a pergunta “Tecnologia para que te quero?” pode ser respondida da seguinte forma: para trazer avanços em tratamentos de doenças em cães e gatos e, também, aparelhos mais avançados e modernos. Esses itens se somatizam e garantem qualidade de vida mais adequada aos pets e, por que não, ao médico-veterinário? A passagem do off-line para o on-line também é um grande marco que beneficia a atuação dos profissionais da área.

Mas, a todo o tempo esses benefícios existem? O veterinário da Unidade de Terapia Intensiva da All Care Vet (São Paulo/SP), Júlio César Beltrami de Jesus, garante que muita coisa mudou desde quando iniciou seus primeiros passos na profissão, pois ela vem evoluindo no quesito tecnológico.

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“Conseguimos ser mais precisos do que antigamente
em tudo o que fazemos”, declara o veterinário
Júlio Beltrami (Foto: divulgação)

O membro do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP, São Paulo/SP), Flavio Massone, frisa que a informática, os biomonitores e os aparelhos com novas tecnologias ajudaram muito no campo da pesquisa, que, em sua época, não existiam e adiciona as consultas bibliográficas on-line na lista de benefícios que a tecnologia trouxe: “O que nós fazíamos em meses, hoje, se resolve em minutos”, assegura.

Mas, esse avanço não implica tão somente na parte prática da Medicina Veterinária, mas, também, no posicionamento do profissional enquanto médico-veterinário e em sua relação com clientes e futuros clientes.

Beltrami conta que tenta utilizar a internet para divulgar seu trabalho de maneira que consiga passar, para todas as pessoas que têm acesso, o quão gratificante é atuar no que se ama. “Faço isso compartilhando fotos dos meus pacientes, com autorização prévia de seus tutores, explicando o quadro clínico de maneira clara, a vitória da equipe em ter conseguido propiciar um tratamento adequado, de qualidade ao paciente, em que se obteve recuperação. Ao mesmo tempo que até mesmo os pacientes que não evoluem para o lado positivo, faço questão de mostrar, porque, de alguma maneira, eles nos marcaram e também tentamos alcançar sua melhora”, declara.

Ele ainda menciona que há quem encare o ato de postar fotos no Facebook, Instagram ou qualquer outra rede social como algo menos sério, não comprometido ou desrespeitoso com o paciente. Outros acham apenas “fofo”. “Entretanto, a resposta para as diferentes vertentes é que não deixo de fazer o meu trabalho ou o meu melhor pelo paciente porque posto fotos com eles, não sou menos sério por isso. Trabalhar com animais é uma dádiva”, expõe.

Em relação à divulgação do trabalho sem o auxílio da internet, Massone é pontual: “Era triste e penoso. Para se ter noção, uma pesquisa bibliográfica levava três meses, fora os espirros por conta do pó, nas bibliotecas, ou na espera de uma separata que não se encontrava facilmente”, lembra. Em sua visão, antigamente a fidelização de clientes era mais simples e fácil. “Porém, hoje, com o vasto número de escolas que formam um grande número de profissionais que se dedicam à clínica e cirurgia de pequenos animais, surgiu um fenômeno interessante: a ruptura desta fidelização. Quem estiver mais bem equipado e atuar como empresa e não individualmente se sobressairá”, comenta.

Sobre o tema, Beltrami acredita que o ato de se colocar no lugar do outro, faz com que a conquista de clientes seja alcançada. “Você age como você gostaria que agissem com você. Claro que, somado a outras tantas coisas, tudo conta, desde um ambiente propício e confortável para o cliente e seu animal, até a parte técnica (você precisa saber o que você está falando)”, cita Beltrami que considera a tecnologia e o acesso às redes sociais como um aperfeiçoamento na profissão. “Conseguimos ser mais precisos do que antigamente em tudo o que fazemos”, adiciona.

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Redes sociais podem representar ferramentas
importantes, porém, perigosas. Veterinário
deve estar atento (Foto: reprodução)

On-line. Para Beltrami, a divulgação do trabalho de veterinários nas redes sociais é importante para mostrar o tipo de serviço que o profissional exerce, de maneira pontual, com que as pessoas consigam enxergar e ter ideia do que ele tem a oferecer. “No entanto, é uma ferramenta um pouco perigosa. As redes sociais têm forte poder de influência em tudo o que fazemos, mas algumas pessoas acabam não sendo muito profissionais e desvalorizando o trabalho do médico-veterinário com valores muito abaixo do de tabela e, muitas vezes, sem as recomendações necessárias. Quando utilizadas de forma correta, com certeza, o resultado é positivo”, qualifica.

O hábito das pessoas acreditarem em tudo que leem é mencionada por Beltrami: “Se você conseguir transmitir a mensagem que deseja passar e fazer com as pessoas a entendam, uma simples mensagem pedindo compartilhamento de informação, pode gerar um número grande de curtidas e compartilhamentos, mas é preciso ter base para tudo que está relatando”, pondera. Apesar de todos os cuidados que os profissionais ativos nas redes devem tomar, Beltrami supõe que hoje, mais do que nunca, parte da função do veterinário é a compreensão afetiva do tutor com o seu animal, além de tentar ser empático e entender que o paciente não é só um animal, mas, sim, o amor de alguém. “Além disso, acredito que publicações com novidades e certas dicas do dia a dia para os pets fazem com que os clientes se interessem e queiram estar mais perto”, julga.

Já Massone, que atua como pesquisador e docente durante quatro décadas, afiança, sem pensar duas vezes: “A tecnologia e a chegada das redes sociais são a base de tudo, pois, a partir delas, que são emanados os novos conceitos, evitando repetições, inclusive, dos erros”.

Siga conselhos e conquiste likes. O diretor da Agência AdResults (Sorocaba/SP), focada na gestão de mídia para redes sociais, Fabio Prado Lima, lembra que, quando falamos no mundo de pets, sabemos que é um nicho que envolve muita paixão. “Outro ponto crucial é que é uma área que possui muitas regulamentações e leis e os profissionais devem ficar atentos”, insere.

Ele revela que 66% dos brasileiros estão na internet, o que representa 137 milhões de pessoas. Desse número, 41% possui conta no Instagram e 94% estão no Facebook. Para o veterinário utilizar esses números a seu favor, deve se perguntar se está utilizando bem a oportunidade que isso lhe oferece.

Depois disso, Lima orienta uma investigação sobre o público. “O clínico deve montar um mapa utilizando a principal qualidade que deve ter em seu trabalho: a empatia. Assim, é possível tangibilizar todas as questões que permeiam o público potencial para se colocar no lugar do consumidor. Quais as dores, os desejos o que os tutores levam em consideração na hora de contratar um profissional para cuidar de seu animal. Quando há esse mapa, você tem uma visão macro de coisas que, muitas vezes, não tinha se dado conta e isso ajuda a nortear suas estratégias de conteúdo”, orienta.

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"A melhor maneira de vender não é martelando venda,
mas sim gerando valor", atesta o diretor da Agênca
AdResults, Fábio Prado (Foto: divulgação)

Lima também declara que é importante planejar o conteúdo. “Para isso, utilizo o método DEEIC: Dialogar, foi-se o tempo em que a internet era uma comunicação de uma via; Educar, se questionando se o que você publica educa seus seguidores; Entreter, porque podemos utilizar os animais em muitas situações para gerar humor inteligente; Informar as questões que tenham relevância ao público; Inspirar as pessoas com materiais, como de adoção, por exemplo; e, por fim, Convencer, por meio das publicações, que você é a melhor opção que o tutor tem para cuidar de seu pet”, explica.

A melhor maneira de vender, segundo Lima, não é martelando venda, mas sim gerando valor. “Por exemplo, se o conteúdo só informar ‘compre, assine, gaste dinheiro comigo’ será difícil converter aquela pessoa para um cliente. No entanto, se você, a cada 10 posts, tentar gerar valor em pelo menos oito e utilizar apenas dois para venda, o resultado será melhor”, afirma.

Outras dicas como utilizar material produzido pelo usuário, postar conteúdos tanto no feed quanto nos stories, no caso de Instagram, são essenciais para alcançar progresso nas redes. “Acima de tudo, é importante se questionar se suas publicações vão gerar valor para sua audiência”, aconselha. Outro ponto importante é estar, realmente, ativo nas páginas, respondendo a comentários, mensagens diretas, utilizando hashtags e marcações de GPS. “Tudo isso contextualiza e amplia o poder de descoberta do seu conteúdo. Essa relação com seguidores é um canal importante”, complementa.

Criar anúncio para os posts também é uma orientação do publicitário para ampliar a escala e a velocidade dos resultados. “Não é um problema pagar para que a rede social exiba seu conteúdo, porque, assim, você consegue segmentar para quem você deseja exibir seu material”, destaca.

Outra forma de disseminar em larga escala os posts de uma página é firmando parcerias com influenciadores, como comenta o profissional. “Existe uma ferramenta chamada SocialRank.com que é grátis e aponta pessoas que têm influência para você tentar firmar um trabalho de parceria com influenciadores e micro influenciadores que podem trazer atenção e conteúdo relacionado a seu negócio. Além de trazer audiência, essas pessoas trazem agregada a credibilidade dela, o que tem um peso de convencimento muito grande”, considera.

RELEMBRANDO AS DICAS: Utilize a oportunidade que a presença dos tutores nas redes sociais te oferece.

  1. Conheça seu público;
  2. Planeje seu conteúdo;
  3. Gere valor ao seu material;
  4. Utilize conteúdos criados pelo usuário;
  5. Poste no feed de notícias e nos stories;
  6. Se questione;
  7. Utilize influenciadores a seu favor;
  8. Responda comentários e mensagens;
  9. Utilize hashtags e marcações de GPS;
  10. Crie anúncios.
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