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Avanços de métodos e tecnologia beneficiam tratamento de fraturas

No período pós-operatório, é fundamental o acompanhamento do paciente

O tratamento de fraturas em cães e gatos sofreu enorme evolução nas últimas décadas. Uma maior compreensão do mecanismo de consolidação óssea e preservação dos tecidos permitiu aos cirurgiões veterinários o desenvolvimetno de novas abordagens para o paciente traumatizado. Também, o avanço da indústria veterinária no desenvolvimento de implantes proporciou melhores alternativas para a osteossintese em cães e gatos. Por último, a disponibilidade de recursos avançados associados a um ambiente cirúrgico criteriosamente elaborado tem proporcionado condições ideais para o tratamento cirúrgico dos pets. 

O médico-veterinário Bruno Testoni Lins fala sobre o assunto na edição de maio da revista Cães&Gatos VET FOOD. No link, é possível conferir o resultado do procedimento detalhado abaixo. 

Avaliação pré-cirúrgica e preparado do paciente. O paciente traumatizado deve ser submetido a criteriosa avaliação clínica e laboratorial. Frequentemente cães e gatos apresentam lesões emergenciais e devem ser estabilizados previamente. Após a melhora do estado geral, devem ser coletadas amostras sanguíneas além de exames complementares como eletrocardiograma, ecocardiograma, avaliação radiográfica de tórax e ultra-sonografia abdominal, baseando-se na individualidade do paciente. O planejamento radiográfico pré-cirurgico para a estabilização da fratura deve ser realizado após analgesia e preferencialmente sob anestesia geral ou bloqueio regional. Dessa forma, objetiva-se um melhor posicionamento, além da possibilidade de realização de imagens adicionais sem sofrimento ou risco de traumas pela contenção forçada.

Procedimento cirúrgico. O preparo do paciente cirúrgico deve ser realizado de forma rotineira, sendo preconizada a sedação e indução anestésica, seguida de tricotomia e anti-sepsia inicial ainda na área contaminada do ambiente cirúrgico. O preparo final do local cirúrgico deve ser realizado após o posicionamento do paciente na mesa de operação. Sistemas de tração por roldanas e fixação ao teto, fixadores externos ou mesas especiais auxiliam no posicionamento e redução do foco de fratura. O traumatismo iatrogênico durante a manipulação do paciente deve ser evitado de toda forma. O emprego de panos de campo absorventes e impermeáveis aumenta a barreira mecânica contra possíveis agentes contaminantes. Também, após indução anestésica, deve ser observada a indicação de antibioticoterapia profilática individualizada.

Uma abordagem tradicional pode ser realizada ao foco de fratura, porém observando-se o menor traumatismo iatrogênico, além de irrigação constante para manutenção da hidratação tecidual.

Pós-operatório. No período pós-operatório, é fundamental o acompanhamento direto do paciente na recuperação anestésica, seguido de estímulo para uso do membro operado, porém com restrição de carga nas fases iniciais de reabilitação. Os pacientes operados devem ser mantidos sob atividade física controlada nas primeiras semanas de pós-operatório para que ocorra uma perfeita consolidação óssea. Um programa de reabilitação, principalmente na forma de cinesioterapia ativa deve ser instituído precocemente. Avaliações clínicas e radiográficas devem ser realizadas de forma rotineira, com o intuito de minimizar complicações e possibilitar a intervenção precoce no caso de ocorrência destas.

REFERÊNCIAS

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Vista do Centro Cirúrgico e emprego de Fluoroscopia (Arco Cirúrgico) durante procedimento de osteossíntese minimamente invasiva
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Imagem trans-operatória evidenciando osteossintese minimamente invasiva
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Avaliação por fluoroscopia trans-operatória em projeção crânio-caudal evidenciando redução do foco de fratura e posicionamento de pinos cruzados
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Avaliação por fluoroscopia trans-operatória em projeção médio-lateral evidenciando redução do foco de fratura e posicionamento de pinos cruzados, além de pinos paralelos em tuberosidade tibial
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Avaliação por fluoroscopia trans-operatória em projeção médio-lateral evidenciando redução do foco de fratura e posicionamento de pinos cruzados e banda de tensão
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Avaliação por fluoroscopia trans-operatória em projeção crânio-caudal evidenciando redução do foco de fratura e posicionamento de pinos cruzados e banda de tensão

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