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Bom relacionamento com os tutores beneficia a saúde dos animais

No Dia Mundial dos Animais vale lembrar que respeito e amor são essenciais

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Consciência, sentimentos e emoções: peculiaridades que até pouco tempo atrás acreditavam pertencer apenas aos seres humanos. No entanto, em 2012 a ciência provou: neurocientistas canadenses e de outras nacionalidades resolveram estudar o cérebro animal.

Até então, entendia-se que somente os animais humanos teriam essa capacidade em virtude de possuir o córtex cerebral, extremamente complexo, nos diferenciando dos animais. Todavia, chegaram à conclusão que não é o córtex cerebral o responsável por estas características, mas, sim, todo o corpo cerebral. Portanto, sabendo dessa comprovação, os animais se tornam ainda mais importantes para as pessoas e, assim, devem ser homenageados neste Dia Mundial dos Animais.

Como lembra a adestradora, consultora comportamental e coordenadora do Grupo de Estudos Científicos (GEC), da Cão Cidadão (São Paulo/SP), Cassia Rabelo Cardoso dos Santos, muitos ainda consideram que Charles Darwin foi o primeiro cientista a estudar de forma sistemática as emoções nos animais. “E a senciência nada mais é do que isso: a capacidade atribuída a animais não humanos de terem emoções e sensações de forma consciente. Por conta disso, inclusive, muito se fala, atualmente, que animais não humanos devem ter seus direitos protegidos”, declara.

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Além de sencientes, os animais domésticos, especialmente
os cães e gatos, são seres sociais (Foto: reprodução)

Sobre essas emoções dos pets, o jornalista, pesquisador e palestrante da senciência animal, Gilberto Carmo Pinheiro, faz uma indagação a você, leitor: “Já observou quando um animal adota outro de espécie diferente, tratando-o com carinho e protegendo-o do perigo?”. Segundo ele, isso não é instinto, é amor, sentimento ou, em outras palavras, senciência animal.

Convivência. O profissional ainda explica que é fundamental que haja uma relação harmoniosa entre tutores e pets, baseada na empatia. “O amor deve prevalecer porque, assim, o animal se sente mais seguro, vendo em seu tutor um líder ou até um ‘pai’ ou ‘mãe’”, discorre.

Além disso, os animais domésticos, especialmente os cães e gatos, são seres sociais, segundo Cassia, que têm sido cada vez mais considerados integrantes da família. “Assim, justamente por serem animais sociais, o grupo onde estão inseridos acaba sendo composto, também, por nós, seres de outra espécie. E estar bem adaptado neste meio, desenvolvendo vínculos afetivos que eles são capazes de formar, é uma das maneiras de lhes garantir o bem-estar”, informa.

E a posse responsável? Mas, nem todos os tutores pensam na qualidade de vida do animal. Muitas pessoas que optam por adquirir um pet o faz por vontade momentânea, sem pensar nos gastos e atenção que devem ser dedicados a ele. A ausência de um bom relacionamento pode trazer reflexos graves aos animais, como relata a adestradora: “As consequências dessas atitudes, geralmente, importam em isolamento, falta de atividades físicas e estímulos mentais condizentes com as características do pet como espécie. Isso pode culminar em distúrbios de comportamentos como aqueles relacionados à ansiedade, compulsões e destruição de objetos”.

Pensando nisso, para Cassia, o grande segredo para um relacionamento saudável entre homem e animal não humano é entender aquele ser como espécie, procurando saber mais sobre seus comportamentos e necessidades naturais e, assim, proporcionar a ele, na convivência cotidiana, atividades que sejam condizentes com essas características. “Por exemplo, gatos são animais que têm, em seu instinto, a necessidade de escalar e arranhar. Portanto, proporcionar a eles oportunidades para que exerçam esses comportamentos naturais de forma apropriada é uma maneira de garantir tranquilidade, equilíbrio e, consequentemente, uma convivência mais harmoniosa com a família”, sugere.

No entanto, também vale lembrar que cada espécie impõe um limite de relação. Alguns animais são mais “carentes” e adoram atenção, enquanto outros são mais reservados, como mostra a profissional: “Muitos animais apenas toleram os carinhos dos humanos, em razão do vínculo afetivo que desenvolvem com seus tutores, e ainda existem os que realmente apreciam esse tipo de contato. A questão é observar a linguagem corporal e as reações para entender se está sendo demais. Por exemplo, seu um cão se afasta toda vez que é muito acariciado, certamente não está tendo boas sensações com esse contato”.

Assim, os tutores precisam ter um bom jogo de cintura para respeitar os limites, as necessidades e as carências do animal, principalmente se houver mais de um pet em casa, já que um estudo recente revelou que os cães sentem ciúmes de seus proprietários. Sobre isso, Cassia assegura que o segredo é mostrar ao animal que ele não perde nenhum recurso que é importante para ele em razão da presença do outro. “Por exemplo: quando um dos cães se aproxima, os dois recebem carinho e atenção. Assim, há grande chance de a relação permanecer equilibrada, sem que nenhum deles tenha medo de perder a atenção do tutor”.

Essa interação perfeita que as pessoas podem firmar com seus animais de estimação, segundo Pinheiro, é boa, inclusive, para a saúde mental dos pets. “Ensejo lembrar que não devemos nos limitar apenas a cães e gatos, mas, a todos os animais existentes, sendo eles domésticos, domesticáveis, exóticos ou selvagens. No Dia Mundial dos Animais, faço questão de lembrar: ame-os, respeite-os, tenha compaixão por todos eles, afinal, são sencientes como todos nós”, defende.

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