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Cães, assim como humanos, podem ser hospedeiros do carrapato-estrela

Parasitas, quando infectados, transmitem febre maculosa, por meio da picada

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

“Carrapatos são artrópodes, ectoparasitas, ou seja, tipos de parasitas que se instalam fora do corpo do hospedeiro, e hematófagos, que alimentam-se de sangue. Biologicamente são classificados em duas famílias: Ixodidae e Argasidae. Uma das diferenças mais marcantes é que os carrapatos ixodídeos possuem em sua constituição um escudo quitinoso e, dessa forma, são denominados ‘carrapatos duros’. Por sua vez, os argasídeos não possuem esta proteção e recebem a denominação de ‘carrapatos moles’”.

Quem introduz o assunto é a médica-veterinária especialista em zoonose, Vivian Lindmayer Cisi, que ainda aponta os principais carrapatos de importância veterinária no Brasil: carrapato-de-boi (Boophilus microplus), carrapato-de-cavalo ou carrapato-estrela (Amblyomma cajennense), que parasita o homem com mais frequência; carrapato-de-galinha (Argas miniatus) e o carrapato-vermelho-do-cão, também conhecido como carrapato-marrom-do-cão (Rhipicephalus sanguineus).

Ainda no nosso País, como conta Vivian, o principal vetor da febre maculosa é o carrapato-estrela (Amblyomma cajennense), cuja larva também é chamada de carrapato pólvora ou micuim. “Não é a espécie comum que encontramos, geralmente, em cães, mas, embora costume se alimentar do sangue de cavalos, pode ser encontrada em vários outros animais, como capivaras, gambás, coelhos, gado e, inclusive, cães, entre outros”, menciona.

Animais de estimação. No cão, o tipo mais comum de carrapato é o carrapato-marrom-do-cão, no entanto, Vivian afirma que ele também pode ser infestado pelo carrapato-estrela. “Os cães, assim como os seres humanos, são hospedeiros acidentais destes carrapatos quando penetram no meio rural. Se o proprietário tem o hábito de levar o seu cão para viajar, é preciso que tome cuidado para que ele não se torne reservatório da febre maculosa quando retornar para a sua cidade. Os cães, muitas vezes, não apresentam nenhum sintoma da infecção”, alerta.

Animais de companhia situados em áreas onde exista a incidência da febre maculosa podem carrear esses carrapatos contaminados para perto de seus proprietários, que poderão ser picados por esse parasita, de acordo com a veterinária. “É importante lembrar que a febre maculosa é uma doença transmitida pela picada de carrapatos infectados por uma riquétsia, um tipo de bactéria. No entanto, nem todo carrapato é infectado. O fato de uma pessoa achar um carrapato a picando não significa que ela, necessariamente, vai desenvolver a doença, já que o ectoparasita pode não estar infectado”, desmistifica.

Portanto, a febre maculosa não é uma enfermidade que uma pessoa vai adquirir no lar, segundo Vivian, com os seus pets. “Ressalto que a doença não é transmitida por cães ou gatos, mas é preciso atenção ao levar os animais para passear em áreas onde os silvestres tenham livre circulação. Para quem mora nas regiões rurais, é recomendável não deixar o cão dentro de casa e procurar realizar, com frequência, a higiene dos animais, principalmente, dos cavalos e de cães, com carrapaticidas”, orienta.

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Carrapatos são vetores de diversas doenças
e considerados um problema de saúde
pública (Foto: reprodução) 

Muitos proprietários suspeitam que carrapatos podem transmitir algumas doenças para seus animais de estimação, como revela a profissional, mas existem diversas dúvidas em relação às zoonoses e há preocupação maior quando há relatos de casos, como a da febre maculosa, divulgados pela mídia. “Atualmente, existem muitas informações acessíveis na internet, mas nem todas elas são corretas. É sempre muito importante que o proprietário esclareça todas as suas dúvidas com o médico-veterinário de seu animal ou com um profissional da saúde competente para tal função”, salienta.

Outras preocupações. Os carrapatos estão entre os principais vetores de doenças infeciosas que afetam o homem, os animais domésticos e os de companhia, como discorrido por Vivian. “Além disso, são potencialmente transmissores de vírus, protozoários e bactérias, que podem causar paralisia, irritação e alergia e, sem dúvida, representam uma questão importante de saúde pública”, argumenta.

Em cães, algumas das hemoparasitoses mais frequentes são a Erliquiose e a Babesiose, conforme explica a veterinária: “A Erliquiose canina é uma doença causada por uma bactéria do gênero Ehrlichia. A principal espécie de Ehrlichia que acomete os cães é a Ehrlichia canis e a transmissão pode ocorrer, também, por transfusão sanguínea”, comenta. Os cães infectados com E. canis, segundo ela, podem desenvolver de sinais brandos a intensos, ou mesmo não apresentar sintomas, dependendo da fase da doença em que se encontram. “O diagnóstico clínico, geralmente, não é o suficiente para a confirmação da doença, devido aos sinais clínicos inespecíficos. Portanto, há a necessidade de diagnóstico laboratorial”, adiciona.

Já nos felinos, essa doença é mais difícil de ocorrer, mas não impossível, como reforça a profissional. “O carrapato-marrom-do-cão também é o agente transmissor e a hemoparasitose de maior prevalência em gatos é causada pela bactéria Haemobartonella felis, transmitida por carrapatos, mas, principalmente, por pulgas”, declara.

O médico-veterinário, na visão de Vivian, é um profissional que atua não apenas na saúde animal, mas, também, possui um papel fundamental na saúde pública. “Nesse sentido, atua não apenas na proteção específica, detecção e tratamento das infecções zoonóticas dos animais, mas, também, pela orientação dada a seus clientes, população geral e notificação destas doenças aos órgãos de vigilância competentes. Muitos profissionais também trabalham com o manejo de populações de animais domésticos e/ou silvestres que participam da cadeia de transmissão da febre maculosa e, ainda, na própria investigação epidemiológica, para detecção da fonte de infecção quando há casos em pacientes humanos”, conclui.

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