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Catarata: uma visão especializada faz a diferença na saúde de pets

Bem-estar do paciente depende do bom relacionamento clínico x especialista

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Muitas doenças nos animais de estimação exigem os cuidados de uma pessoa específica: o especialista. Os profissionais da oftalmologia veterinária, por exemplo, são procurados a partir de uma indicação de seus colegas clínicos aos proprietários de cães e gatos. O objetivo? Um atendimento mais personalizado e focado na necessidade do pet.

No Dia do Oftalmologista, a C&G VF aborda a importância da área na saúde dos animais, principalmente quando o assunto é a cirurgia de catarata, por ela ainda ser considerada um tabu entre os proprietários. A sócia-diretora da Íris Oftalmologia Veterinária e Especialidades, Juliana Barreto Lopes Rodrigues, menciona que os tutores acabam não sendo encaminhados corretamente para a realização do procedimento cirúrgico e, algumas vezes, o profissional de oftalmologia acaba perdendo tempo ou recebe os animais já em estado de emergência.

Aqueles que procuram a orientação deste profissional são considerados diferenciados pelo responsável pelo Serviço de Cirurgia Oftálmica do Provet e pelo Serviço de Cirurgia Oftálmica dos Hospitais Veterinários Dr. Hato Santo André e São Bernardo do Campo, Matheus da Silva Pedro. “Isso porque, em geral, já foram esclarecidos pelos nossos colegas. São pessoas interessadas em devolver a visão e, consequentemente, a qualidade de vida aos seus animais, independentemente de suas idades. Creio que nossa maior contribuição à classe seja difundir nossos resultados aos veterinários que atuam na clínica geral, a fim de que estes possam estimular seus clientes a procurarem ajuda especializada o quanto antes”, comenta.

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Com avaliações e procedimentos realizados por profissionais
capacitados há menor chance de complicações (Foto: reprodução)

A doença. A catarata é a opacidade da lente ou cristalino, que é a estrutura localizada dentro dos olhos e atrás da íris, responsável por focar a imagem na retina (fundo do olho), conforme explica o oftalmologista veterinário da Vetweb Oftalmologia Veterinária, João Alfredo Kleiner.

Ele sinaliza que, na maioria dos cães, a catarata tem origem hereditária (genética), mas também pode ser causada por doenças endócrinas, como diabetes mellitus e hiperadrenocorticismo. “Outras causas são inflamações intraoculares (uveítes), traumas oculares diretos, contusos ou perfurantes, e glaucoma. Nos gatos, a maior parte dos casos é secundária às uveítes e, nos animais selvagens, nutricional (dietas deficientes)”, enumera.

Kleiner aponta que, nos cães, existe uma predisposição à doença em Poodles, Lhasa Apsos, Cocker Spaniels, Maltês, Shih-Tzus, Pugs, Bulldogs, Pequinês e Pinscher. “Ou seja, as raças de pequeno porte. Já nos gatos, a incidência entre elas é a mesma, sendo a casuística bem mais rara do que nos cachorros”, destaca e informa que a doença pode ocorrer nos primeiros meses de vida até a fase adulta. Sobre isso, o veterinário Matheus ainda declara que varia de acordo com a causa da catarata e raça do paciente: “Poodles costumam apresentar catarata em idade mais avançada, enquanto Shih Tzus e Buldogues Franceses por volta de 1 a 3 anos de idade, por exemplo”.

O que fazer? Juliana sublinha que é importante o animal passar por avalição de um oftalmologista para ter o encaminhamento correto da cirurgia. A técnica cirúrgica de eleição tanto nos animais quanto no ser humano é a Facoemulsificação, de acordo com Kleiner, onde o núcleo opaco (catarata) é removido por meio de uma incisão corneana mínima, com um sistema de aspiração e fragmentação, utilizando-se o ultrassom.

É importante ressaltar, na visão de Kleiner, que o único tratamento eficaz para a catarata é sua remoção cirúrgica, que deve ser realizada por um oftalmologista veterinário capacitado e bem treinado no procedimento. “Os colírios que prometem ‘tratar’ ou ‘dissolver’ a catarata não possuem eficácia comprovada, sendo totalmente contraindicados”, salienta.

No local da lente removida, como conta o profissional, implanta-se uma lente artificial que, no caso dos animais, é customizada em todas as espécies. “Nos humanos, o procedimento é mais rápido (10 minutos) e utilizam-se apenas sedativos e anestesia local. Já nos animais, a anestesia é geral (inalatória) e o tempo cirúrgico maior (50 minutos), devido ao fato de o cristalino ser bem mais resistente e volumoso”, discorre.

Outra diferença apontada por Juliana é que o olho dos pets tende a ter mais processo inflamatório. “Ou seja, o pós-cirúrgico é mais lento e rigoroso, mas com altos índices de sucesso”, insere. Matheus também lembra que, além disso, uma das mínimas diferenças é que, no cão, é preciso suturar as incisões corneanas, diferente do que se faz nos humanos. “Não há distinção entre a técnica cirúrgica realizada em cães ou gatos. Entretanto, a lente implantada em cada espécie é diferente tanto em relação à dioptria quanto ao tamanho”, adiciona.

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No pós-operatório da cirurgia de catarata são utilizados colírios
de anti-inflamatório e antibióticos (Foto: reprodução)

Mas, vale lembrar que o preparo do paciente para a realização do procedimento é de extrema importância. “Muitos pets precisam de algumas semanas para estarem aptos à cirurgia. No preparo, são realizados tratamentos de doenças concomitantes, como doenças de pele, profilaxia dentária, controle de doenças sistêmicas e endócrinas. A idade não descarta a cirurgia, desde que os animais estejam saudáveis e com doenças crônicas controladas”, informa Kleiner e, segundo Matheus, mesmo pacientes com catarata total ou totalmente cegos são passíveis de serem operados e recuperarem a visão.

Depois da cirurgia. Kleiner conta que, no pós-operatório, são utilizados colírios de anti-inflamatório e antibióticos e o olho operado é protegido com a utilização de um colar elisabetano. O que é preciso lembrar, segundo Juliana, é que todo procedimento cirúrgico demanda um risco, os quais são amenizados a partir dos exames pré-operatórios. “Risco por conta da anestesia e, até mesmo, da cirurgia podem existir, mas deve ser sempre avaliados e realizados por profissionais capacitados. Dessa forma, há menor chance de complicações”, assegura.

Segundo Matheus, os maiores contratempos da cirurgia de catarata nos cães são uveíte e glaucoma. “A uveíte pode ser manejada de forma medicamentosa no pós-operatório. O glaucoma, infelizmente, é uma doença grave que evolui para cegueira. Por outro lado, pacientes portadores de catarata que não sejam submetidos à cirurgia têm maior risco de desenvolvimento de uveíte e glaucoma que os operados”, afirma.

Apesar dos perigos mínimos da cirurgia, os profissionais garantem que este é o melhor caminho a ser tomado, desde que com um veterinário capacitado: “É sempre importante procurar um especialista e passar por avaliações periódicas para não colocar em risco a visão dos animais de companhia”, diz Juliana, que define a importância do trabalho destes profissionais como ‘oferecer qualidade de vida’. “Acredito que os olhos são o espelho do sistema: por eles, podemos identificar doenças silenciosas e, inclusive, devolver visão e bem-estar aos nossos pacientes”, avalia.

Matheus, por sua vez, considera muito gratificante devolver a visão a um animal: “É uma forma de levar alegria a toda a família. Quando perguntamos a um tutor se ele percebeu diferença na qualidade de vida de seu companheiro, com muita frequência, ouvimos que esses animais ‘voltaram a viver’ depois da cirurgia. E, cada vez mais, somos procurados para operar catarata de animais idosos com 16, 17 e 18 anos e ouvimos de seus proprietários que não importa se eles viverão mais alguns meses ou anos, o que importa é saberem que estão fazendo o que existe de melhor a seus pets”, compartilha.

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