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Certas raças de gatos apresentam maior predisposição a doenças

Felinos das raças Persa, Maine Coon, Ragdoll e Manx são os mais enfermos

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

“Doenças de padrão racial são aquelas mais ocorrentes em determinadas raças, sendo que, em sua maioria, existe herança genética conhecida, embora, em muitas, a herança exata não seja comprovada”. Essa definição foi descrita pelo médico-veterinário proprietário da Clínica Gattos (São Paulo/SP) e especialista em Medicina Felina, Alexandre Daniel.

O profissional conta que algumas enfermidades definem características das raças: “Como o Persa e sua braquicefalia associada a alterações odontológicas e respiratórias, o Manx com diversas alterações medulares associadas à mutação do “Manx” e o Scottish Fold, com a osteocondrodisplasia de origem genética”, cita.

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Enterites crônicas, por exemplo, são comuns
em gatos da raça Bengal (Foto: reprodução)

As doenças características de raças não param por aí. Daniel explica que os gatos da raça Maine Coon possuem cardiomiopatia hipertrófica de origem familial, com herança genética conhecida e que possui teste disponível em laboratórios fora do Brasil. “Além disso, eles têm gengivo-estomatite, característica da raça, e a displasia coxofemoral, com um padrão de herança possivelmente poligênico, onde alguns estudos estimam que mais de 30% dos Maine Coons contemplam algum grau da doença”, aponta.

A prevenção, de acordo com o especialista, basicamente depende da conscientização dos criadores, que deveriam testar seus animais para as enfermidades mais comuns da raça, orientados pelos seus clínicos, e remover esses animais de criação. “O conhecimento do médico-veterinário que atua em criatórios, das principais doenças de padrão racial, bem como a correta orientação aos criadores frente ao manejo dos reprodutores, seria o primeiro grande passo para a prevenção”, opina.

Daniel esclarece que, dependendo da doença avaliada, como a cardiomiopatia hipertrófica e a doença policística, existe correlação com diminuição de sobrevida em muitos dos animais acometidos. “Em outras, como as alterações cartilagíneas do Scottish Fold, podemos não ter redução na expectativa de vida, mas, indubitavelmente, temos diminuição na qualidade de vida”, destaca.

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A prevenção, de acordo com o especialista, depende da
conscientização dos criadores (Foto: divulgação)

Riscos e probabilidades. Os felinos da raça Ragdoll também apresentam a cardiomiopatia hipertrófica de origem familial, com uma mutação no mesmo gene da ocorrente no Maine Coon, mas em um códon diferente. “Ou seja, devem ser realizados testes diferentes”, orienta Alexandre Daniel e informa que Persas, Sphinx, British Shorthair e Noruegueses também apresentam cardiomiopatia hipertrófica como uma doença de padrão racial, embora, nessas raças, ainda não seja esclarecida a mutação envolvida.

A raça Scottish Fold apresenta alterações osteocartilagíneas crônicas, mutação que define a raça, o Sphinx sofre por malasseziose cutânea e cardiomiopatia hipertrófica, e o Bengal tem tendência a deformidade do tórax e osso externo, chamada de Pectus excavatum, além de enterites crônicas.

Os Persas e os Exóticos são as raças mais descritas com a enfermidade genética mais comum da espécie felina: a doença policística. “Trata-se de uma doença autossômica dominante que, dependendo dos estudos, acomete até 50% dos animais dessas raças em alguns países”, revela.

Muitas outras enfermidades de padrão racial são descritas em gatos, como doenças hematológicas que induzem anemia hemolítica em abissínios, hipocalemia e hiperlipidemia familial do Burmês, miopatias hereditárias no Devon Rex, entre outras, segundo o profissional.

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