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CFMV defende a formação generalista para médicos-veterinários

Conselho acredita que profissional deve conhecer o básico de todas as áreas

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

A qualidade do ensino nos cursos de Medicina Veterinária do Brasil é, entre tantas outras, uma das preocupações do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV, Brasília/DF). Sendo assim, o presidente da instituição, Benedito Fortes de Arruda, e o secretário-geral do CFMV, Marcello Roza, entregaram, em fevereiro, ao Conselho Nacional de Educação, uma proposta de atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Medicina Veterinária. 

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CFMV em reunião com o Conselho de Educação (Foto: divulgação)

Quando o assunto é normas curriculares, o médico-veterinário e integrante da Comissão Nacional de Educação da Medicina Veterinária (Cnemv), do CFMV, Rafael Mondadori, afirma que não se pode pensar nas demandas do “mundo atual”. “Os estudantes que hoje estão matriculados nos cursos serão os profissionais do futuro. Assim sendo, ao pensar nas diretrizes curriculares, devemos fazer um exercício, com base na situação atual, de como a sociedade evoluirá e qual profissional que essa sociedade demandará. Sem dúvida, o médico-veterinário necessitará ser cada vez mais resiliente, com visão sistêmica de sua atuação e capacidade de traduzir as necessidades sociais com vistas a supri-las, principalmente, em termos de saúde e bem-estar únicos”, opina.

Na ocasião de entrega do documento ao Conselho Nacional de Educação, o presidente Arruda pontuou que os cursos que venham a ser criados devem se preocupar com a formação generalista. Sobre isso, Mondadori frisa que, não apenas o profissional do futuro, porém também o do presente, todos devem ser profissionais generalistas. “Em sintonia com o pensamento mundial do perfil do profissional médico-veterinário, ao finalizar a graduação, o egresso deve possuir um conhecimento básico de todas as áreas de atuação. Diante disso, a especialização precoce deve ser evitada. O aprofundamento em uma das áreas da profissão deve ocorrer após a graduação e efetiva inserção do profissional no mercado”, comenta

ensinoCursos devem atender a um currículo mínimo, segundo OIE (Foto: reprodução)

Entre outras questões que incomodam o CFMV no sentido da formação do profissional médico-veterinário, o excessivo direcionamento dado à área de clínica e cirurgia de animais de companhia tem se destacado, segundo Mondadori. “Áreas importantes da profissão, como a produção animal e a Medicina Veterinária preventiva, incluindo higiene e inspeção de produtos de origem animal, estão sendo deixadas de lado”, salienta e conta que o sistema atual faz com que exista demanda excessiva por docentes, que, na maioria das vezes, não tem o preparo mínimo para contribuir na formação de um médico-veterinário. “Exemplos disso são pessoas sem experiência de campo, apesar de graduado na profissão. Como podem se tornar professores e contribuir para que um estudante seja médico-veterinário?”, questiona.

O CFMV sugeriu várias alterações no texto, como: inclusão de um artigo que explicita os princípios básicos do curso de Medicina Veterinária; revisão e modernização no artigo que trata dos conteúdos essenciais para o curso; estabelecimento de um teto de 10% da carga horária total do curso para atividades complementares; obrigatoriedade de que o curso seja ministrado no período diurno; estímulo à inserção do estudante, desde os semestres iniciais, nos serviços veterinários; inclusão dos conceitos de Saúde Única (saúde animal, humana e ambiental) e bem-estar animal; dentre outras.

A quantidade crescente de cursos de graduação também é um ponto negativo que vem chamando atenção, como comenta Mondadori: “Representa uma grande perda e desvalorização da profissão e do profissional perante a sociedade, levando a uma queda na autoestima, incluindo altos índices de depressão entre os atuantes, devido à dificuldade de inserção no mercado e baixa remuneração pelos serviços prestados”, critica. Para ele, o grande número de escolas, muitas delas com baixa qualidade, também é um desserviço à comunidade: “Isso representa, conforme já proferido pelo CFMV, um estelionato educacional, banalizando uma profissão nobre que, segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, Paris/França), é um bem público mundial”, insere.

Para saber os detalhes das propostas sugeridas pelo CFMV, clique aqui. Em setembro de 2012, a OIE também publicou documento com sugestões de currículo mínimo para os cursos de Medicina Veterinária. A proposta acompanha as recomendações sobre as competências mínimas para os médicos-veterinários recém graduados.

1 comentário
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Carla Patricia Lindner 5 mêses atrás
Aos meus colegas estudantes de medicina veterinária, não deixem de ler essa reportagem!