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CFMV visa a suspensão de novos cursos de Medicina Veterinária

Cerca de 5 mil pessoas se tornam médicos-veterinários por ano no Brasil

Atualmente, existem no Brasil mais de 300 cursos de Medicina Veterinária, o que representa um terço dos cursos ofertados no mundo. Preocupado com o número crescente de cursos e com a qualidade da formação dos futuros profissionais, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV, Brasília/DF) enviou um ofício ao Ministério da Educação (MEC, Brasília/DF) solicitando a suspensão de novos cursos de Medicina Veterinária. 

O CFMV demanda que a linha já adotada pelo MEC em relação aos cursos de Medicina seja estendida aos cursos de Medicina Veterinária, com a suspensão de autorização, criação e reconhecimento de cursos e, também, do credenciamento de IES. Na semana passada, o CFMV assinou, junto a outros 15 conselhos profissionais e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), uma carta em defesa da educação superior, questionando a abertura indiscriminada de cursos.

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Porta-voz do CFMV acredita que está ocorrendo
um estelionato intelectual (Foto: reprodução)

A contínua abertura de novos cursos, avalia o CFMV, supera amplamente as necessidades do mercado. O contingente brasileiro de médicos-veterinários, que já é o maior do mundo, continua crescendo a uma média de 5 mil profissionais por ano: em 2012, eram 90 mil profissionais. Em 2015, esse número já era de 105 mil. Hoje, a categoria supera os 117 mil médicos-veterinários. Os Estados Unidos, país que segue o Brasil no ranking da Medicina Veterinária, têm apenas 107 mil profissionais. 

De acordo com estimativa da Comissão Nacional de Educação da Medicina Veterinária (Cnemev/CFMV), 50 mil novas vagas são ofertadas todos os anos e 20% delas permanecem ociosas. “Para que abrir mais cursos se as vagas não são preenchidas? Estamos formando médicos-veterinários para o subemprego e muitos só vão descobrir que não receberam uma formação adequada quando forem processados por imperícia. Está ocorrendo um estelionato intelectual”, critica o presidente da Cnemev, Antonio Felipe Wouk. 

A qualidade do ensino superior, ressalta Wouk, não é apenas prioridade do CFMV, mas, sim um preceito constitucional. “Se é o desejo do Inep melhorar a qualidade da avaliação, é necessário melhorar a qualidade do avaliador”, ressaltou o Presidente da CNEMV. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep, Brasília/DF), está em andamento um processo de chamamento de novos avaliadores, que devem ser treinados sob um novo modelo de instrumento de avaliação dos cursos, mais sistêmico.

Fonte: AI, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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