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Costa Rica gera penalidade máxima por alto índice de abandono de cães

Comportamento e falta de adaptação influenciam tutores a desistirem do pet

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Muitas pessoas adquirem animais, por meio de compra ou adoção, agindo por impulso e não pensam que aquele pet será mais um membro da família. Por conta disso, acabam não pesando questões financeiras ou calculando o tempo e o espaço que o animal demandará e acabam se dando conta disso quando os imprevistos começam a aparecer. Essa é uma das principais causas de abandono de cães em qualquer lugar do mundo.

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“Território de Zaguates”, na Costa Rica, abriga mais
de mil cães retirados da rua (Foto: reprodução)

No entanto, o número exacerbado de cães abandonados na Costa Rica, País que enfrenta, hoje (22), o Brasil na Copa do Mundo, chamou tanta atenção, que o casal Lya Battle e Alvaro Saumet resolveu fazer algo a respeito: criar a “Terra dos Perdidos”, também conhecida como “Território de Zaguates”, para abrigar mais de mil animais retirados das ruas do País. Neste local, os pets são livres e desfrutam de um grande espaço para brincar, mas também podem ser adotados pelas pessoas que visitam, frequentemente, o lugar.

A médica-veterinária da Clínica Crazy For Pet (São Paulo/SP), Lívia Carolina Beserra, comenta que os países de baixa renda são os que têm maior índices de abandono. “As famílias possuem poucos recursos e não conseguem manter os animais”, declara. O abandono, como lembrado por Lívia, pode afetar a Saúde Única, que preza pelo bem-estar de animais, humanos e ambiente, já que os pets abandonados, principalmente os cães, transmitem zoonoses, como a raiva, a leptospirose e a leishmaniose que são fatais para as pessoas

Tentando achar um motivo. Optar por uma raça de cão que não seja adequada para o estilo de vida da pessoa ou família pode acabar em desamparo. “Uma raça que precise de muitos passeios para gastar energia e quem comprou foi um casal de idosos, por exemplo, ou filhotes que precisam de atenção e educação para pessoas que não tem paciência para ensinar são os mais abandonados”, aponta Lívia.

Dentre os inúmeros motivos alegados por quem abandona, a veterinária especializada em Clínica Geral de pets, Mayara Tóffolo Carter, cita a prenhez com ninhada indesejada, mudança de residência, mal comportamento do animal, perda de interesse (podendo até levar em conta quando um animal se torna idoso) e, até mesmo, alergia do tutor ao pelo do pet. “O comportamento problemático do animal de estimação se apresenta como um dos grandes motivos para que o proprietário desista do animal. Infelizmente, isso acontece, na maiorias das vezes antes, de se procurar uma ajuda profissional no assunto”, frisa. A zootecnista e adestradora da Cão Cidadão (São Paulo/SP), Marcela Barbieri Boro, também acrescenta a chegada de um bebê na família e a mudança de País como algumas das razões.

Há solução? Promover programas de castração para controle da população, investir em palestras ministradas por adestradores e comportamentalistas abertas ao público e difundir a importância do adestramento para a boa convivência do cão na família e na sociedade, uma vez que muitos abandonos se dão por falta de uma boa comunicação com o animal, são algumas medidas mencionadas por Marcela a fim de diminuir o número de pets abandonados.

Mayara, por sua vez, lembra que o interessado em adotar um animal deve se informar se é melhor adotar um cão, um gato ou, até mesmo, outro tipo de pet, lembrar dos custos que um animal de estimação necessita, dos gastos com alimentação, veterinário, vacinas e cirurgias quando necessário. “Outro ponto importante a ser citado é a posse responsável. O tutor deve se informar sobre esterilização (castração) para evitar fugas e ninhadas indesejadas”, destaca.

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Insucesso ou a ausência de um programa de
adestramento  eficiente pode resultar na
desistência dos animais (Foto: reprodução)

Já para Lívia, a principal medida seria haver campanhas de castração para a população levar seu animal de graça. “Da mesma maneira que funciona a campanha de vacinação contra a raiva, principalmente, em locais de baixa renda. Isso resultaria em um controle populacional e diminuiria o número de prenhez indesejadas e, consequentemente, abandonos”, defende.

Atualmente, o abandono de animais é um tema que está sendo muito questionado seja, na Costa Rica ou em qualquer outro País, porém ainda é um problema que está longe de ser erradicado na visão de Mayara. “Acredito que devemos começar pela base do problema: a educação e informação. Campanhas sobre saúde pública, conscientização e esterilização devem ser realizadas cada vez mais, além das castração dos animais errantes”, considera.

Curiosidades. No quesito comportamental, o fato de os cães sem raça definida (SRD), famosos ‘vira-latas”, possuírem mais de uma raça em sua genética faz com que seja difícil padronizar um certo tipo de comportamento, como explica Marcela, por isso, são os mais desamparados. “Normalmente, eles são animais de personalidade forte e, dependendo do histórico de vida, de fácil adaptação, justamente por conter inúmeras características herdadas de vários cruzamentos de raças diferentes. Podem apresentar, inclusive, tamanho e cor variados. Por isso, não podemos garantir ao adotante o tamanho certo que o animal vai alcançar. Estes bichos, normalmente, são muito amorosos e incrivelmente fiéis aos seus donos”, descreve.

Outra característica apontada por Mayara é a “resistência” a doenças, o que cai naquela dúvida se os animais sem raça definida ficam ou não doentes e ela já discorre: “Mas isso não se deve à genética e misturas de várias raças, mas, sim, pelo fato de que, quando você adota um animal que teve uma natureza desconhecida, o mesmo já teve contato com várias doenças e se tornou um animal mais resistente, por criar anticorpos. Porém, isso não é regra, mesmo um animal SRD deve passar por consultas, vacinações e vermifugações periódicas”, declara a profissional que revela: “Quem tem um vira-lata, tem um exemplar único da espécie”.

Por outro lado, esses animais podem ter herdado, também, a tendência de determinada raça e passarem a desenvolver alguma doença específica, como displasia coxofemoral, cardiopatias e otites, que podem passar despercebidas pelos proprietários. “É preciso pensar que, a partir do momento em que trazemos um animal para nossas vidas, somos totalmente responsáveis por ele. Portanto, é nosso dever garantir a sua saúde física e mental, bem como oferecer amor, carinho e proporcionar qualidade de vida”, salienta.

Leia, também, sobre outros cães da Copa do Mundo, falando sobre o Fila Brasileiro e o Pastor Suíço.

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