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CPI de Maus-tratos Contra Animais ouve diretor da USP

Universidade é acusada de uso irregular de animais nos cursos

A chamada CPI dos Maus-tratos Contra Animais da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo ouviu, na última terça-feira (28), o diretor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), Prof. Dr. José Antonio Visintin, sobre o uso irregular de animais nos cursos da universidade.

“Nós convocamos o Dr. Visintin porque a USP não respondeu nosso Requerimento de Informação, uma prerrogativa do trabalho do deputado e cuja resposta é obrigatória. É importante para esta CPI saber quais cursos utilizam animais, quantos são utilizados, que procedimentos são realizados e, principalmente, se existem métodos substitutivos à utilização desses animais”, afirma o presidente da CPI, Deputado Feliciano Filho.

Visintin negou que qualquer animal seja maltratado na USP. E confirmou o uso de animais em disciplinas ligadas à fertilização e manipulação de embriões de bovinos e em cirurgias e outros acompanhamentos realizados no Hospital Veterinário Universitário, utilizando animais que realmente precisam de tratamento, os chamados pacientes reais. De acordo com Feliciano, o diretor não soube explicar "milhares de animais em posse da universidade", no que são usados, apesar de gastar de 300 a 600 mil reais por ano só com a manutenção dos mesmos, e reafirmou a necessidade de usar animais reais nos procedimentos elencados, até pela crise pela qual passa a USP e o alto custo dos equipamentos. Salientou ainda que tudo seria aprovado pelo Conselho de Ética da universidade.

CPI - divulgacao

Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo reuniu interessados no tema, na última terça-feira (Foto: reprodução)

O biólogo Sérgio Greif, convidado pela CPI e especialista em métodos substitutivos, contestou a necessidade de usar animais vivos ao apresentar diversos bonecos, manequins, partes sintéticas de animais e programas de computador que podem ser utilizados em substituição. “É possível escolher até a raça da vaca que se deseja usar”, afirmou. Além disso, apesar do alto custo inicial de um simulador (cerca de 250 mil reais), ele pode ser utilizado por várias turmas, ou seja, seu custo dilui-se ao longo dos anos.

A promotora de Justiça, Dra. Vania Tuglio, também convidada pela CPI, foi enfática ao dizer que, independente do que dizem conselhos de ética locais, o que vale é a lei: existindo métodos substitutivos, o uso de animais é crime. “E falta de verba não é justificativa para burlar a lei, continua sendo crime”, acrescentou. “No ensino, não queremos descobrir nada novo. Trata-se da repetição de conhecimentos já exaustivamente registrados em vídeo. Foge da razoabilidade utilizar um ser sensível, sujeito a dor e estresse, apenas para repetir um procedimento já conhecido”, concluiu.

Segundo o deputado e presidente da CPI, outras universidades serão chamadas para dar explicações.

Fonte: A.I., adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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