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Decodificar avisos do sangue é papel do Hematologista Clínico

Veterinária explica a especialidade, sana dúvidas e aponta futuro promissor

Sthefany Lara, da redação

sthefany@ciasulliedirores.com.br

A Hematologia Clínica se caracteriza como a especialidade que trata das doenças do sangue. No entanto, o conhecimento de outras áreas tem sido essencial para o atendimento de casos da área, segundo a médica-veterinária hematologista, idealizadora do Hemocore (São Paulo/SP), Silvia Ulata.

Para os profissionais que desejam conhecer mais sobre a área de Hematologia Clínica, Silvia dá dicas de como se aperfeiçoar. “Estudar muito. Quando achar que já estudou muito ou o bastante, estudar mais e mais e mais”. Estudar o quê? A hematologista responde: “Na verdade, buscar atualizações e reestudar tudo que já foi em teoria aprendido durante graduação, porém com outra ótica (não para passar em uma prova, mas encarando os conhecimentos, inclusive básicos, como informação importante à prática da profissão)”.

A médica-veterinária completa que “lembrando-se de que uma anemia, por exemplo, só melhorará se houver tratamento adequado da causa do problema, para tanto se pressupõe que o médico-veterinário tenha conhecimentos amplos sobre as doenças e sua fisiopatologia e seja capaz, portanto, de construir raciocínio clínico adequado, traçar hipóteses prováveis e direcionar melhor a relação de exames complementares para exclusão ou confirmação das mesmas, ou seja, para obter o diagnóstico e, por consequência, determinar o tratamento”.

Ainda segundo ela, não se chega ao domínio de uma especialidade se os conhecimentos básicos, bem como de clínica médica (geral), não forem minimamente bem adquiridos.

Silvia Ulata
Para hematologista, a especialidade tem ganhado reconhecimento
lento, mas progressivo nos últimos anos (Foto: divulgação)

Muitos, ainda, não sabem quando se deve encaminhar o paciente para um hematologista.  Sobre essa dúvida, Silvia explica que dentre os casos encaminhados pelos clínicos, continuam sendo os mais comuns os de anemia hemolítica e trombocitopenia imunomediada, mas não só. “Incluem-se os casos de anemia arregenerativa, leucopenia, pancitopenia e coagulopatias por causas diversas, confiados aos meus cuidados para realização de diagnóstico diferencial e tratamento. Casos que apresentam condição potencial de hipercoagulação e trombos (alguns, já instalados) também me são confiados. Desses, a maioria é encaminhada por profissionais endocrinologistas formadores de opinião; portanto, os mais precocemente alertas aos perigos de trombo, sobretudo nos casos de hiperadrenocorticismo”.

Nos últimos anos, Silvia tem observado aumento do número de casos encaminhados para realização de diagnóstico diferencial e tratamento de doenças suspeitadas como auto-imunes. “Desses, uma parcela significativa é composta por casos de lúpus e poliartrite imunomediada, encaminhados mais comumente por fisioterapeutas de renome. Atualmente, possuo uma parcela considerável de pacientes com doenças imunomediadas diversas, somados aoscasos de citopenias, alterações de coagulação e neoplasias hemato e linfopoiéticas”.

Sobre as perspectivas da Hematologia Clínica Veterinária, Silvia acredita que a área está caminhando, construindo, por si, seus caminhos. “Já esteve sob escuridão maior, ignorada, em passado recente.  Atualmente, as pessoas (médicos-veterinários e clientes) demonstram menor desconhecimento sobre a existência de serviços especializados na área de Hematologia Clínica. Aos que ainda desconhecem, avalio ser esta uma boa oportunidade para conscientização; hoje há a disponibilidade deste tipo de serviço médico-veterinário especializado. Assim, embora a rotina tenha se demonstrado bastante difícil, avalio que a Hematologia Clínica Veterinária está caminhando por bons caminhos, uma vez que está sendo construída conforme as necessidades e demandas dos pacientes, clientes, colegas clínicos e especialistas”.

“A Hematologia Clínica Veterinária”, conclui “está ganhando reconhecimento gradativamente lento, mas progressivo nos últimos anos. Metaforicamente, diria ainda que os caminhos da Hematologia Clínica Veterinária são amplos e coerentes com o próprio foco da área: “o sangue”, se considerarmos que este circula por todo o organismo, trazendo informações diretas ou indiretas, como se fosse um mensageiro de boas e más notícias de regiões, às vezes, distantes. Assim, apesar de o trabalho ser complexo, quando as pessoas me perguntam “quando devem encaminhar um paciente a um hematologista”, a resposta é simples: sempre que verificarem alterações hematológicas ou notícias ruins no “tele-hemograma” (risos) que necessite de um médico-veterinário hematologista como “intérprete ou tradutor”.  

Para quem estiver interessado em se dedicar em estudos, utilizando-se de cursos auxiliares em hematologia, a médica-veterinária, juntamente com a equipe do HemoCore, oferece cursos. As informações podem ser obtidas pelo e-mail hemocore.cursos@gmail.com ou telefones (11) 2501-9600 ou (11) 98109-9497.

Silvia Ulata, também, falou à revista Cães&Gatos, na edição de junho, quais são os cinco maiores erros que o clínico comente ao se deparar com situações que envolva a Hematologia, acesse a revista para conhecer mais.

1 comentário
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Wanilda Do Val 2 mêses atrás
Excelente profissional!Infelizmente são poucos que realmente capacitados!Por negligencia de muitos vets nossos cães chegam a obito...triste demais!