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Dipirona pode aliviar desconfortos leves e moderados em cães e gatos

Porém, veterinária confia mais na prescrição de fármacos próprios para pets
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Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

A dipirona foi sintetizada pela primeira vez na Alemanha em 1920 e começou a ser comercializada no Brasil em 1922, como comenta a médica-veterinária da Rede Petz, Amanda Maria Gomes da Silva. O composto químico da dipirona, segundo ela, chama-se metamizol, que é um ácido enólico de fraca ação anti-inflmatória. Trata-se de um medicamento inibidor da cicloxigenase, enzima responsável pelo início do processo inflamatório, e, como tem ação específica na cicloxigenase do tipo 3, seu uso possui poucos efeitos colaterais comparado com outros anti-inflmatórios.

Amanda conta que, apesar de ser classificada farmacologicamente em anti-iflamatório na Medicina Humana, a dipirona nos animais tem indicação principal como analgésico e antitérmico. “Indica-se sua prescrição na dor leve a moderada”, explica e frisa que essa indicação deve ser realizada pelo médico-veterinário após examinar o animal. “A frequência da administração é avaliada de acordo com as manifestações clínicas e a dose é calculada a partir do peso”, insere.

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Responsáveis não devem realizar a medicação
de seus pets sem passar por uma
consulta com um profissional (Foto: reprodução)

Quando questionada sobre como o medicamento reage junto a outros fármacos em tratamentos de cães e gatos, a médica-veterinária afirma que, na Medicina Veterinária, existem poucos relatos sobre a interação do dipirona com outros medicamentos. “Sabemos da possibilidade de interação segura como os inibidores da Enzima de Conversão da Angiotensina (ECA), bloqueadores adrenérgicos e bloqueadores dos canais de cálcio”, menciona.

Amanda também cita que a indústria farmacêutica veterinária vem crescendo ano a ano e, com isso, surgem novas formulações específicas. “Normalmente, esses fármacos passaram por estudos para que seu uso seja permitido na espécie em avaliação”, destaca. Os medicamentos humanos para serem utilizados nos animais precisam passar por testes específicos para a espécie, como comenta a profissional. “A utilização de drogas não autorizadas para animais, chamadas de ‘extra-bulas’, leva-nos a cometer idiossincrasias. Define-se idiossincrasia como reação individual do organismo àquela formulação”, esclarece.

Como já mencionado pela profissional, as reações adversas de medicamentos podem acontecer como um efeito individual, porém ela se torna menos possível quando o fármaco foi formulado e aprovado para a espécie que está sendo utilizada. “Sinto mais segurança em prescrever os que são específicos para pets. Na Medicina Veterinária, trabalhamos com uma variedade de espécies que apresentam alterações fisiológicas distintas, por isso que o uso de medicações específicas para aquela espécie torna o tratamento eficaz”, garante.

A médica-veterinária revela que, o consultório, algumas vezes, é palco para tragédias que poderiam ser evitadas com a conscientização dos responsáveis em não realizar a medicação de seus pets sem passar por uma consulta com um profissional. “Ainda no assunto sobre medicamentos, é importante relembrar a necessidade de que também somos responsáveis por guardar os remédios longe do alcance dos pets, para evitar que sejam ingeridos sem necessidade, causando intoxicações e risco de morte. A dipirona não apresenta interação conhecida com alimentos ou são insignificantes. Portanto, o tutor pode facilitar a vida de seus pets, utilizando algum petisco saboroso para enganar o sabor desagradável da dipirona, desde que o petisco não interfira no tratamento da doença”, encerra.

imagem dipirona
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