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Docentes de Veterinária e Zootecnia apontam desafios do EAD

Durante a pandemia, aulas presenciais foram substituídas por videoaulas

Cláudia Guimarães, em casa

claudia@ciasullieditores.com.br

Diante das paralizações nas aulas presenciais, por conta da pandemia de Covid-19, de um lado da tela, estão os alunos e, de outro, os professores, que também tiveram de se reinventar para essa nova missão: a aula on-line.

O coordenador do curso de Zootecnia, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus Botucatu (SP), Marcos Livio Panhoza Tse, conta que, nesta unidade da instituição, as aulas para os cursos de Medicina Veterinária e Zootecnia estão sendo realizadas no modo Ensino a Distância (EAD). “Tem sido um período de adaptação aos docentes e discentes que precisam se adequar a essa nova realidade. Os professores precisam adaptar a melhor metodologia de ensino (considerando-se o ensino remoto/plataforma digital) e os alunos precisam assimilar essa nova forma de aprendizagem”, comenta.

As aulas na FMVZ, da Universidade de São Paulo (USP), também não foram canceladas e seguem ao modelo a distância, conforme conta a professora Titular, presidente da Comissão de Graduação da unidade, Maria Lucia Zaidan Dagli. “Desde março de 2020, ministramos aulas teóricas e teórico-práticas remotamente. Estas aulas estão sendo aplicadas em tempo real e, também, algumas são gravadas e disponibilizadas aos alunos”, revela.

Tem sido um período de adaptação aos docentes e
discentes que precisam se adequar a essa nova
realidade (Foto: reprodução)

Neste caso, Maria Lucia também acredita que adaptação seja a palavra-chave para adquirir o conhecimento da melhor forma possível: “Todos (professores e estudantes) estão se dedicando e fazendo seu melhor para manter a continuidade e a qualidade do curso de Medicina Veterinária”, garante. A docente lembra que a USP é contrária e não adota o EAD, exceto para algumas disciplinas específicas de programas de pós-graduação. “Mas, neste momento em que é preconizado o isolamento social, não tivemos outra alternativa senão aderir às aulas remotas”, adiciona.

Desafios do momento. Para o coordenador de zootecnia da Unesp, o EAD sempre foi uma ferramenta para o ensino, entretanto, em sua visão, se não for realizado em tempo real, perde-se a essência de troca de informações entre docente-discente. “Como mencionei, o maior desafio tem sido adequar a melhor metodologia de ensino e saber qual o nível de assimilação e aprendizado dos alunos”, expõe e concorda com o fato de que nos cursos de saúde, como Veterinária e Zootecnia, o conhecimento pode ser abalado: “Em nossos cursos, grande parte as disciplinas é teórico-prática ou prática, por isso, sempre há perda de aprendizado. Desta forma, o conteúdo on-line não supre, plenamente, o ensino presencial”, pondera.

A professora da USP, por sua vez, comenta que o corpo docente da faculdade tem conversado constantemente com os alunos sobre o momento atual. “Explicamos a eles o termo ‘resiliência’ e eles têm convivido relativamente bem com esta nova realidade. Todos estão se esforçando para não prejudicar a qualidade do aprendizado do curso”, compartilha Maria Lúcia que aponta como o maior desafio disso tudo a saudade de conviver com os colegas e alunos no dia a dia da universidade.

Na FMVZ-USP, as aulas práticas foram transferidas
para janeiro e fevereiro de 2021. Até lá, as aulas
on-line continuam (Foto: reprodução)

Por outro lado, Tse acredita que o cancelamento do semestre seria muito mais danoso ao aluno, em relação ao EAD. “Em nossos cursos, por mais que o ensino remoto seja deficiente em relação às aulas presenciais, é melhor que o cancelamento do semestre”, avalia o educador que ainda informa a falta de previsão para que as aulas no campus voltem ao normal. “Essa pandemia serviu para que nós, docentes, que ministramos aulas presenciais (pelas próprias características de nossas áreas de atuação), pudéssemos conhecer as plataformas digitais e ter essa tecnologia como auxílio, mas nunca como substituto de aulas presenciais”, encerra.

Maria Lúcia, por sua vez, do ponto de vista das aulas teóricas, acredita que o conteúdo on-line supra as necessidades de conhecimento na graduação, já que cobre todo o cronograma. “As aulas teóricas on-line são, praticamente, as mesmas realizadas presencialmente e os alunos têm espaços e momentos para tirarem as dúvidas. A maior preocupação é em relação às aulas práticas, que só poderão ocorrer quando as atividades presenciais puderem ser retomadas. A USP adotou as aulas remotas também para o segundo semestre de 2020 e as atividades práticas do 1º e do 2º semestres foram transferidas para os meses de janeiro e fevereiro de 2021, quando é provável que a situação da pandemia esteja mais controlada”, indica.

Aos alunos que enfrentam problemas em focar nos estudos apenas dentro de casa, a recomendação de Marcos Tse é, dentro de suas possibilidades, se isolar em algum cômodo da residência ou tentar estudar nas horas de menor movimentação doméstica. Já a dica de Maria Lúcia é focar na flexibilização: “Procure preservar os horários que tinha antes de estar no isolamento social. Reserve tempo para suas aulas on-line, mas, também, para outras atividades. É importante buscar se distrair e manter contato com os colegas. Quando estiver cansado, descanse e não se esforce em demasia. Procure se exercitar por, pelo menos, 30 minutos por dia e fale com seus professores frequentemente. Tenha em mente que todos estamos na mesma situação e que o conteúdo que não puder ser aprendido neste momento, será adquirido mais para frente”, aconselha.

Para encerrar, a professora deixa um recado aos graduandos e colegas de função: “Vamos nos manter firmes, olhando para frente, procurando fazer o que é possível neste momento e tendo a certeza de que tudo vai passar”.

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