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Ensino a distância só é defendido pelo CFMV em caráter complementar

Plataforma Seres oferece conteúdos temáticos, porém não substitui graduação

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Conteúdo disponível em lugares e tempos distintos, acesso flexível, melhora na educação e formação do médico-veterinário. Essas são as vantagens que o ensino a distância oferece àquele que quer aperfeiçoar suas aprendizagens. Porém, esse é um tema bastante polêmico entre os defensores da boa educação.

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV, Brasília/DF) está sempre alerta ao assunto e, recentemente, já se pronunciou e investigou casos de graduações de Medicina Veterinária realizadas via internet. O órgão reconhece progressos no emprego da metodologia como parte de um processo de ensino, porém ressalta as limitações no seu alcance para a formação teórico-prática de um médico veterinário, podendo gerar riscos à vida humana, animal e ao meio ambiente. 

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Profissional frisa que nova plataforma complementar nunca
substituirá a graduação presencial (Foto: reprodução)

Com isso, o CFMV defende apenas um ensino complementar, que visa aprimoramento de conhecimentos já adquiridos ou, ainda, cursos que permitam o estudante ou médico-veterinário se aprofundar mais em um determinado assunto de interesse. Para disponibilizar um canal para esse constante aperfeiçoamento do clínico e do zootecnista, de acordo com os seus interesses profissionais, o Conselho lançou, em março, a plataforma Seres.

O site procura oferecer conteúdos que não são oferecidos na maioria dos cursos de graduação, mas que estão no escopo de atuação do médico-veterinário. “Ressaltamos que os materiais disponibilizados pelo Seres não substituem a graduação e é importante que as escolas tenham o cuidado de ter currículos generalistas, abrangendo as áreas de atuação”, destaca o Secretário-geral do CFMV, Marcello Roza. O material do Seres, segundo ele, é aberto a todos os profissionais e estudantes de Medicina Veterinária e os próprios cursos podem incentivar o seu uso como material complementar, gerando discussões em aula.

Roza frisa que a nova plataforma nunca substituirá a graduação presencial. “O curso de Medicina Veterinária tem uma interface muito significativa com atividades práticas, também exige que o aluno, por todo o período da graduação, vivencie os ambientes da profissão, sejam eles hospitalares, de inspeção ou de produção. O Conselho não tem nenhuma intenção de substituir essa experiência”, explica e garante que a intenção do Seres é colocar, em um mesmo ambiente, objetos de conhecimento que possam ser acessados por alunos e profissionais.

Educação complementar. Roza atesta que trata-se de uma iniciativa original do CFMV, cujo objetivo é proporcionar, a profissionais e estudantes, uma fonte de pesquisa e estudo confiável e dinâmica, que estimula o aprendizado contínuo sob um ponto de vista voltado para a promoção da saúde e do bem-estar. “Quando a pessoa acessa o Banco do Conhecimento, tem contato com a informação que já foi sistematizada. A plataforma oferece uma fonte confiável de conhecimento, com autores e fontes devidamente identificados, além de permitir que o conteúdo seja discutido e enriquecido de acordo com a participação dos usuários”, esclarece.

Marcello Roza fundo branco
Marcello Roza é Secretário-geral do Conselho Federal
de Medicina Veterinária (Foto: divulgação)

O profissional ainda conta que o acervo do Seres é organizado em unidades educacionais chamadas de “objetos de aprendizagem”, que podem ser itens como imagens, artigos, infográficos ou vídeos, acessados por meio de painéis e cursos de forma on-line. “Grande parte do conteúdo disponibilizado inicialmente no Seres é originado na Revista CFMV e originado em periódicos brasileiros de Medicina Veterinária. Os objetos também podem ser cadastrados pelos usuários por meio de um formulário, que deve ser preenchido com informações técnicas e gerais como o tema relacionado a ele, o autor do conhecimento, o nível escolar ao qual é voltado aquele conteúdo e a licença de uso do arquivo”, expõe.

Os cursos oferecidos, até o momento, foram formulados por membros das comissões assessoras do CFMV, que, segundo Roza, possuem grande experiência profissional nos assuntos abordados. “O Seres foi lançado com cinco cursos produzidos pelo Conselho e de acesso gratuito aos profissionais registrados no sistema CFMV/CRMV’s: Responsabilidade Técnica (RT) em Animais Selvagens, RT em Sanidade na Piscicultura, RT em instalações animais e dois módulos de Medicina Veterinária Legal”, cita.

Informação e feedback em construção. Roza expõe que, por meio da inserção e objetos de aprendizagem por toda a comunidade que frequenta e utiliza o Banco de Conhecimento, o site deve se manter atualizado e cumprindo com seu objetivo inicial. “A plataforma colaborativa sobre a qual foi construído o Seres também permite que esses objetos sejam alvo de discussões, gerando a complementação desses objetos e realmente estimulando o aprendizado e a disseminação do conhecimento”, opina.

Após poucos meses de lançamento, o Seres já tem mais dois mil usuários cadastrados, segundo Roza. “A maioria deles é composta de profissionais e cerca de 30% deles são estudantes, o que mostra como os médicos-veterinários estão interessados em se manter atualizados e como o sistema permite que eles continuem esse aprimoramento mesmo depois da graduação, de forma gratuita e acessível por meio da internet”, comemora.

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