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Equipe de especialistas garante dieta balanceada a animais de zoológico

Necessidades e hábitos alimentares são respeitados ao oferecer a refeição

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

A fim de zelar pela saúde e bem-estar dos animais, os parques zoológicos possuem uma equipe destinada a cuidar da boa alimentação das espécies silvestres. As dietas são balanceadas e alguns aspectos são levados em conta na hora da montagem das refeições, como o risco de obesidade, por exemplo.

O Parque Zoológico “Quinzinho de Barros”, de Sorocaba (SP), administrado pela Secretaria do Meio Ambiente, Parques e Jardins (SEMA), oferece, mensalmente, mais de uma tonelada de carne vermelha, seis toneladas de frutas e verduras, 600 quilos de peixes e mais de 22 toneladas de complementos alimentares e rações, que compõem a dieta dos, aproximadamente, 1.200 animais, de 290 espécies. São preparadas em torno de 375 alimentações por dia, para todos os animais (aves, répteis e mamíferos) a as refeições são distribuídas três vezes ao dia.

zoo
O zoológico utiliza, todo mês, mais de 125
itens alimentares (Foto: reprodução)

Segundo a chefe de Seção de Biologia/Veterinária da SEMA, Cecília Pessutti, a dieta para cada animal é formulada levando em consideração a ecologia e hábito alimentar, o cálculo de requerimentos calóricos diários e a aproximação zoológica com animais domésticos. “Também consideramos a disponibilidade no comércio. Após avaliar todas essas variáveis, as escolhas de itens são inseridas em programa de nutrição para animais silvestres que realiza o cálculo final”, explica e adiciona que as refeições são formuladas unindo os conhecimentos de três áreas de formação: Biologia, Zootecnia e Medicina Veterinária.

Devido a grande diversidade de animais habitantes do zoo, para cada uma das espécies existe uma dieta própria, como conta a zootecnista Juliana Guimarães Matzembacher. “Os saguis são alimentados com ração para primatas, frutos, insetos e ovos, já os quatis, que são carnívoros onívoros, recebem ração para cão, carnes, frutos e vitaminas. Os pássaros, que se alimentam de grãos, recebem ração, sementes de painço, alpiste, linhaça e niger”, enumera. De acordo com ela, a alimentação mais equilibrada, levando em consideração as especificidades dos animais, proporciona o desenvolvimento normal, a reprodução e manutenção da saúde, além de longevidade aos animais.

Os animais do zoológico estão adaptados às dietas oferecidas, como revela Cecília, entretanto, quando chegam animais da Polícia Ambiental e particulares (pets), muitas vezes, os profissionais se deparam com o trabalho de realizar uma reeducação alimentar. “Eles possuíam o hábito de comer alimentos inadequados. Por exemplo, papagaio que comia pão e tomava café com leite. Desta forma, temos que trocar por frutos, sementes e ração. Ou, ainda, macacos que se alimentavam com comida caseira e temos que adaptá-lo a comer frutos e verduras. Ou seja, temos que fazer uma mudança gradual para a dieta mais natural e apropriada à espécie”, expõe.

banana
Profissional explica que um macaco não precisa
da banana, mas, sim, dos nutrientes que
ela dispõe (Foto: reprodução)

É importante lembrar, segundo Juliana, que para cada fase da vida dos animais sejam filhotes, adultos, idosos, fêmeas em lactação ou enfermos, as dietas são avaliadas e adequadas a cada uma dessas fases e situações. “Além de utilizarmos cerca de 80 itens alimentares na formulação das dietas, para que proporcionemos maior diversidade na alimentação, uma variedade de frutos e verduras de época é incluída sazonalmente”, conta.

A ausência de doenças nutricionais, metabólicas e imunológicas podem ser observadas pela excelente condição física, pelo escore corporal e pela pelagem e plumas vistosas, como conta Cecília. “Esses são bons indícios da saúde dos animais, que também são comprovados por meio de avaliação clínica, odontológica, exames de sangue e fezes, pesagem e sucesso reprodutivo. Devido ao correto balanceamento da dieta ainda conseguimos prevenir doenças”, assegura. A zootecnista Juliana também salienta a preocupação constante em respeitar o hábito natural dos animais e suas necessidades nutricionais. “Quando falamos em alimentação do animal temos que pensar que ele não necessita de um ingrediente específico, mas dos nutrientes que esse ingrediente tem a oferecer. Por exemplo: um macaco não precisa especificamente da banana, mas, sim, dos nutrientes que ela dispõe. Por isso, são realizados cálculos para saber quais ingredientes usar e em qual proporção, como forma de respeitar o que o animal requer nutricionalmente, bem como a sua fisiologia digestiva e suas preferências alimentares”, explica.

A equipe do zoo é composta por cinco cozinheiros que preparam toda a dieta, além dos 22 cuidadores que realizam a oferta das refeições e a limpeza dos recintos e, ainda, mais 12 profissionais que fazem parte da equipe técnica, tais como biólogos, médicos-veterinários, zootecnistas e educadores. Isso atinge um total de 39 profissionais empenhados pela melhor qualidade de vida dos animais. Para atuar nessa área, a pessoa interessada deve ter graduação e pós-graduação em Zootecnia, Medicina Veterinária e Biologia, ter realizado cursos de extensão universitária e/ou especialização na área de nutrição animal, além de participar de treinamentos nessa área.

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