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Grandes nomes da endocrinologia veterinária compareceram ao Ciabev

Em três dias de evento, 430 profissionais desfrutaram da programação

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@cisulliediores.com.br

Cidade litorânea, boa programação, renomados profissionais como palestrantes. Tudo isso já estava organizado e, por isso, era esperado um evento de sucesso. O que não estava previsto foi o número de congressistas presentes, que superou as expectativas: mais de 430, sendo que a maioria dessas pessoas atua na especialidade do encontro, endocrinologia de animais de companhia. A terceira edição do Congresso Internacional da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (Ciabev) ocorreu de 13 a 15 de novembro, no Guarujá (SP), e, segundo a organização, já é possível colher os bons resultados.

O conteúdo disposto na programação do congresso foi pensado por toda a comissão científica da ABEV, que fez questão de convidar nomes importantes da endocrinologia veterinária, bem como profissionais de outras áreas, mas que, também, demonstram grande interesse e caminham lado a lado da especialidade.

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Presença de profissionais que atuam na área da endocrinologia veterinária é destacada pela organização do evento (Foto: C&G VF)

Conhecimento. Entre os destaques, está a palestra da médica-veterinária e presidente da ABEV, Viviani de Marco, que falou sobre a frequência de síndrome metabólica nas endocrinopatias. A gordura central, segundo ela, é diferente da periférica, existem diferenças genéticas, biológicas, de raças e da capacidade individual de acumular gordura. "Alguns animais são predispostos a ganhar peso mais facilmente", apontou. A profissional ainda expôs alguns números em relação a cães com hiperadrenocorticismo (HAC): 10% desses animais podem desenvolver diabetes e 75% deles têm aumento do triglicérides e/ou colesterol. "Ainda, 60% podem ter elevação da pressão arterial e demonstrar disfunção sistólica ou diastólica do miocárdio", adicionou. A síndrome metabólica, como ela disse, melhora com a redução da obesidade abdominal e da hipercortisolemia e está presente em cães obesos, com frequência em torno de 20% e em pets com HAC que varia de 35 a 70%. “É preciso explicar para o tutor que, mesmo que o animal seja metabolicamente saudável, a situação pode levar a problemas e, por isso, deve ser tratada como doença", conclui.

O professor do Departamento de Nutrição Animal, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP, São Paulo/SP), Márcio Brunetto, também atraiu a atenção dos congressistas falando sobre as necessidades de minerais e vitaminas a serem suplementados em animais submetidos à dieta caseira. "Cães e gatos necessitam de, aproximadamente, 40 nutrientes essenciais que precisam estar presentes na alimentação, senão o pet pode demonstrar deficiência nutricional", frisa. As vitaminas, de acordo com Brunetto, são essenciais para a manutenção da saúde, crescimento e reprodução de animais de companhia. "Elas se subdividem em dois grupos: hidrossolúveis e lipossolúveis", explanou. As hidrossolúveis oferecem complexo B e vitamina C e são absorvidas de forma passiva pelo intestino delgado. Já as lipossolúveis possuem vitaminas A, D, E e K e são digeridas e absorvidas pelo mesmo mecanismo dos lipídeos. Minerais, como explicado pelo professor, são elementos inorgânicos essenciais para os processos metabólicos dos pets. Além disso, eles correspondem a 4% do peso corporal total. Ele apresentou, também, situações em que o animal pode demonstrar deficiência mineral e vitamínica. Entre elas, ele destaca: "Cães de raças orientais, como o Husky Siberiano, podem ter dificuldade na absorção do zinco".

fabricio e priscila

O vice-presidente e a diretora Científica da ABEV

comemoram o resultado da 3ª edição do Ciabev

(Foto: C&G VF)

Planejamento. O vice-presidente da ABEV, Fabrício Lorenzini Machado, revela que o tempo de preparo desse evento contou com mais dedicação que nas outras edições. “Nesse ano, teve a junção de uma equipe de marketing com a nossa experiência, em uma nova gestão e, além disso, o contato individual de cada um da diretoria ajudou na agregação de patrocinadores”, avalia. Sobre a forte presença de profissionais endocrinologistas, Machado esboça uma visão: “A casuística de doenças endócrinas vem como uma crescente, por isso cada vez mais adeptos à especialidade. Isso obriga a ABEV, de certa forma, a priorizar a educação continuada”.

Sabendo disso, alunos de mestrado e doutorado, em parceria com seus orientadores, enviaram trabalhos científicos para a comissão da ABEV. Foram 88 resumos, segundo a diretora Científica da Associação e do congresso, Priscila Furtado, e cada um foi submetido, em uma primeira fase, a dois examinadores que avaliaram de forma cega, sem o conhecimento de quem eram os autores. “As melhores pesquisas, que pontuaram acima da média determinada, foram selecionadas para a segunda etapa. De um total de 14 selecionados, os três melhores receberam alguns prêmios”, revelou.

Veterinários pedem bis. Como mencionado por Machado, o feedback em relação ao evento foi positivo e, por isso, a ABEV já está sendo questionada sobre a data do próximo congresso. Como explica Priscila, todo evento demanda muita energia e adesão dos patrocinadores. “Sem eles um tipo de evento como esse não é possível de ser realizado da maneira que conseguimos. Então, temos que dar um tempo, não só intelectualmente falando, mas para que possamos trazer assuntos novos para gerar debates que venham a acrescentar na atualização dos profissionais. Fora isso, as empresas também precisam de um tempo para se prepararem para investir no próximo encontro”, declara e adiciona: “Sabemos que vamos fazer, porque vimos que nossa especialidade é crescente, principalmente pelo número de trabalhos científicos que recebemos, mas ainda não temos uma data definida.”

A 4ª edição do Ciabev não está programada, porém, Priscila conta que, para 2018, a Associação já possui uma grade científica que inclui seminários e palestras presenciais e on-line. “Temos associados espalhados pelo Brasil todo e nem sempre conseguimos estar perto de todos. Uma forma que encontramos para estar mais presente e conquistar novos sócios foi promover ciclos de palestras”, narra. O destaque para o próximo ano será a Síndrome Metabólica, onde apresentarão uma abordagem em espécies diferentes (cães, gatos e equinos). “Também vamos contar com a participação de um médico para falar da área de humana para compararmos com a realidade veterinária, além de opiniões contrárias e a favor sobre o tema”, completa.

viviani

A presidente da ABEV conta que estava preocupada

em agradartanto os congressistas quanto

os patrocinadores (Foto: C&G VF)

Marinheira de primeira viagem. A presidente Viviani de Marco  está, pela primeira vez, à frente da organização do congresso e afirma que, por acompanhar todos os detalhes desde o início, passa a ver o Ciabev com um olhar diferente. “O nível de perguntas durante as palestras está bem elevado e isso chamou atenção dos palestrantes internacionais, que elogiaram nosso público”, diz.

A endocrinologia, segundo Viviani, tem crescido e apresentado novas pesquisas, incluindo a área de biologia molecular. “Estamos muito mais capacitados agora para atender a determinados casos. Cada ano temos algo para aprimorar e, isso, graças às pessoas que gostam e pesquisam a área. Estamos muito felizes com o resultado do Ciabev 2017. Geralmente, as associações terminam um congresso e falam ‘nunca mais’. Eu estou tão feliz que já queria o próximo”, brinca.

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