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Internet pode ser o termômetro que mede as necessidades de clientes

Donos de negócios pets devem estar prontos para colher resultados off-line

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Cerca de 3,2 bilhões de indivíduos conectados no mundo, sendo que 78% da população se conecta por meio da telefonia celular. Esse total de pessoas representa apenas 43% da nossa população, ou seja, existe, ainda, um grande percentual mundial que não está conectado por não possuir acesso à internet. Esses dados foram divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) e comentados pelo publicitário e especialista em marketing, vendas e trade marketing, Rafael Ramos, e pelo administrador de empresas e mestre em comportamento do consumidor, Marcos Iazzetti, durante o CBNA Pet 2017.

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Segundo profissionais, a internet é um meio que conecta
os indivíduos às suas necessidades (Foto: C&G VF)

O Brasil possui a maior quantidade de acessos da América Latina, conforme os profissionais mostraram durante a apresentação. “São 93,2 milhões de usuários conectados e, disso, 80% possui acesso ativo nas mídias sociais e vemos uma representatividade grande de brasileiros que se conectam por meio do celular e está presente nessas plataformas. Isso mostra o que somos como cultura: sempre conectados, miscigenados e, assim, abrimos a porta para nos expressar para o mundo moderno”, analisa Iazzetti.

Mais do que falar sobre tecnologia é essencial falar sobre necessidades dentro do mercado de alimentos e produtos para animais de companhia, de acordo com Ramos. Ele cita a Pirâmide de Maslow, psicólogo americano que, no começo do século XX, afirmou que o ser humano possui algumas necessidades básicas e que, para alcançar outros patamares na vida, precisamos supri-las. “Alguns autores questionam essa necessidade de preenchimento, mas o que Maslow diz é que existem necessidades iniciais que são fisiológicas, como ir ao banheiro, comer e dormir. Quando alcançamos o segundo nível, entra o momento da segurança, não só física, mas emocional”, expõe. Ele se refere à segurança de ter uma casa, uma família, um emprego e, caso a pessoa esteja abalada com esses itens, não consegue passar para outro nível: o das necessidades sociais e da autoestima. “Trata-se a autoconfiança, a busca do próprio respeito e do respeito com outro. Passando tosos esses degraus da pirâmide, chegamos na auto realização, aquele sentimento de ‘cheguei lá, alcancei aquilo que eu queria’, que, segundo Maslow, é o mais difícil de se alcançar”, atribui.

Disso, o profissional afirma que é possível extrair o quanto a internet chegou para ajudar as pessoas a se conectarem com as necessidades, seja de comer, de comprar um carro ou pegar um táxi, de se conectar com amigos, poder se expressar, fazer grandes pesquisas, cursos e alcançar o sentimento de “cheguei lá”. “A internet não é um fim, não tenho que pensar ‘vou fazer um site para me conectar’. Devo saber o que quero com ele, qual necessidade do meu cliente que quero suprir. A internet é um meio, porque conecta os indivíduos às suas necessidades”, argumenta.

O grande desafio, para Ramos, é perceber as carências do público e resolver essa situação de forma criativa. Para isso, ele cita o Marketing de Experiência, cujo objetivo é provocar o maior número de sensações no consumidor. “Quando entramos em lojas de roupa de cama, mesa e banho, por exemplo, a primeira coisa que sentimos é o perfume. Mas não se trata apenas disso. É uma serie de iniciativas que vai construindo uma história de confiança”, explana.

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Mídias sociais possuem forte influência nos
resultados de relacionamento com o
cliente na internet (Foto: reprodução)

A dica dos especialistas para os donos de negócios pet é testar novas experiências, com coisas simples, baratas e eficientes para oferecer aos clientes. “Na apresentação do produto, deve haver personalização, ser oferecido com a cara da empresa a fim de firmar uma conexão maior com as necessidades do consumidor. Assim como é legítimo personalizar um tênis, é viável a customização de um alimento para pets. Dá, inclusive, para personalizar aquilo que o consumidor não tem a necessidade de comprar, mas, quando se depara com o item, é contagiado”, afirma Ramos, porém, Iazzetti completa: “Temos que perceber o quanto as ações são efetivas e se causam o efeito contrário ao desejado”.

O profissional explica que a internet oferece uma nova maneira de enxergar o mundo e tomar decisões. “Com isso, também conseguimos entender que a relação de verdade passa a ser mais importante, porque, assim, há mais acesso à informação, melhora a base para a tomada de decisão e o consumidor começa a escolher, de fato, aquilo que quer ou não em seu dia a dia. Hoje, vemos consumidores on-line buscando propósitos genuínos, reais”, cita. A facilidade também é um fator lembrado por Iazzetti: “Em um clique, faço compra e nesse mesmo clique é possível fazer com que o produto chegue em casa, de preferência, da maneira como eu comprei e no menor tempo possível. Deste modo, a conveniência passa a ser uma mensagem muito clara de que temos que aprender a trazer aos nossos negócios para que isso facilite o atendimento e a entrega das necessidades de nossos consumidores”, adiciona.

As mídias sociais possuem forte influência nos bons resultados de relacionamento com o cliente na internet, na visão de Iazzetti. “Por conta dessas plataformas, hoje é possível interagir com pessoas que antes não teríamos alcance. O empresário consegue integrar grupos de pessoas que não tinham a possibilidade de trocar informações e identifica quais as principais vontades a serem preenchidas e, a partir daí, consegue criar identidades diferentes e exclusivas para cada caso. Eis que surge uma facilidade para ser gerador ou fornecedor de produtos e conteúdos”, explica.

O publicitário Rafael Ramos frisa que a pessoa, enquanto dona de um negócio, deve ter em mente que a internet não vem para isolá-la, ao contrário: ela precisa ser uma ferramenta de conexão. “A conectividade não acontece simplesmente pelo número de amigos que você tem em uma rede social, mas sim pelas interações que ocorrem, muitas vezes, no off-line, onde o on-line apenas ajuda a buscar o público. Minha dica é utilizar a internet como uma própria ferramenta, deixando de permanecer escutando o eco da nossa própria voz e passando a ouvir as necessidades do nosso público”, orienta e o administrador, Marcos Iazzetti, completa: “Temos que destruir o conceito de que o off-line é uma coisa ruim, porque ele é o resultado do que estamos conectando hoje”.

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