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Leishmaniose em gatos é tema de encontro veterinário no interior paulista

Uma das autoridades do assunto, Malé foi a responsável pela palestra

Luma Bonvino, de Sorocaba (SP)

luma@ciasullieditores.com.br

 

A incidência e a gravidade fazem com que o tema Leishmaniose seja pertinente na Medicina Veterinária. A doença infecciosa, causada pelo protozoário Leishmania infantum, invade o organismo do animal causando lesões severas, podendo o levar à morte. Ciente da relevância do tema, a equipe Bayer Saúde Animal (São Paulo/SP), por meio do distribuidor regional Medpet, promoveu um encontro de médicos-veterinários na cidade de Sorocaba (SP).

Apesar da relação íntima entre os profissionais do setor e a enfermidade, o desafio da palestrante Maria Alessandra Del Barrio (Malé) foi trazer um novo perfil da leishmaniose visceral em gatos. Esse grupo foi negligenciado por muito o tempo, o que impacta no desconhecimento do animal como um todo. “Mesmo para cães, até que ponto entendemos a leishmaniose? Temos dúvidas de diagnóstico, de solicitação de exames, de tratamento e não existe uma regra”, inicia, explicando que a enfermidade coloca o profissional em contradição, após a constatação da leishmania: “Deixaremos cães infectados na posse de tutores irresponsáveis, sabendo os perigos da zoonose, ou o médico-veterinário será o ponto determinante da sentença de eutanásia?”, questiona.

Um fator, no entanto, separa o anjo salvador do algoz: conhecimento. E isso vem sendo a grande barreira. Os gatos, enquanto animais de estimação, é sabido do mercado, por tempos foram esquecidos. Agora, com a verticalização das cidades, maior número de tutores e uma visão doméstica do animal, ele se torna protagonista e o problema é colocado nos holofotes. Sim, o sistema imunológico é desconhecido e eles quase não apresentam sintomas, assim, a atenção redobrada passa a ser a arma mais eficaz dos profissionais.

De acordo com a veterinária doutoranda em Clínica Médica, um dos únicos sintomas deve se dar na pele: “Lesões cutâneas em casos post-mortem sempre aparecem. A dermatologia vai ferver com a leishmaniose em gatos”, destaca e completa que lesões dermatológicas têm regras e, se têm regras, precisam ser cumpridas, ou seja, procedimentos de raspagem, citologia e biópsia devem ser obedecidos. Além das aparições dermatológicas, em 80% dos casos, as oftalmológicas se encontram em segundo lugar, com 30%. “Principalmente lesões de granulomatose, panoftalmite, blefarite, conjuntivite e uveíte”, elenca e enfatiza: “São várias doenças que passam a ganhar um novo diagnóstico”.

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Encontro reuniu mais de 60 participantes em Sorocaba (SP) (Foto: C&G VF)

Porém, mesmo que identificado o problema, o tratamento é extremamente complicado. Não por proibição, uma vez que a portaria interministerial nº 1426 proíbe o tratamento da leishmaniose visceral em cães – exclusivamente citado. Mas, a droga mais utilizada internacionalmente, antimoniato de meglumina, não tem liberação no Brasil. Desse modo, alopurimol é o recurso do veterinário com algumas associações.

Em todos os casos, devido tamanha dificuldade em lidar com a doença, a prevenção segue como ponto de urgência. “O veterinário brasileiro deve criar consciência que o jeitinho não existe, é ele quem faz a conscientização de tutor”, frisa Malé. “O proprietário vê que o animal fica ansioso para sair. Mas, quando ele o ‘atende’, coloca-o em risco de muita coisa do lado de fora: atropelamento, maus-tratos, envenenamento, além de uma série de doenças infecciosas e parasitárias, sendo a maior parte incurável e com fatalidade em algum momento. É preciso transformar essa cultura que o brasileiro ainda tem de deixar o gato solto, mas, para mudar e ter o animal feliz dentro de casa, é preciso organizar situações domésticas para não desenvolver o stress. Isso é mais urgente: modular o comportamento e a atitude de interação do gato e, com isso, prevenir os felinos. Uma soma de educação e saúde”, dispara.

Aliado a isso, outros métodos preventivos podem acompanhar, por isso, a representante Técnica da Bayer, Nathalia Fleming, realizou uma apresentação de Seresto, única coleira dedicada a gatos que previne pulgas, carraptos e, por repelir picadas, também a leishmaniose. A recomendação, de acordo com a profissional, é de uso para cães a partir de sete semanas e de gatos após a décima semana. “Temos o melhor custo-benefício do mercado. Sabemos que os tutores podem reclamar do valor investido inicialmente, mas, dividido por oito – período de atuação – nenhum produto do mercado tem valor compatível”, insere.

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Responsável pela distribuição dos produtos Bayer na região metropolitana de Campinas, André Angelon, da Medpet, também exaltou a relevância do tema. “Identificamos uma grande necessidade de falar sobre o assunto, visto o potencial da cidade”, indica o profissional que adiciona a isso a linha dos produtores Bayer que contempla, globalmente, o único produto preventivo para gatos. De acordo com ele, a receptividade do público foi satisfatória e, devido à procura e presença, há planos para novas edições do encontro, promovendo educação continuada.

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