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Mudanças climáticas se apresentam como desafio para a Saúde Única

Demanda mundial para produção de alimentos de origem animal é mais um fator

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV, Brasília/DF) destaca como a Saúde Única, relação entre saúdes animal, humana e ambiental, ganha mais importância frente aos desafios do mundo atual e salienta a importância do médico-veterinário como protagonista nessa cadeia interdisciplinar. 

A Saúde Única é uma abordagem que considera como humanos e animais interagem ecologicamente em um ambiente, onde qualquer alteração nestas relações provocará desequilíbrios e, consequentemente, a propagação de doenças. A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) estima, por exemplo, que 60% de todos os patógenos que afetam os humanos são zoonoses, isto é, doenças infecto-contagiosas que podem ser transmitidas dos animais para os seres humanos. 

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Mundo globalizado evidencia importância do
médico-veterinário (Foto: reprodução)

O médico-veterinário Fred Monteiro explica como o conceito de uma única saúde ganha importância conforme as recentes mudanças globais ameaçam o delicado equilíbrio dos três pilares que sustentam a saúde. “Com a globalização e a intensificação do comércio internacional, barreiras físicas deixaram de ser prevenção de doenças”, ressalta Monteiro, que é integrante da Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária (CNSPV/CFMV). 

Monteiro aponta, ainda, outras questões que evidenciam a importância do médico-veterinário na abordagem da Saúde Única, como o aumento da demanda mundial para produção de alimentos de origem animal e os efeitos das mudanças climáticas sobre a relação entre o ambiente, humanos e animais. “O aumento da temperatura global elevou a área de dispersão de vetores, transmitindo doença para áreas onde antes não existia. De igual forma, El Niño, provoca seca em algumas regiões e cheia em outras, consequentemente aumentando o número de caso de diversos agravos. Médicos-veterinários devem ficar atentos para o impacto dessas mudanças”, descreve Monteiro. 

Os resultados dessas alterações na saúde podem ser observados, por exemplo, na representatividade das zoonoses entre as doenças que têm afetado a humanidade nos últimos anos: segundo a OIE, quase 75% de todas as doenças infecciosas emergentes que afetam os humanos nas últimas três décadas tiveram origem em animais. 

O quadro é ainda mais grave quando se considera a resistência a antimicrobianos, vista como uma ameaça à saúde pública global pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A entidade estima que até em 2050, a resistência a antimicrobianos matará mais de 10 milhões de pessoas, superando as mortes por câncer. “Na Medicina Veterinária, o uso de antibióticos não é apenas como uma prática terapêutica e profilática, mas, também, como promotor de crescimento e metafilática. Assim, veterinários são considerados atores principais no uso racional de antibióticos, uma vez que bactérias resistentes podem ser transmitidas a humanos por alimentos de origem animal”, ressalta Monteiro. 

Confira vídeo explicativo sobre Saúde Única:

Fonte: AI, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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