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Alimentação personalizada da Royal Canin pode ser trazida ao Brasil

Modelo nutricional está sendo testado pela marca na Alemanha

A Royal Canin anunciou a possibilidade de trazer ao Brasil o serviço de alimentação personalizada para cães e gatos. A marca, que completou 50 anos, já vem testando o modelo na Alemanha. Ideia é de que produto esteja no País dentro de cinco anos.

Ao decorrer deste meio século, a companhia passou por diversas mudanças. O presidente da Royal Canin do Brasil, John Van Wyk, falou sobre a trajetória da empresa, suas estratégias de comunicação e a importância do contato humano com os animais de estimação. "Não somos favoráveis a tratar e ver os animais como seres humanos porque eles não são. Cães e gatos devem ser cuidados como cães e gatos e alimentados como tais", afirma.

Com a proposta de oferecer nutrição para felinos com problemas de digestão, a marca surgiu em 1968, na França. O profissional, que está na empresa desde 2000, afirma que muitas coisas mudaram e outras continuam iguais. “Nossa premissa de manter a qualidade dos alimentos para os animais permanece”, salienta.

Segundo John, a exigência de inovação se torna maior conforme o tempo passa e o próximo passo neste sentido, de acordo com ele, é individualizar a alimentação dos pets para necessidades, realmente, específicas. Exemplificando, o presidente expõe a existência de um projeto piloto na Alemanha para venda de alimentos personalizados de acordo com a necessidade do pet. 

“Quando o tutor levar o pet ao veterinário, por exemplo, e receber o diagnóstico de alguma doença ou deficiência nutricional, terá a opção de entrar no site da Royal Canin e comprar uma ração específica que supra as necessidades do animal. Nós enviaremos o produto etiquetado com o nome do animal na residência da pessoa. Essa é a nova geração do nosso business e vai se tornar realidade em breve no mundo. No Brasil, em cinco anos já estará em funcionamento”, comenta o gestor.

Desenvolvimento. Sobre a produção dos alimentos, John conta que a primeira ração específica para raças foi criada em 1999 para gatos persa, devido a sua característica. “Porque eles têm a cara achatada, costumam ter dificuldades para pegar os grãos no pote”, pontua. Outro exemplo citado por ele, são os cachorros dachshund (salsichas) que têm coluna longa e pernas curtas.

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"O impacto dos animais de estimação na vida do ser humano
não é verificado apenas em casa,  mas na sociedade
como um todo", diz Wyk (Foto: reprodução)

“No caso deles, vendemos uma ração que ajuda no controle de peso e de tártaro. A pesquisa para este tipo de produto leva cerca de dois anos e exige uma equipe qualificada de criadores e veterinários. A gente tem de conhecer bem a raça para poder oferecer um produto específico para ela. No Brasil, há opções de alimentos para 18 raças diferentes de cachorros e gatos”, conta John.

As mudanças vem baseadas na demanda do mercado. Um dos pontos é o comportamento do tutor junto aos pets que vem sendo cada vez mais próximo. De acordo com John, isso, no entanto, é separado pela marca. “Nossas propagandas são sempre de produtos ou teorias com comprovação científica. Uma imagem de gato com chapéu e óculos escuros, por exemplo, nunca será estampada em nossas campanhas. Não somos favoráveis a tratar e ver os animais como seres humanos porque eles não são”, enfatiza.

Ainda sobre a temática, John explica que as pesquisas iniciaram há aproximadamente cinco anos com os consumidores. “Antes disso, só falávamos com veterinários, criadores e donos de petshops. Nossa estratégia de comunicação antiga era utilizar o prescrito para promover e indicar nossos produtos”, conta.

Neste ponto, a marca reforça a melhora a comunicação com nosso público, tanto prescritores quanto consumidores finais. No Brasil, por conta da recente crise, vimos pessoas comprando rações mais baratas porque não tiveram mais condições de manter o padrão que tinham anteriormente. Esperamos que, conforme o país se recupere, esse público volte a consumir o padrão super premium, no qual nossa marca se encaixa.

Outro hábito que abre espaço para crescimento deste mercado, segundo John, é o fato de que 58% da população brasileira alimenta os pets com restos de comida. “Basta que a gente eduque esses consumidores sobre os benefícios de alimentação saudável para os animais. E isso será feito por campanhas digitais, afinal os brasileiros são grandes consumidores de redes sociais”, explica.

“Para nós, eles são uma oportunidade para nós fazermos uma conversão. As pessoas estão cada vez mais ocupadas. Por que não oferecer aos pets uma opção de ração industrializada, mas balanceada e saudável? O problema de cozinhar para seu cachorro e seu gato é se render ao desejo de oferecer ao animal o que ele gosta, mas não é saudável, como tempero e gordura. Na maioria das vezes, quando o criador prepara um prato para seu pet, ele se sente culpado por não achar a comida apetitosa o suficiente”, elucida John.

Em relação a marca, o presidente salienta que a Mars é líder em cuidados com animais no mundo e tem marcas para todos os tipos de necessidades. A Royal Canin é a marca líder no mundo do grupo; Pedigree e Wiskas são populares e vendidas majoritariamente em supermercados. Vale destacar que, no Brasil, lojas especializadas em pets representam 70% das vendas de alimentação para animais de estimação.

Tendências. O presidente explica sobre o uso de transgênicos salientando que não é possível garantir que esses alimentos não façam parte da matéria-prima. “Isso faz parte de nosso fundamento: se não podemos assegurar com 100% de certeza, preferirmos não negar”, aponta.

Sobre a relação pet friendly, John conta que na Austrália, sempre foi comum a presença dos pets em escritórios. “É fantástico o que eles fazem com o ambiente de trabalho. Eles nos acalmam, nos divertem e promovem a interação da equipe. Se temos animais saudáveis, temos comunidades saudáveis”, comenta.

Fonte: Estadão, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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