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Alta procura aumentou problemas de saúde em labradores marrons

Estudo mostra que expectativa de vida desses animais caiu 10%

Os labradores de pelagem chocolate apresentam uma expectativa de vida 10% menor que os animais da mesma raça de outras cores. A pesquisa responsável por esse apontamento também revela que essa especificação eleva as chances do cão ter algumas doenças.

Entre os problemas de saúde aos quais o animal está mais propenso, estão infecções nas orelhas e na pele, além de condições nas articulações. Uma explicação para essas ocorrências, segundo o estudo pulicado na Canine Genetics and Epidemiology, seria a demanda por esse animal que ocasiona um efeito gargalo.

Um exemplo disso é a dermatite piotraumática que foi observada em 4% dos labradores cor de chocolate, em comparação com 1,1% nos labradores pretos e 1,6% nos labradores amarelos. Infecções de ouvido do tipo otite externa foram observadas em 23,4% dos labradores cor de chocolate, em comparação com 12,8% e 17% nos labradores pretos e amarelos, respectivamente.

O gene da cor de chocolate, diferentemente dos genes das cores preta e amarela, é recessivo nos labradores, o que significa que tanto a mãe quanto o pai tem que ser cor de chocolate para produzir a característica nos filhotes. Isso reduz drasticamente o pool genético, levando à perda de diversidade genética e ao surgimento de efeitos de gargalo.

O labrador é uma das raças mais populares entre brasileiros e norte-americanos, fator que aumenta a busca. Os autores do novo estudo, liderado por Paul McGreevy, da Royal Veterinary College (Londres), suspeitam que essa seja a razão pela qual os labradores cor de chocolate são menos saudáveis. Isso ocorre porque o pool genético limitado para labradores cor de chocolate, resulta na proliferação de genes responsáveis por infecções na orelha e na pele, entre outros problemas de saúde.

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Para reverter o quadro, os pesquisadores afirmam que labradores
de outras partes do mundo podem ser introduzidos para diversificar o pool genético (Foto: reprodução)

Como foi feito. Os dados utilizados foram coletados por meio do Programa VetCompass, que reúne dados eletrônicos de pacientes cães levados a veterinários no Reino Unido. No total, foram analisados dados de 33.320 labradores, dos quais uma amostra aleatória de 2.074 foi selecionada para avaliar problemas de saúde e mortalidade.

Entre os animais estudados, 44,6% tinham pelagem preta, 27,8% eram amarelos e 23,8%, cor de chocolate. Os resultados podem ser limitados, já que o estudo avaliou labradores apenas do Reino Unido. Em relação ao tempo médio de vida, o estudo constatou que 12,1 anos, mas os labradores cor de chocolate tiveram uma vida útil 10% menor do que os labradores pretos ou amarelos, normalmente vivendo em torno de 10,7 anos.

As causas mais comuns de morte foram distúrbios musculoesqueléticos e câncer. “Labradores são, frequentemente, de porte grande, com uma tendência a comer além de suas necessidades fisiológicas, talvez por causa de um (gene que esteja faltando) e, portanto, são mais propensos a desenvolver obesidade, traço que contribui para manifestações clínicas de problemas ortopédicos, principalmente displasia de cotovelo e de quadril”, escrevem os autores do estudo.

Além das questões genéticas e de demanda, as práticas de criação também podem ser responsáveis pelos problemas de saúde observados. Os pesquisadores pontuam que uma análise parecida deve ser feita em pugs e em cavaliers king charles spaniel, já que essas raças também são favorecidas de acordo com a cor de sua pelagem.

Fonte: Gizmodo, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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