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Animais resgatados de circo tentam superar sequelas no Zoo de Brasília

Saúde, bem-estar e comportamento destes bichos foram abalados

O elefante Chocolate, o rinoceronte Thor e o hipopótamo fêmea Iully são alguns dos animais que foram retirados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama, Brasília/DF), das atividades ilegais em circos, e se encontram no Zoológico de Brasília, livre de maus-tratos. No entanto, mesmo após mais de 10 anos, as experiências vividas por trás das lonas ainda são perceptíveis. Marcas físicas e comportamentais ainda fazem parte do dia a dia destes animais. 

O hipopótamo fêmea Iully, por exemplo, precisa ficar separada das outras três fêmeas do zoológico. Arisca, ela mantém apenas o contato visual com Catarina, Bárbara e Chumbinha, o que, segundo o chefe dos mamíferos do Zoológico de Brasília, Filipe Reis, não é comum da espécie, acostumada a viver em grandes grupos. “Essa agressividade pode ser reflexo das agressões vividas no circo”, diz. Iully vivia em um tanque pequeno, no qual era impossibilitada de girar 180 graus. “Ela praticamente só nadava nas próprias fezes e chegou subnutrida. Toda essa limitação de espaço e alimentação pode ser o motivo pelo qual ela é a menor dos hipopótamos fêmeas”, observa Reis. 

A memória de elefante não deixa Chocolate esquecer a dança que aprendeu para fazer as apresentações. Volta e meia é possível flagrá-lo arrastando as patas para frente e para trás, repetidas vezes. O que pode parecer inofensivo, na verdade, reflete um treinamento baseado em punições. “É comum utilizarem o bulllhook, uma espécie de gancho afiado, que machuca o bicho. Ou, então, o colocam em um piso quente, obrigando-o a levantar as patas para não se queimar. Ao associar a dor a uma música, o animal acaba aprendendo e, no palco, só de ouvir a canção, reproduz a dança”, explica o profissional. 

Apesar do comportamento ser cada vez mais raro, os cuidadores acreditam que não será possível eliminá-lo. Além disso, Chocolate chegou ao local magro, sem o marfim — espécie de dentes externos dos elefantes — e com vários abscessos. As feridas ainda aparecem com frequência e requerem atenção especial dos veterinários. 

Assim como Chocolate, o rinoceronte Thor chegou doente. Uma espécie de conjuntivite crônica tomava conta de um dos olhos do animal, causando muita dor e incômodo. Além disso, estava com o escore corporal de 1,5. O índice, que varia de 1 a 5, mede o quanto o animal está magro ou gordo, sendo que o ideal é 2,5. Atualmente, Thor ainda precisa de constantes cuidados para tratar os olhos, já que não há cura para a doença. Com alimentação e exercícios necessários, o rinoceronte atingiu o peso ideal. 

Na mesma apreensão, uma lhama também acabou ficando no Zoológico de Brasília. Ela chegou com uma ferida aberta no ventre, que, mesmo depois de quatro anos sendo tratada, nunca se fechou. O mamífero acabou morrendo em decorrência da ferida. Quem também fez parte do grupo de animais resgatados de circos foi o leão Dengo. Ele foi transferido do Zoológico de Niterói (RJ), em 2011 e tinha Aids felina e artrose. Morreu aos 16 anos, em decorrência das doenças, cinco anos depois de ser transferido para a capital. 

Para quem presenciou a condição em que esses animais chegavam, o sentimento é de desespero. A atual diretora de Medicina Veterinária, Betânia Pereira, que, na época, acompanhou a chegada dos animais do Le Cirque, afirma que a preparação para recebê-los parecia uma ‘operação de guerra’. “Nenhum zoológico estava preparado para isso. Foram construídos recintos de emergência e mudaram técnicos de setor. É entristecedor ver animais apáticos, muito magros, totalmente debilitados e desnutridos. Só para se ter uma ideia, os elefantes bebiam a própria urina. Nas fezes dos animais foram encontrados plásticos e casacos. Vê-los sendo cuidados e nutridos da maneira correta é o que nos consola”, declara. 

Fonte: Correio Braziliense, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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