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Anvisa autoriza uso de anestésicos para grandes animais selvagens

Opióides já são utilizados veterinários nos EUA, o Japão e diversas nações da Europa

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o uso veterinário das substâncias carfentanil e etorfina, anestésicos potentes utilizados no manejo de animais selvagens de grande porte. A iniciativa atende uma demanda antiga do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), que, desde 2012, solicita à agência a inclusão desses hipnoanalgésicos na lista de substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial no País, aprovada pela Portaria SVS/MS nº 344/1998

Após oito anos do pleito, a Anvisa publicou a Resolução RDC nº 337, de 11 de fevereiro 2020 e regulamentou no Brasil o uso desses dois opióides (lista F1, adendo 3), que já são amplamente aproveitados por médicos-veterinários de países como os Estados Unidos, o Japão e diversas nações da Europa, que lidam com grandes espécies em zoológicos, como elefantes, girafas e rinocerontes. 

A norma da Anvisa admite o uso veterinário das substâncias desde que devidamente autorizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e atendidos os demais requisitos de controle estabelecidos pelas legislações vigentes. A etorfina já era admitida pelo Mapa desde 2012 (IN 25) e a carfentanil desde 2017 (IN 35). “É uma grande conquista do Sistema CFMV/CRMVs para os veterinários que atuam em zoológicos e precisam anestesiar para procedimentos cirúrgicos animais megavertebrados, como hipopótamos, ou, em casos extremos, como o de fuga, ter condições de anestesiar rapidamente um elefante. Também pode ser uma alternativa para eutanasiar baleias nas situações de encalhe, quando não há possibilidade de resgate e os exames clínicos constatam que o animal está em sofrimento, sempre respeitando o que preconiza a Resolução CFMV nº 1000/2012”, avalia o assessor técnico do CFMV, Fernando Zacchi, que participa do grupo técnico de controlados, uma subcomissão da Câmara Pet do Mapa. 

Como médico-veterinário que atuou diretamente com animais selvagens durante sua experiência clínica profissional, Zacchi adverte: “São drogas muito potentes e exigem um extremo cuidado no manuseio, só podendo ser utilizadas por profissionais treinados. A aplicação acidental em uma pessoa pode matar”. 

Fonte: CRMV-SP, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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