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Atenção sobre câncer de próstata deve se estender aos cães e gatos

Profissional comenta causas da enfermidade e métodos terapêutico nos pets

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

O cão é um dos únicos animais que, assim como o homem, desenvolvem aumento prostático benigno e câncer prostático de forma espontânea, por conta da desregulação hormonal. Portanto, campanhas de prevenção e diagnóstico precoce, como a “Novembro Azul”, são muito importantes para que seja possível ter uma abordagem mais correta das afecções. O diagnóstico precoce deste problema pode implicar no aumento da sobrevida dos animais e na expectativa de cura para a doença.

Conforme explica a professora e coordenadora do curso de Medicina Veterinária, da Universidade Positivo (UP), Thaís Andrade Costa Casagrande, a próstata é uma glândula acessória que auxilia na reprodução dos animais e os machos não castrados possuem maior risco de desenvolvimento de doenças prostáticas. “As principais enfermidades são: hiperplasia prostática benigna (HPB), prostatite bacteriana, abcesso prostático, cisto prostático e câncer de próstata. A partir de 8 anos de idade, os machos têm 80% de chance de apresentarem hiperplasia prostática benigna. Diferente do caso dos homens, a doença no pet traz um risco menor em relação ao desenvolvimento de tumores malignos, mas compromete sua qualidade de vida e bem-estar”, desvenda.

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90% das enfermidades prostáticas seriam evitadas se os pets
fossem castrados no primeiro ano de vida (Foto: reprodução)

Segundo a profissional, existe maior predisposição de animais idosos e não castrados de desenvolverem a HPB, que pode ser fator inicial do desenvolvimento de outras afecções da próstata. “Além da idade, os animais de grande porte também são mais acometidos pela HPB. Dentre as neoplasias de próstata, o adenocarcinoma é o mais incidente, sendo a que a média de idade é entre 8 e 11 anos. Vale destacar que não há predisposição racial para esses tumores”, revela.

Esterilização como ferramenta preventiva. A castração, como defende Thaís, é a forma mais eficaz de tentar evitar todas as doenças na próstata. Segundo ela, mais de 90% das enfermidades prostáticas seriam evitadas durante a vida dos cães e gatos se os mesmos fossem castrados no primeiro ano de vida. “A castração pediátrica pode ajudar na prevenção da doença. Quando o pet é castrado antes dos 8 meses de vida, há menor desenvolvimento do tecido prostático devido à ausência da produção de testosterona, que inibe o crescimento do tecido. Esse procedimento não causa nenhum dano à saúde do paciente, já que a única função da próstata é o apoio nutricional aos espermatozoides”, assegura. 

No entanto, a castração muito precoce tem suas desvantagens, como destacado pela professora: “Pode haver um mau desenvolvimento do pênis, onde o animal fica com um órgão infantilizado, que pode levar a problemas futuros, como obstrução urinária, mau desenvolvimento de musculatura corporal e problemas de locomoção”, enumera. Se a castração acontece na idade adulta, ou seja, quando o animal tem já tem a próstata no tamanho normal ou aumentada, Thaís conta que ela tende a diminuir 3/4 do tamanho normal dentro de alguns meses. 

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Doenças prostáticas podem apresentar alguns sinais clínicos
importantes, principalmente acionados com o aumento da
glândula (Foto: reprodução)

Opções terapêuticas. A terapia irá depender de que tipo de doença se trata, porém, de acordo com a veterinária, para todas elas a castração é a primeira recomendação, pois reduzirá o estímulo hormonal e o tamanho da próstata. “Se for a HPB, a castração normalmente já resolve sozinha o problema. Se for um cisto ou um abcesso prostático, o animal também terá que passar por um procedimento cirúrgico para drenagem do conteúdo e receber tratamento com antibiótico. Caso seja uma prostatite, o animal terá que ser tratado com antibiótico por um longo período. Já no caso de câncer de próstata, o animal terá que ser submetido a uma cirurgia para retirada da próstata de forma parcial ou total e, após exames histopatológicos, pode ser recomendado uma quimioterapia adicional ao tratamento”, descreve. 

Thaís ainda adiciona que, quando o problema for o câncer, existe maior chance de cura se for diagnosticado de forma precoce, em que a retirada cirúrgica possa ser mais eficiente. “Se houver demora na retirada do tumor ou no diagnóstico, pode haver muito comprometimento de outros órgãos adjacentes, como uretra, linfonodos, bexiga urinária e reto, ficando mais difícil o tratamento e a retirada completa da neoplasia”, alerta. 

As doenças prostáticas podem apresentar alguns sinais clínicos importantes, segundo a docente, principalmente acionados com o aumento da glândula. “Podem causar obstrução uretral parcial ou total, levando a dificuldades para urinar (urina em pingos e não em jatos, sangue na urina ou prepúcio, dor, bexiga urinária repleta); também podem levar a dificuldade para defecar, pela compressão do reto (fezes achatadas e dificuldade para defecar, além de formação de grande volume em região perineal). O aumento de volume ainda pode levar a compressão de nervos, que podem provocar alterações de locomoção e dores”, salienta. 

E os males não param por aí: Thaís inclui que os tumores também podem invadir a bexiga e a musculatura pélvica, além dos linfonodos, e podem ocorrer metástases. “A infecção da próstata pode levar a quadros de febre, dor, sepse, principalmente se houver ruptura de abcessos. O quadro de aumento de volume crônico, pela HPB, por sua vez, pode levar às alterações urinárias e fecais, além de formação de hérnias perineais”, explana. 

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O cão tem sido utilizado como modelo experimental na
Medicina, contribuindo para avanços na área da urologia
humana (Foto: reprodução)

Novos achados. O cão desenvolve espontaneamente a hiperplasia prostática e o adenocarcinoma prostático, com características similares às observadas em humanos, como já mencionado pela profissional. No entanto, nos animais, as neoplasias são mais agressivas e invasivas. “Desta forma, o cão tem sido utilizado, extensivamente, como modelo experimental na Medicina, contribuindo para avanços na área da urologia humana, principalmente para os casos de tumores independentes de andrógenos (que são os hormônios masculinos, como a testosterona)”, evidencia. 

Outro progresso está na inovação do tratamento das afecções prostáticas, principalmente no âmbito das neoplasias. “Hoje, tem sido utilizada a biologia molecular. A compreensão das vias celulares e dos métodos de bloqueio dessas vias pode levar a novas propostas de tratamentos e, também, de possibilidades de diagnósticos mais precoces”, analisa. 

A descoberta inicial de todas essas possíveis alterações, na visão de Thaís, é muito importante para que algo possa ser feito antes que ocorram complicações maiores e ela garante maior possibilidade de sucesso no tratamento. “A identificação das enfermidades prostáticas é realizada por meio de palpação retal, ultrassom abdominal e pode ser necessária uma biopsia prostática para diagnóstico”, finaliza.

Neste mes, a equipe da Ciasulli Editores, editora responsável pela Revista Cães&Gatos VET FOOD, está toda de azul:

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