Assine

Bom manejo alimentar garante saúde e vida longa aos pets exóticos

Animais silvestres exigem bastante atenção e dedicação de seus tutores

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Dentre tantos aspectos que diferenciam a medicina dos cães e gatos da medicina dos animais silvestres e exóticos, a nutrição é o pilar mais importante. Um manejo nutricional adequado amplia o bem-estar e garante uma vida saudável a estes animais. Por isso, neste Dia Nacional da Saúde e Nutrição, os tutores de pets não convencionais devem ser bem orientados para não cometerem nenhum equívoco e acabar prejudicando seus bichos.

O médico-veterinário proprietário da Vitta Clínica Veterinária (Taubaté/SP) e atuante na medicina de animais não convencionais, Lucas Amaral, comenta que a maioria das doenças que os profissionais lidam na clínica destes animais é totalmente relacionada ao erro de manejo, principalmente o alimentar. “Vejo como principais fatores da alimentação inadequada a falta de estudo da espécie antes de ser adquirido, vendedores sem preparo para orientações de manejo e, principalmente, cultura popular”, enumera.

tartaruga_1
Alimentação deve ser preparada diariamente e, quando a
espécie exigir, não apenas com rações, mas com uma variedade
de verduras e frutas (Foto: reprodução)

Contradizendo, exatamente, este “achismo” cultural, o profissional afirma que semente de girassol não é o alimento adequado para papagaios, assim como canários não devem se alimentar apenas de alpiste, coelhos não podem comer cenoura todos os dias e jabutis não devem ser alimentados exclusivamente com alface e tomate. “Quando, em uma consulta, tocamos em um destes pontos, ou em muitos outros que rodeiam a cultura popular sobre estes animais, vemos, muitas vezes, cara de espanto dos tutores pois tinham ‘certeza’ que alimentavam da forma correta seus pets e jamais haviam imaginado que aquela dieta poderia causar uma doença séria, podendo levar, até mesmo, o animal ao óbito”, conta.

Rotina na clínica. Um bom exemplo que é possível mencionar, segundo Amaral, sobre um erro grave de manejo alimentar é o hiperparatireoidismo secundário nutricional nos répteis. “Uma doença com um nome estranho e que pode atingir qualquer espécie, mas que é de grande importância para a maioria dos répteis mantidos como pets. Ela se estabelece com o fornecimento de uma dieta pobre em cálcio, com desequilíbrio entre cálcio e fósforo (Ca/P) ou, até mesmo, pela falta de luz solar ou lâmpadas específicas no recinto”, revela.

ovos jabuti
Amaral comandando uma cirugia para retirada do prolapso
e, também, de ovos de uma jabuti. Uma das causas foi
alimentação inadequada (Foto: divulgação)

O veterinário explica que o cálcio é um mineral fundamental para a formação da casca do ovo, para a contração muscular no momento da postura, na mineralização óssea, principalmente de animais em crescimento, transmissão de impulsos nervosos, contração muscular, coagulação sanguínea e ativação de sistemas enzimáticos. “Pensando em todas as funções do cálcio no organismo, um processo de hipocalcemia prolongado pode ser extremamente nocivo ao animal. Vários problemas podem ser observados neste quadro, como retenção de ovos, prolapso de cloaca ou oviduto, má formação óssea, fraturas patológicas, paralisia, aumento da silhueta cardíaca, ossos com aspecto de borracha (observados, principalmente, na mandíbula, chamado de ‘mandíbula de borracha’), etc.”, cita.

Causas. A hipocalcemia pode ser atingida de algumas maneiras, com comentado por Amaral. A principal delas é pela dieta com pouca concentração deste mineral. “Outra forma é pelo fornecimento de alimentos com desequilíbrio entre cálcio e fósforo e, ainda, pode ser atingida pela não exposição à radiação ultravioleta (UVB, principalmente) que é encontrada nos raios solares ou em lâmpadas específicas para répteis. Ou seja, trata-se de uma doença tão séria, com uma prevenção tão simples: estudar o manejo alimentar e ambiental adequado de pet. Esta situação, infelizmente, é muito comum na clínica das diversas espécies que atendemos”, compartilha.

Sendo assim, fica claro que alimentar e manter um animal silvestre em casa exige bastante atenção e dedicação do tutor, pois o ambiente em que vivem deve estar sempre de acordo com todas as suas necessidades. “Na maioria dos casos, a alimentação deve ser preparada diariamente, não apenas com rações, mas contando com uma variedade de verduras, frutas, feno, ovo, peixe, insetos, roedores, etc.”, orienta.

Portanto, Lucas Amaral reforça que, antes de adquirir um animal não convencional, o futuro tutor deve estudar bastante sobre a espécie para evitar problemas, principalmente sobre o que oferecer em sua dieta, já que o que mais prejudica a saúde destes bichos é o manejo alimentar. “Oriento essas pessoas a procurarem dicas em literaturas específicas, consultas com veterinários de confiança ou, até mesmo, com lojistas, que também são especialistas e gabaritados para sanar dúvidas. A busca por informações on-line deve ser deixada de lado, pois há muitas recomendações errôneas na internet”, finaliza.

Seja o primeiro a comentar
Seu comentário foi enviado. Aguarde aprovação.
Erro ao enviar o comentário. Por favor, preencha o captcha e tente novamente.