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Câncer de mama também deve ser prevenido em cadelas e gatas

Cães machos apresentam baixa incidência, mas alta malignidade para a doença

Cláudia Guimarães, em casa

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A saúde dos animais de companhia importa tanto quanto a nossa. Toda preocupação acerca de bem-estar, saudabilidade e longevidade que acercam nosso dia a dia devem se estender, também, aos cuidados com os pets. Portanto, a campanha Outubro Rosa, que conscientiza as pessoas sobre o câncer de mama, também deve ser estendida aos animais. Assim como nós, eles podem ser acometidos pela doença.

O médico-veterinário autônomo, pós-graduado e com residência em Oncologia, Carlos Eduardo Rocha, explica que o câncer de mama caracteriza se por um crescimento anormal e progressivo que acomete as estruturas das glândulas mamárias, sendo observado em mulheres assim como em fêmeas das espécies canina e felina. “Podem apresentar dois tipos de tumores: os benignos e os malignos. Esses últimos apresentam potencial de invadir outros tecidos, as chamadas metástases, que podem ocasionar a morte”, salienta.

O câncer de mama é considerado a neoplasia mais frequente em cadelas, conforme explica o profissional. Já os tumores de mama nas gatas são o terceiro tipo mais comum de neoplasia: mais de 80% destes tumores são malignos. “Felizmente, o Brasil conta com profissionais qualificados na área da oncologia e patologia capazes de avaliar, diagnosticar e oferecer um tratamento individualizado para cada paciente. Essa forma individualizada de terapêutica faz muita diferença quando falamos em sobrevida e em qualidade de vida”, garante.

Os tumores de mama nas gatas são o terceiro tipo
mais comum de neoplasia: mais de 80% destes
tumores são malignos (Foto: reprodução)

As chances de sucesso no tratamento da doença, segundo Rocha, dependem muito de um diagnóstico precoce e correto. “O acompanhamento de um especialista na área da oncologia veterinária quanto ao protocolo de tratamento e condutas terapêuticas faz a diferença na sobrevida do paciente”, argumenta o veterinário que lembra: “Não há predileção racial ou de espécie. Nossos pets estão sujeitos a desenvolverem o câncer de mama. A diferença se faz quanto ao comportamento das neoplasias malignas mamárias, que, em gatas, tendem a ser mais agressivas e apresentar um prognostico mais desfavorável”.

Conhecimento nunca é demais. O especialista chama atenção para os casos em animais machos. De acordo com ele, os tumores mamários em cães machos apresentam baixa incidência, mas alta malignidade. “A baixa casuística possibilita menor coleta de dados a respeito do comportamento biológico e características clínicas. Precisamos nos aprofundar mais nesse assunto”, pondera.

Por outro lado, Rocha defende que, por aqui, no Brasil, podemos nos orgulhar e muito, pois somos País onde o estudo das neoplasias mamárias em cadelas e gatas, ganha destaque mundial. “Posso citar como exemplo trabalhos desenvolvidos na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pelo Prof. Giovani Cassali, Profa Gleidice Lavalle e colaboradores, além dos trabalhos relevantes da Profa Alessandra Estrela Lima, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

A baixa casuística possibilita menor coleta de dados
a respeito do comportamento biológico e características
clínicas nos machos (Foto: reprodução)

Como comentado pelo profissional, o diagnóstico anátomo patológico tem sido cada vez mais detalhado em informações prognósticas e preditivas sobre as neoplasias mamárias. “Hoje, contamos, inclusive, com informes moleculares (expressão gênica) daquele câncer diagnosticado nas cadelas e gatas e, assim, podemos conduzir um tratamento específico e individualizado para cada paciente”, comemora.

Prevenção. De acordo com o veterinário, a castração precoce de cadelas, respeitando-se individualidades de cada animal, é a melhor maneira de evitar a doença. “A prática da castração antes do primeiro cio em cadelas não é recomendável. Há que se avaliar a raça, porte físico e individualidade de cada animal. Com relação às gatas, a castração precoce, antes mesmo do primeiro cio, pode reduzir em até 91% as chances de tumores mamários”, revela.

Mas há outros fatores, como o nutricional, que devem, também, serem levados em consideração. “A obesidade em fêmeas jovens é fator que pode ser determinante no desenvolvimento de neoplasias mamárias. A campanha Outubro Rosa, acima de tudo, difunde essas informações aos tutores e profissionais. Existe uma correlação acerca do comportamento biológico em tumores mamários em mulheres e cadelas /gatas. Poder conscientizar os tutores da importância do exame periódico das mamas, do diagnóstico precoce, tendo o acompanhamento e orientação do oncologista veterinário, faz todo a diferença”, opina.

Rocha ainda cita que é constatado que muitos tutores não possuem informações adequadas e   suficientes a respeito de tumores mamários em cadelas e gatas. “A boa parcela desse universo de tutores ainda demonstra desconhecimento da existência, causa e profilaxia da enfermidade.   Médicos-veterinários, instituições de ensino de Medicina Veterinária, órgãos de classe, sociedades protetoras e gestores públicos devem investir em campanhas educativas de posse responsável para diminuir a morbidade e mortalidade da enfermidade em cadelas. A Campanha Outubro Rosa Pet cumpre esse papel”, finaliza.

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