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Castração: Tutor deve se atentar a preços abaixo da média de mercado

Algumas clínicas podem utilizar apenas uma sedação fraca, de forma que o animal sinta dor

Cláudia Guimarães, em casa

claudia@ciasullieditores.com.br

Toda cirurgia preocupa os tutores e bate a dúvida ‘será que o animal ficará bem?’. Com a castração não é diferente, já que, apesar de ser, justamente, para evitar doenças, ainda se trata de um procedimento cirúrgico. Para minimizar os riscos, os tutores devem escolher uma clínica e um veterinário de confiança, em quem acredite que fará o atendimento da melhor maneira possível.

É preciso estar alerta, principalmente em relação aos estabelecimentos e profissionais que cobram um preço muito abaixo da média, já que isso pode indicar que os animais estão sendo apenas sedados para a cirurgia e não totalmente anestesiados. De acordo com o médico-veterinário pós-graduando em Patologia Clínica e Citopatologia Veterinária, pela Anclivepa, Victor Centurion Hilst, a anestesia, por definição, é a suspensão geral ou parcial da sensibilidade, enquanto a sedação é a aplicação de um sedativo que visa apenas aliviar a sensação física. “Portanto, para a castração deve ser realizada uma sedação por meio de uma ou mais substâncias farmacológicas para alcançar a anestesia geral do animal”, destaca.

Pets que passam por uma experiência traumática, como
uma cirurgia onde sentiu dor, podem se tornar mais
acuados e/ou agressivos (Foto: reprodução)

O veterinário revela que, antes de qualquer anestesia geral, é utilizado um anestésico fraco para a preparação do paciente. “Somente após isso, são utilizados os fármacos mais potentes para induzir o paciente à anestesia geral. Existem as anestesias inalatórias e intravenosas e o objetivo de ambas é o mesmo: aplicar fármacos anestésicos no paciente (inalatória por meio do ar que o paciente respira e intravenosa aplicando, diretamente, o fármaco na veia pelo soro) durante toda cirurgia/procedimento a ser realizado”, explica.

Segundo o profissional, ambos os métodos são confiáveis e úteis para a realização de uma cirurgia, no entanto, a inalatória é mais empregada e considerada melhor por apresentar menos riscos e um tempo de recuperação, consideravelmente, menor (o paciente acorda da anestesia mais rápido).

De olhos bem abertos. Depois de todas essas explicações, o tutor do animal a ser castrado – ou de qualquer pet que seja submetido a outro tipo de cirurgia – deve estar atento aos locais que cobram um preço muito abaixo das outras clínicas, conforme destaca Hilst: “Isso porque somente o custo da anestesia é caro (incluindo equipamentos e fármacos utilizados), além de que, muito provavelmente, não são realizados os exames pré-anestésicos, correndo o risco de haver complicações que seriam evitadas ou controladas”, aponta.

Antes da castração, um bom clínico, na visão de Hilst,
deve solicitar exames pré-anestésicos (Foto: reprodução)

Esses problemas, segundo o veterinário, podem prejudicar a vida do paciente e, inclusive, levá-lo a óbito. “Também é possível que esses lugares realizem a cirurgia somente com a utilização do fármaco fraco, indicado para a preparação do paciente. Assim, o animal fica levemente imóvel para a cirurgia, mas não completamente sedado”, denuncia e complementa com o impacto que isso gera no pet: “Não é possível determinar o quanto de dor o paciente sente, mas, certamente, ele passará por sofrimento se a anestesia não for realizada corretamente”. Esses animais que passam por uma experiência traumática, de acordo com Hilst, podem, sim, se tornar mais acuados e/ou agressivos, assim como cães e gatos que sofreram maus-tratos.

Escolha certa. A recomendação do veterinário é que o tutor deve sempre procurar uma clínica bem estruturada e que possui os equipamentos necessários. “No momento de uma cirurgia, é preciso se atentar se o veterinário solicitará os exames necessários e se informar quanto ao tipo de anestesia que será utilizada (inalatória ou intravenosa).

Hilst aponta que, para a realização de uma cirurgia, mesmo que seja considerada simples, como a castração, são necessários diversos cuidados. “É preciso conhecer o histórico do paciente, doenças que ele possui ou não, além de um preparo para interferir, quando necessário. Por essas razões, é improvável que uma clínica que cobra muito barato realizará um procedimento adequado”, avalia. Entre as preparações para uma cirurgia, de acordo com o profissional, estão os fármacos utilizados, exames solicitados, aparelhos e infraestrutura adequados e, é claro, um clínico competente. “Este deverá seguir todas as normas éticas e profissionais que competem a um veterinário”, sublinha.

Antes da castração, um bom clínico, na visão de Hilst, deve solicitar exames pré-anestésicos (Hemograma, Bioquímicos e, se possível, Eletrocardiograma e Ecocardiograma) para avaliar o estado geral do paciente e possíveis complicações anestésicas. “Vale lembrar que animais cardiopatas (com doença cardíaca), hepatopatas (doenças hepáticas) e nefropatas (doenças renais) podem, sim, realizar uma cirurgia como a castração, contanto que o veterinário se atente à gravidade dessas doenças pré-existentes e de possíveis complicações que elas podem causar”, recomenda.

Quanto à escolha do fármaco utilizado, Hilst declara que vai depender dos resultados dos exames para avaliar doenças pré-existentes, pois existem medicamentos que podem piorar a situação de determinadas doenças.

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