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Castração x injeção anti-cio: qual a melhor forma de evitar ninhadas?

Esterilização continua sendo a melhor forma de evitar ninhadas e prevenir doenças

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

A castração é a forma mais segura de prevenção de vários problemas tanto nos machos quanto nas fêmeas e a história não é diferente quando o assunto é gestação indesejada em cadelas e gatas. Sem a esterilização nos animais, alguns tutores buscam outros meios para evitar uma ninhada, entre eles, a injeção anti-cio.

Segundo a médica-veterinária Nathaly Paiva Ituassú, os anticoncepcionais são extremamente prejudiciais à saúde de cadelas e gatas. “Muitas pessoas acreditam que elas são eficazes como em humanos, mas não são”, comenta.

O que facilita o acesso dos tutores a esses fármacos é que são vendidos sem a prescrição de um médico-veterinário. “Ainda acredito que, para muitas medicações, deveriam ser exigidas prescrições, pois temos inúmeros casos de erros de medicamento por serem ofertados pelos balconistas de petshop”, opina.

No caso das injeções anti-cio, Nathaly conta que um dos agentes dos anticoncepcionais para os cães é um hormônio chamado progesterona e o uso deles pode causar tumores de mama e infecções uterinas. “Por isso, sempre oriento meus pacientes a realizarem a esterilização tanto em machos quanto em fêmeas. Minha indicação sempre será a castração”, atesta.

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Injeção para cães possui o hormônio progesterona, que pode causar
tumores de mama e infecções uterinas (Foto: reprodução)

As orientações também devem ser repassadas, pelos veterinários, às ONGs, embora muitas delas, de acordo com Nathaly, já utilizem a castração como forma de controle populacional. “Muitos deles são parceiros de clínicas veterinárias que fazem valores mais acessíveis para poder realizar a castração ou, até mesmo, levam em mutirões quando a prefeitura os realiza. O que vemos são tutores que preferem o mais barato e mais fácil, como as injeções, do que levar o pet a um veterinário para que o oriente e indique a castração”, observa.

Desinformações. Sobre comentários que, algumas vezes, podem sair da boca de tutores, como por exemplo “não castro minha cadela, porque ela tem direito a gerar filhos”, na visão de Nathaly, são descabidos e sem fundamentação técnica. “Animais não têm necessidade fisiológica de reprodução e acasalamento. Eles são estimulados por feromônios que levam os machos a se sentirem atraídos pelas fêmeas e, assim, acasalam”, explica.

Portanto, sem desculpas, castrar um animal está dentro dos itens básicos da guarda responsável, como dito pela profissional. “A posse com responsabilidade engloba diminuir riscos à saúde do pet e isso se caracteriza por manter vacinas em dia, protocolo de controle de ectoparasitas e endoparasitas, alimentação adequada e de boa qualidade e a castração a fim de evitar tumores de mama, infecções uterinas, aumento de próstata e tumor de testículos em machos”, enumera.

Ela compartilha que é muito triste lidar, na rotina da clínica, com amimais que possuem tumores enormes: “Muitas vezes, estão ulcerados, com piometra severa porque não foram castrados. Além disso, também pegamos animais com tumorações gigantescas, com processos graves de infecções, pelo uso de anticoncepcionais. Há um tempo, recebemos uma gata que não conseguia se mover por conta das tumorações e, infelizmente, faleceu, pois seu quadro era extremamente agressivo. Então, antes de pensar em ter um animal, devemos ter a consciência de que eles são seres vivos e que dependem de nós para tudo. Nem sempre o mais fácil e barato será o melhor para aquele que, indiscutivelmente, tem a certeza de que o tutor é tudo para ele”, finaliza.

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