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Com 40 anos, Projeto Tamar soma 40 milhões de tartarugas soltas

Celebrações de aniversário se estenderão ao longo de 2020

Apenas uma em cada mil tartarugas marinhas chegam à fase madura, que se inicia por volta dos 30 anos. Por esta razão, a sobrevivência das espécies depende da sua capacidade de conseguir gerar um volume grande de novas vidas a cada ano. Elas contam com um aliado abnegado desde 1980: anunciando o robusto número de 40 milhões de tartarugas protegidas, o Projeto Tamar deu início às celebrações de seus 40 anos, que contará com diversos eventos ao longo de 2020.  

As primeiras atividades acontecem na Praia do Forte, em Mata de São João (BA), a cerca de 80 quilômetros de Salvador. No local, está a principal estrutura do Projeto Tamar no País. Foram soltos, aos olhos de dezenas de turistas e moradores locais, 101 tartarugas recém-nascidas. 

Por diversos fatores, elas não conseguiram deixar a ninhada rumo ao mar e corriam risco de vida. Após serem coletadas para identificação da espécie, puderam, finalmente, se encontrar com o oceano. 

Todo esse trabalho iniciado em 1980 teve origem em expedições realizadas por um grupo de estudantes de oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) em ilhas e arquipélagos como Abrolhos, Fernando de Noronha e Atol das Rocas. Quando presenciaram pescadores abatendo tartarugas, resolveram denunciar a situação para órgãos públicos. Na época, já havia um apelo internacional para que algo fosse feito em defesa desses animais.  

"Depois dessas expedições, tomou-se conhecimento de uma maior ocorrência das tartarugas na costa brasileira, porque nem os nossos professores sabiam. Todos os trabalhos acadêmicos naquela ocasião reportavam outros países. E daí foi pedido que o Brasil fizesse alguma coisa. Na Austrália, na Costa Rica, nos Estados Unidos já tinham iniciativas. E os animais são migratórios, vão de um lugar para o outro, o que demanda um trabalho integrado", diz a oceanógrafa e coordenadora de pesquisa e conservação do Projeto Tamar e uma das fundadoras da iniciativa, Neca Marcovaldi. 

Veio, então, o convite para que os estudantes da Furg fizessem um mapeamento das espécies que desovavam no Brasil e apontassem quais os principais problemas. Acumulando prêmios, o Projeto Tamar passou a ser reconhecido internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas experiências de conservação marinha. "Se antes era necessário transportar ninhadas de tartaruga para dentro das unidades, hoje basta colocar uma estaca informativa nos locais de desova que as comunidades estão conscientes da necessidade de preservar as áreas", diz o biólogo do projeto, Claudemar Santana, mais conhecido como Mazinho.  

A evolução do trabalho a partir de novas parcerias é uma busca constante. Uma das iniciativas atualmente em curso se dá com pesquisadores de engenharia e de sistemas eletrônicos da Universidade de São Paulo (USP). A proposta é usar a Internet das Coisas, ou simplesmente IoT na sigla em inglês (Internet of Things). Trata-se de novas aplicações que permitem o uso coordenado e inteligente de aparelhos variados para controlar diversas atividades. Em outras palavras, distintos equipamentos são conectados entre si e funcionam em rede.  

O projeto da USP, que ainda se encontra em estágio embrionário de desenvolvimento, pretende que coletores e transmissores de dados acoplados a algumas tartarugas se comuniquem entre si. A expectativa é de que o monitoramento ganhe em eficiência, permitindo que os sinais, sendo compartilhados pelos equipamentos carregados pelos animais, percorram longas distâncias e cheguem a uma central com consumo mínimo de energia. 

Fonte: Veja, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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