Assine

Com ou sem campanhas, animais devem ser vacinados contra a Raiva

Pesquisadora do Instituto Pasteur destaca a vacinação de pets como cuidado essencial

Cláudia Guimarães, em casa

claudia@ciasullieditores.com.br

Atingindo todos os mamíferos, incluindo os seres humanos, a Raiva é uma importante zoonose a ser combatida. A doença causada por um vírus afeta o sistema nervoso central e os sinais clínicos podem ser bastante variados. Além disso, o ponto mais importante: a enfermidade não tem cura, o que ocasiona na morte do animal. No dia 28 de setembro, acontece o Dia Mundial Contra a Raiva, quando os avanços no controle da doença são celebrados.

Conversamos com a médica-veterinária, Mestre e Doutora em Virologia Animal e Pesquisadora Científica do Instituto Pasteur de São Paulo, Helena Beatriz de Carvalho Ruthner Batista. A profissional revela que a Raiva é uma das doenças mais antigas que se tem conhecimento. “Por isso, alguns mitos podem surgir, mas a melhor forma de rebater inverdades é esclarecendo a população sobre as verdades em relação a esta doença muito importante em Saúde Pública”, pondera.

Mas, apesar de a Raiva ser uma doença tão antiga, como comentado por Helena, muitas lacunas ainda precisam ser preenchidas no conhecimento sobre a doença. “Um exemplo é a manutenção do vírus da Raiva na natureza e formas efetivas de controle para determinados ciclos epidemiológicos. Assim sendo, a efetiva vigilância epidemiológica, a pesquisa continuada e a educação em saúde são fundamentais para alcançar êxitos no controle da doença”, avalia.

Existem alguns órgãos públicos que oferecem vacinação
gratuita fora do período de campanha (Foto: reprodução)

Imunização dos animais. Conforme destacado pela veterinária, as vacinas são essenciais para prevenção da Raiva nos animais: “Portanto, é fundamental vacinar animais, principalmente os que estão expostos ao risco”, recomenda. No entanto, a Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo já divulgou a suspensão da campanha antirrábica de 2020. O adiamento tem como objetivo evitar aglomerações, respeitando as medidas de precaução devido à pandemia causada pelo coronavírus. A ação, que costuma ocorrer entre agosto e setembro, poderá ser reprogramada, dependendo do cenário epidemiológico nos próximos meses, segundo a pasta.

Sobre isso, a pesquisadora é incisiva: “Independente dos motivos que ocasionam atrasos ou a não realização das campanhas de vacinação, é importante entender que o animal de estimação é responsabilidade do tutor. Sendo assim, com ou sem campanhas de vacinação, os tutores devem vacinar seus animais contra a Raiva. Existem alguns órgãos públicos que oferecem vacinação gratuita fora do período de campanha e, além disso, os animais podem ser vacinados nas clínicas, com orientação do médico veterinário”, menciona e lembra os tutores apenas de optarem por vacinas de boa qualidade, em bom estado de conservação que devem sempre ser administradas sob orientação de um médico-veterinário.

Conhecendo a doença. Helena revela que a Raiva é mantida por diferentes ciclos epidemiológicos que podem, eventualmente, estar interrelacionados. “Esses diferentes ciclos envolvem manutenção do vírus da Raiva em diferentes espécies animais. Exemplo disso pode ser citado o ciclo rural da doença, que ocorre, principalmente, em bovinos e é mantido pelos morcegos hematófagos Desmodus rotundus. Outras espécies de morcegos são, também, responsáveis pela manutenção do ciclo aéreo da doença. Já o ciclo urbano da Raiva é mantido por cães domésticos, enquanto o ciclo silvestre terrestre tem os saguis e os canídeos silvestres como principais reservatórios do vírus, no Brasil”, aponta.

Tutores devem se atentar a vacinas em bom estado de
conservação e que sejam dministradas sob orientação de
um veterinário (Foto: reprodução)

Desta forma, segundo a especialista, mais importante do que, exatamente, quantificar o número de animais que morrem de Raiva no Brasil, é entender que o ciclo urbano da doença, que oferece maior risco aos seres humanos, está controlado na maioria das regiões do País. “Porém, como a Raiva pode ser mantida por diferentes espécies animais, inclusive pelas silvestres, há sempre o risco de transmissão, sendo fundamental mantermos os pets vacinados e ficarmos atentos para a ameaça de Raiva”, insere.

Na opinião da doutora, é fundamental que haja um dia de conscientização sobre a enfermidade, justamente para que seja possível avançar, cada vez mais, no controle da doença, evitando, assim, novos casos. “A educação em saúde precisa ser continuada para que as doenças não ‘caiam no esquecimento’, o que pode causar grandes prejuízos à Saúde Pública. Desta forma, todos devem celebrar os avanços obtidos no controle da Raiva ou, então, ajudar a expandir o conhecimento sobre esta importante zoonose. Assim, todos podem fazer a sua parte na conscientização”, encoraja.

Nos anos anteriores, o Instituto Pasteur de São Paulo, abriu as portas da instituição para falar sobre a Raiva de forma lúdica para adultos e crianças como uma forma de celebrar o Dia Mundial Contra a Raiva. Este ano, as atividades foram canceladas por conta da pandemia que estamos enfrentando e que também merece atenção.

Mas, ainda sobre a Raiva, Helena destaca: “É importante salientar que, ao ser agredido por qualquer animal, a primeira medida a ser adotada é lavar o ferimento com água e sabão e, imediatamente, procurar um posto de saúde. Cabe salientar, ainda, que não devemos alimentar ou entrar em contato com animais silvestres e, ao encontrar um morcego caído no chão, não devemos tocá-lo com as mãos”, orienta. Nestes casos, o ideal é entrar em contato com o serviço de saúde do município, como dito pela especialista, tendo a certeza de que, assim, estaremos ajudando a manter o controle da Raiva.

Seja o primeiro a comentar
Seu comentário foi enviado. Aguarde aprovação.
Erro ao enviar o comentário. Por favor, preencha o captcha e tente novamente.