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Como cães farejadores podem detectar pessoas infectadas por malária

Ideia é conseguir análises rápidas em um processo simples e barato

Cães farejadores estão sendo treinados para ajudar a diagnosticar malária em locais com dificuldade de acesso ao sistema de saúde, com bons índices de sucesso. A ideia, segundo os cientistas, é conseguir análises rápidas em um processo simples e barato - sem necessidade de exames de sangue. 

O trabalho foi apresentado no dia 29 de outubro, no congresso anual da Sociedade Americana de Medicina e Higiene Tropical, em Nova Orleans, nos Estados Unidos. "As principais vantagens desse método com cães é que os testes são rápidos, não requerem coleta de sangue e podem funcionar facilmente em áreas remotas", afirmou o entomologista Steve Lindsay, especialista em Saúde Pública, professor da Universidade de Durham (Inglaterra) e principal autor do trabalho. 

A pesquisa foi financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates, instituição filantrópica criada pelo fundador da Microsoft para fomentar projetos de melhoria à qualidade de vida, principalmente em soluções de saúde e combate à pobreza. 

Faro. A nova técnica ainda está em fase de estudos. "Mas, em princípio, demonstramos que os cães podem ser treinados para detectar pessoas infectadas com a malária pelo seu odor", diz Lindsay. 

Os cientistas acreditam que, com o método não invasivo de análise, seja possível diagnosticar um número maior de pessoas, ajudando, assim, a impedir a disseminação da malária e ampliando o tratamento precoce da doença. "Os cães são treinados com uma meia de uma criança com forte infecção por malária. Durante o treinamento, o animal é treinado a recuperar a meia e a tarefa, progressivamente, vai se tornando mais difícil, escondendo a peça da vista do cão. Gradualmente, os animais começam a distinguir meias infectadas e não infectadas", explica o profissional. 

Conforme explicado por ele, dois cães - um mestiço Labrador e Golden Retriever foram treinados para fazer isso. "Um levou 19 semanas para estar treinado, outro, 24", diz. No processo, eles utilizaram meias de náilon que foram vestidas por crianças e adolescentes aparentemente saudáveis, com idades entre 5 e 14 anos, todos moradores na região do rio Gâmbia. 

As mesmas crianças também foram submetidas a um exame de sangue convencional para detecção do parasita da malária, o Plasmodium falciparum. No total, foram 175 amostras, sendo que 30 crianças foram diagnosticadas como portadoras do parasita, 145, não. "Os cães identificaram corretamente 70% das amostras de meias utilizadas por crianças infectadas com malária e 90% de crianças não infectadas", conta Lindsay. 

Pelos padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS), os diagnósticos de malária precisam ter uma precisão superior a 75% em testes com amostras acima de 200 parasitas por microlitro. "Considerando apenas essa proporção, nossos cães obtiveram 82% de êxito. Portanto, acima do padrão", diz o cientista. Ele ressalta, contudo, que novos testes precisam ser realizados, com uma amostragem maior. "Estamos bem adiantados no projeto. Calculo que dentro de 3 a 5 anos poderemos ter o método aplicado como um programa", planeja. 

Fonte: G1, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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