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Controle da população canina exige trabalho conjunto entre os setores

Papel de cada um frente a causa é um dos pontos de embate

Gabriela Salazar, da redação

gabriela@ciasullieditores.com.br

O número de cães abandonados no mundo é estimado em 200 milhões, de acordo com a Associação Mundial de Veterinária (WVA). O volume demonstra que o relacionamento humano x pets tem deixado falhas, mas qual o papel de cada um frente a esse problema? Ativistas, poder público, médicos-veterinários e tutores: quem pode contribuir, de fato, para a mudança desse quadro?

No Brasil, o volume também é alto. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de cães e gatos abandonados passa dos 30 milhões. O padrão da organização, divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), por meio de uma de suas câmaras setoriais, expõe o compromisso de todos os setores em relação a melhoria desses dados.

Entre os principais impasses para que a execução dos processos avancem é além de econômico, cultural, na visão do médico-veterinário, Augusto Angelim. O profissional desenvolve há mais de 20 anos projetos voltados ao controle da população canina, há dez atuando de modo efetivo na causa. A experiência fez com que o médico-veterinário, que atuou na gestão da Anclipeva-BA, passasse por diversos percalços, inclusive de ordens jurídicas, como as definições de jurisprudências responsáveis pelo tema, ainda na década de 90.   

“Em Salvador é muito comum ter o cão “semidomiciliado”, que transmite doenças e acaba sendo capturado pela carrocinha. Em uma revolta a sociedade começou a se organizar e tentou invadir o Centro de Controle de Zoonoses, na década de 90”, salienta o profissional ao falar sobre as reclamações feitas pela população na cidade em que atua.  “Hoje já existe uma conscientização de que maus-tratos e abandono de animais é uma obrigação da jurisdição local”, relata.

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Castração e adoção estão entre pontos primordiais para
redução da população canina nas ruas (Foto: reprodução)

Veterinária. Nas diretrizes da OMS, as autoridades veterinárias tendem a se responsabilizar pela implementação de legislações que contemplem a saúde e o bem-estar animal. Podendo o setor privado contribuir com a identificação de negligências, inclusive por parte dos tutores. “O veterinário privado tem competência e será normalmente envolvido em programas de saúde e medidas de controle de população dos cães, incluindo testes diagnósticos, vacinação, identificação, internação durante a ausência do proprietário, esterilização e eutanásia”, complementa o padrão da organização.

Organizações. Os trabalhos desenvolvidos pelas ONGs também podem contribuir de maneira efetiva com o auxílio de um dos principais pontos para a redução da população canina, que é a castração. Além de também levar informação, assim como os demais setores.

“OIE reconhece a importância de controlar a população de cães sem causar sofrimento desnecessário nos animais. Serviços Veterinários devem desempenhar o papel principal na prevenção de zoonoses e assegurar o bem-estar animal e deve ser envolvida no controle da população canina, coordenando suas atividades com outras instituições públicas e/ou agências competentes”, salienta o informativo da organização.

Junção dos trabalhos. A atuação de Augusto, em Salvador, colaborou para o desenvolvimento de um projeto que, hoje, funciona de forma itinerante. A possibilidade de construção deste serviço, no entanto, exigiu a colaboração de todos, inclusive da população por meio de suas exigências frente aos órgãos competentes e ao poder público.

“O nível de satisfação da população é incrível. Hoje eu posso dizer que eu conheço a população por essas andanças com o castramóvel”, comenta Augusto. O atendimento, que iniciou em sua clínica, tomou grandes proporções. Com mais de cem atendimentos por dia, o espaço se tornou pequeno e questões logísticas para a população deram origem ao castramóvel na cidade.

Para o profissional, a redução deste problema exige uma punição mais severa para o abandono. Além de incentivos para a adoção responsável e a sua regulamentação. A castração gratuita e acessível é outro ponto fundamental na visão de Augusto.

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