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Defensores do chimpanzé Black acusam santuário de maus-tratos

Além disso, insistem na volta do animal ao zoológico de Sorocaba

O chinpanzé Black passou por uma transferência do Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros” para o Santuário dos Primatas, em Sorocaba (SP). A ação foi liderada pela Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA). De acordo com o grupo, os chimpanzés são animais que devem viver em grupo, normalmente formado em média por seis animais. Black tem 53 anos e vivia sozinho em um recinto do zoológico. 

Mas, agora, profissionais defendem a volta do animal ao zoo. Em defesa do retorno de Black, estão: a professora Neli Mergulhão e o veterinário e Roni Puglia, ambos envolvidos com a campanha #VoltaBlackpágina nas redes sociais que tem ganhado força com apoio de ativistas e simpatizantes com o caso. “Não podemos nos basear em achismo. Achar que ele está bem”, disse Neli. “Essa é uma análise técnica necessária para fazer”, completou Puglia. 

Segundo a dupla, o secretário de Meio Ambiente, Parques e Jardins, Jessé Loures, junto a biólogo e servidores da Pasta, tentaram fazer uma visita ao bicho no Santuário, há cerca de 15 dias, porém, a equipe foi impedida por falta de agendamento prévio. A agenda foi feita e, quando chegou ao local, o grupo, segundo os profissionais, se deparou com Black em um quarto limpo. Os profissionais reclamaram ao vivo da falta de transparência, ou seja, a visitação sem a necessidade de avisar ao local. 

Os defensores de Black aguardam novo julgamento para definição de onde Black deve morar. “Lógico que ele não escolheu estar em cativeiro, que o melhor local para ele seria a África, mas essa não é a realidade”, declarou Puglia. A média de idade de um chimpanzé, criado em cativeiro, é de 55 anos. Mas, segundo Neli, Black, apesar de estar idoso, está bem para a idade dele. 

Na tentativa de trazer Black ao Zoo, os profissionais têm mantido contato com o advogado da Prefeitura de Sorocaba. “Sou a favor que ele volte. Em uma questão legal, Black é um patrimônio da cidade, o Zoo é patrimônio cultural. Ele passou 42 anos lá, agora ele está com 53. Ficar junto a outros animais sempre é importante. Ele não estava estressado, doente, nada. Por que não transferir uma fêmea do santuário para fazer companhia a ele no zoo? Lá ele tem espaço quatro vezes maior [que o do Santuário]”, frisou. 

Neli ainda denunciou: “É público que os primatas comem pizza, refrigerantes, doces. Isso pode levar os bichos à diabetes e é questão de maus-tratos”. Segundo Puglia, no momento em que chegaram no Santuário, o animal os reconheceu. “Pela proximidade que ele tem conosco, ele quer chamar nossa atenção. Ele precisa da nossa companhia, presença. Ele diz ‘quero ficar perto de você’. Não há nenhuma razão de por que ele precisou ser removido”, avaliou. 

Neli ainda contestou os ativistas que defendem a permanência do animal no Santuário e criticou imagens divulgadas de Black no local. “As imagens que eles colocam nas redes sociais são aquelas que eles querem colocar. As imagens que eu vi são deprimentes. Funcionários beijando ele na boca. Assim como pegamos doenças de animais, eles pegam doenças de pessoas. Achei inadequado. Mas vi, também, imagens dele bastante nervoso com presença de pessoas”, relatou. 

Fonte: Jornal Ipanema, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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