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Diabetes: com tratamentos adequados, pets não perdem essa luta

No Dia Mundial de Combate à doença, profissionais comentam seus principais tópicos

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Com o aumento da expectativa de vida dos animais, aumentou, também, o surgimento de doenças crônicas e uma delas, é o diabetes mellitus (DM). Esta afecção pode ocasionar um impacto negativo na saúde do animal, uma vez que a hiperglicemia crônica pode trazer consequências irreversíveis ao cão e ao gato.

Sendo assim, hoje, no Dia Mundial de Combate ao Diabetes, a professora Titular da PUC-PR e diretora Científica da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (ABEV), Carolina Zaghi Cavalcante, relaciona a doença à palavra “responsabilidade” que o tutor deve ter, uma vez que todas as etapas terapêuticas serão executadas por ele (administração de insulina, cuidados com a insulina, realização de atividade física, administração de qualidade). “Sem comprometimento e responsabilidade, o tratamento não será eficaz”, alerta.

Mas, relembrando, de acordo com o médico-veterinário do All Care Vet, Ricardo Duarte, a enfermidade é caracterizada pelo aumento da glicose no sangue, decorrente da falta de produção de insulina ou de sua incapacidade em exercer seus efeitos metabólicos ou “resistência insulínica”. Carolina complementa apontando que as principais causas do diabetes em cães estão relacionadas à genética, insulinite imunomediada, pancreatite crônica, obesidade, hiperadrenocorticismo e acromegalia.

Já nos gatos, o que pode predispor a doença, segundo a profissional, são: insulinite imunomediada, pancreatite crônica, obesidade, acromegalia, amiloidose pancreática e uso de fármacos que estimulam a produção de glicose e a resistência insulínica, como glicocorticoide. “Na espécie canina, principalmente as fêmeas não castradas têm maior chance de desenvolver a doença por conta da secreção de hormônios hiperglicemiantes. Outros fatores estão sendo estudados, mas é difícil descobrir uma única causa em um paciente específico”, declara Duarte.

Carolina também adiciona uma das principais diferenças do diabetes mellitus em cães e gatos: os felinos mais velhos, com menor colesterol, com menor Glicemia, recebendo glargina, têm maior chance de remissionar, ou seja, deixar de ter de forma permanente ou temporária a doença.

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O diabetes em cães está relacionado à genética, insulinite
imunomediada, pancreatite crônica, entre outras (Foto: reprodução)

Insulina terapêutica. Carolina conta que, atualmente, o que há de novo acerca do tema são as insulinas utilizadas como medidas terapêuticas, dentre elas, a insulina glargina com 300U/mL que é diferente da glargina convencional com 100 U/mL e demonstrou, em alguns trabalhos, ser uma excelente opção para o controle glicêmico. “Também as insulinas ultrarrápidas (lispro e asparte), que são utilizadas na cetoacidose diabética e que possibilitam menor tempo de internação aos pacientes”, explica.

Outra novidade que cada vez mais está sendo utilizada na rotina clínica e que, a cada ano, está mais acessível (financeiramente) é um sistema de monitoramento glicêmico, como revelado pela veterinária: “Validado em 2016 em cães, este sistema de monitoramento glicêmico Flash facilitou ao tutor o controle glicêmico por meio de sensores contínuos, evitando repetidas perfurações para medidas glicêmicas”.

Dentre as medidas de prevenção, o combate à obesidade é de grande importância em cães e gatos, como destaca Carolina, já que o sobrepeso é uma das principais causas de resistência insulínica e diabetes. “A realização de atividade física constante e periódica também é uma medida de grande importância para minimizar o impacto da obesidade nos cães e gatos”, adiciona.

A hiperglicemia crônica pode causar lesões oculares (catarata, uveíte, lesões de cornea e retinopatia); vasculares (hipertensão arterial sistêmica), neurológicas (neuropatia diabética); renais (nefropatia diabética, o que pode ocasionar proteinúria); urinária (infecção de trato urinário) e consequências cardíacas (cardiomiopatia diabética com disfunção sistólica ou diastólica) nos pacientes, conforme explicado pela profissional. Daí a importância de um acompanhamento constante com o médico-veterinário. “Até mesmo para quebrar alguns dos boatos que cercam a doença. Algumas pessoas dizem ‘meu cão é diabético e pode comer todos os tipos de frutas e verduras’. Mas isso é um mito! É preciso cuidado com alimentos que causem hiperglicemia pós-prandial”, recomenda.

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Dentre as medidas de prevenção, o combate à obesidade
é de grande importância em cães e gatos (Foto: reprodução)

Um paciente diabético. E agora? Uma dica de grande importância que Carolina dá aos veterinários que receberem um pet com Diabetes é entender o quanto o diagnóstico da doença impacta na qualidade de vida dos animais e dos tutores. “Isso porque os proprietários ficam preocupados com diversos fatores como: aplicação da insulina (em especial, saber se a administração foi correta); deixar de fornecer petiscos, por conta da doença e ao tratamento; a insegurança dos tutores em deixar o cão sob responsabilidade de outras pessoas, impossibilitando passeios longos ou viagens, todos estes pontos salientam a importância da orientação médico-veterinária, que proporcionará menor impacto no dia a dia dessa família”, descreve.

Outro conselho é a importância do monitoramento baseado na resposta clínica do paciente, ou seja, ausência de sinais clínicos. “É essencial lembrar que o monitoramento baseado somente em glicemia é perigoso, uma vez que existem variações glicêmicas diárias dependentes da qualidade e quantidade de alimento, fatores de estresse, nível de atividade física, local da administração da insulina, técnicas de administração e absorção da insulina”, frisa.

O veterinário responsável pelo paciente, então, também deve estar atento à hipoglicemia, uma das complicações terapêuticas, que deve ser tratada rapidamente. “Ela pode causar o óbito do animal, sendo assim, é importante iniciar o tratamento com baixas doses de insulina, associada a rações coadjuvantes e atividade física regular para estabelecer um bom controle do diabetes mellitus”, finaliza.

Sobre o preparo do veterinário, Duarte também cita que é de grande valia se manter familiarizado com a doença e com os métodos de tratamento, que evoluem cada dia. “No Brasil, associar-se à ABEV é um bom modo de manter-se atualizado”, opina e relembra: “O primeiro diabético a que alcançou o sucesso com o tratamento insulínico foi um cão. O estudo rendeu o prêmio Nobel de Medicina aos pesquisadores, anos depois. A ‘Medicina Única’, ou seja, integração da Veterinária, dos seres humanos e toda pesquisa que envolve essas espécies, tende a trazer novas descobertas que poderão ser aplicadas mais rápido, além de refletir o respeito com os animais e nosso papel de coexistência”, conclui.

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