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Docentes defendem métodos alternativos para evitar uso de animais

Estudante objetor de método tradicional deve ter outra opção de seguir no ensino

A aquisição de habilidades e conhecimentos práticos na formação de Medicina Veterinária na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) está sendo construída para boa formação técnica do profissional da área, sem esquecer o bem-estar animal e humano. Esse pensamento se fez possível a partir dos anseios da comunidade de estudantes que são contra ao uso de animais no ensino de forma prejudicial. 

O amor pelos animais é um dos argumentos de estudantes de Medicina Veterinária sobre o motivo de ingresso no curso. A objeção de consciência lhes garante o direito de não cumprir atividades que vão ferir convicções morais, filosóficas ou humanísticas. 

O professor de Anatomia Animal, do Instituto de Ciências Biológicas e Saúde (ICBS), Luciano da Silva Alonso, legitima a luta dos alunos por uma responsabilidade técnica e legislativa e vê avanços no ensino. “Quando o aluno se dispõe a fazer a aula com o método alternativo, em função de não concordar com o método tradicional, a própria legislação garante a objeção de consciência. Assim, é obrigatória à instituição oferecer o método substitutivo para garantir ao estudante objetor condição de seguir no ensino sem prejuízo para sua formação”, argumenta. 

A validação dos métodos alternativos é vista como prejudicial à formação do estudante por quem defende os protocolos tradicionais da obtenção do conhecimento. “Há possibilidade de aprender com métodos diversos na formação de Medicina Veterinária. Por exemplo, a utilização de animais vivos pode ser feita pela necessidade do animal em passar por algum tratamento de saúde. Então, o estudante estará mais bem preparado quando se deparar com a prática, pois já treinou antes”, reforça. 

Favorável ao fim do uso prejudicial de animais no ensino e baseado em parâmetros nacionais da Lei Arouca – que regulamenta o uso de animais em experimentos – o desenvolvimento científico também é fomentado sem afetar o bem-estar animal. Um exemplo é o projeto de extensão para obtenção de cadáveres eticamente fornecidos pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas-Ibama). “A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão pode ser aplicada a partir dessas interações com os estudantes. De forma prática, um projeto de extensão que surgiu por conta da demanda de alunos objetores de consciência ao método tradicional gerou material didático para ensino, que está sendo oferecido para disciplinas de Anatomia Animal. Além disso, também está permitindo a pesquisa de animais silvestres que chegam em grande quantidade”, explica. 

Nas aulas, é utilizada uma diversidade de peças criativas, em substituição às cobaias. O professor de Obstetrícia, Saulo Andrade Caldas, do Instituto de Veterinária (IV), desenvolveu uma vaca de madeira para suas aulas, evitando o incômodo ao animal nos momentos de prática. Para o integrante do coletivo e aluno da Medicina Veterinária, Joshua Moisevitch, o direito à objeção garante a diversidade de crença na sala de aula. “Quando um professor diz para o estudante ‘ou você usa animal ou você desiste do curso’, está colocando um critério ideológico para que o estudante possa participar. Se o aluno não concorda com uma determinada visão ou prática, ele abandona a graduação. Isso configura uma discriminação, pois o estudante está sendo impedido de exercer sua identidade sociocultural”, explica o estudante. 

Fonte: UFRRJ, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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