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Dono ou tutor: Qual termo deve ser empregado a quem possui pets?

Sendo

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

O universo dos animais de companhia, hora ou outra, encontra uma nova polêmica a ser debatida: dieta vegana, alimentação natural, comportamento e tantas outras. Uma das questões amplamente comentadas é a seguinte: quem possui um pet deve ser chamado de dono ou tutor?

A médica-veterinária, Renata Répeke Gomes, lembra que, há alguns anos, era costume as pessoas falarem "dono de animais". “Com o tempo, fomos modificando esse pensamento e passamos a utilizar ‘tutores de animais’, pois deveríamos tutelar, ou seja, orientar os pets em seu crescimento evolutivo. Porém, ainda hoje, ouvimos muitas pessoas dizendo ‘proprietários de animais’, o que também nos remete a ‘donos’, porque a palavra nos traz a lembrança de propriedade, que vem do latim "proprietas", aquilo que nos pertence, da qual somos ‘donos legais’”, elucida.

Segundo Renata, quem trabalha no ramo pet, já ouviu de muitas pessoas coisas como “o animal é meu e eu decido o que fazer”, a fim de justificar qualquer atitude responsável ou não. “Caso a pessoa decida fazer algo que prejudique o animal, poderá perder a guarda do mesmo e até sofrer processos, multas e penas legais de proteção aos animais”, lembra.

donotutor
A convivência entre o tutor e o tutelado deve ser construída a fim
de proporcionar o desenvolvimento conjunto (Foto: reprodução)

Por conta dessa reflexão, de qual a função dos animais nas vidas das pessoas e qual a função das pessoas na vida dos animais, que foram, aos poucos, ocorrendo a mudança na forma de se referir aos donos de animais como tutores. “Com relação aos animais, a palavra tutor acaba se encaixando melhor, já que o significado é: indivíduo que exerce uma tutela, aquele que ampara, protege, guardião”, aponta.

Ela cita que, de acordo com o dicionário Aurélio, proprietário é aquele que tem propriedade de alguma coisa, que é senhor de bens. Já a palavra dono, significa senhor, possuidor, proprietário. “’Dono’ e ‘posse’ denotam propriedade. Quem tem posse, possui propriedade sobre o objeto possuído. Os termos não apresentam atribuições originais às posições de guarda ou tutela, tutor ou responsáveis de animais”, observa.

O tutor ou guardião consciente, como mencionado anteriormente, instrui e guia o seu tutelado, educa com amor e promove todas as possibilidades de uma evolução completa em aprendizagem e saúde. “O cuidado na terminologia revela uma mudança moral positiva. A convivência entre o tutor e o tutelado deve ser construída a fim de proporcionar o desenvolvimento conjunto, como em qualquer outra relação. Porém, cabe ao ser humano (tutor) que escolheu a companhia de um pet (tutelado) proporcionar cuidados e proteção de forma responsável, lembrando que, o livre arbítrio do tutor não lhe confere a posição de proprietário, mas, sim, de um responsável pelo bem-estar do pet ao seu lado. Quando pensamos em animais, faz muito mais sentido pensarmos nos donos, agora, como tutores, pois os animais, sendo seres vivos, precisam de cuidado, proteção, amparo e não serem apenas posse”, salienta.

Mas, como lembrado por Renata, além de nomenclaturas, é preciso ir além: “A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam, no Brasil, mais de 30 milhões de animais abandonados. É essencial saber dos requisitos importantes para se tornar um tutor responsável, entendendo e conhecendo mais sobre eles e, por fim, se organizar para adotar ou comprar, considerando a posse responsável, os gastos, os cuidados, os bônus e ônus dessa decisão”, comenta.

Para Renata, antes de adquirir um animal deve-se considerar alguns pontos, como avaliar os recursos financeiros para gastos com veterinário, vacinação, alimentação, conhecimentos das características físicas e comportamentais do animal, obter aprovação e apoio de toda a família para receber e cuidar do novo integrante, manter um ambiente e espaço físico adequado, entre outros.

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