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Durante pandemia, houve aumento de 27% de gatos nos lares paulistas

No entanto, muitos tutores não levaram seus felinos à clínica por receio da Covid-19

Com base em um levantamento feito pela Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), atualmente, a população pet está dividida em 55,1 milhões de cães e 24,7 milhões de gatos. O que se destaca é o crescimento da população de gatos - mais que o dobro do que a de cães, acumulando 8,1% de aumento contra 3,8% do crescimento canino nos últimos seis anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Uma nova pesquisa encomendada pela Royal Canin, realizada em agosto deste ano, com tutores de gatos em todo território nacional, revelou um aumento de 30% no número de felinos nos lares brasileiros durante a pandemia do novo coronavírus, sendo que 16% são de tutores de primeira viagem. No Estado do São Paulo, o aumento da adoção de gatos foi de 27% no mesmo período - destes, 15% nunca tinham tido um gato antes. Ainda de acordo com a pesquisa nacional, 11,5% dos tutores que levaram um novo gato para casa nesta fase disseram que o principal motivo foi o sentimento de solidão e 9,1% por consideraram a fase propícia para se adaptarem ao novo pet. Em São Paulo, estes números são de 10,3% e 8,4%, respectivamente.

No entanto, alguns dados são muito alarmantes: 43% dos tutores que trouxeram um novo gato para seu lar durante a pandemia não os levaram ao médico-veterinário nenhuma vez; no cenário paulista, este número cai para 35,7%. Além disso, 29% dos que já possuíam um felino antes da pandemia relataram que diminuíram muito a frequência das consultas devido ao atual momento, enquanto em São Paulo este número é de 26,5% .

Essa pesquisa é mais uma iniciativa da campanha global "Meu Gato No Vet" da Royal Canin, que tem o objetivo de conscientizar o maior número de tutores possível sobre a importância da saúde preventiva dos gatos, e está sendo ativada pelo segundo ano consecutivo no Brasil, com o dobro do investimento feito em 2019.

Os gatos acabaram aparecendo de uma maneira
menos planejada na vida dos tutores entrevistados se
comparado aos cães (Foto: reprodução)

"Sentimos que precisávamos continuar falando sobre este tema com a população e a pesquisa veio reforçar essa necessidade. Ano passado nós já havíamos identificado que 42% dos tutores adiam a visita ao Médico-Veterinário impactando diretamente na saúde e bem-estar do animal e, agora com a pandemia, observamos que a chance da saúde dos felinos ser ainda mais negligenciada se tornou maior", ressalta a diretora de Marketing da Royal Canin Brasil, Gláucia Gigli.

Os dados também mostraram que a nova rotina nos lares afetou emocionalmente os bichanos: 36% dos entrevistados disseram que seu gato ficou mais estressado depois que passaram a ficar em casa o tempo todo ou a maior parte do dia. Outro dado preocupante está relacionado à obesidade: 26% dos respondentes que perceberam seus gatos mais estressados informaram que eles passaram a comer mais que o normal.

Cuidados com a espécie. Das pessoas que não levaram seus gatos à consultas nos últimos cinco meses, 32,6% alegaram que não o fizeram por não se sentirem seguros por conta do novo coronavírus, e 40,1% relataram que não levaram o animal à clínica pela não ocorrência de um problema de saúde desde o início da pandemia. E é justamente aí que mora o perigo. "A falta de conhecimento sobre a espécie faz com que muitos tutores pensem que o gato é parecido com o cão, mas a verdade é que os felinos demoram a apresentar sintomas de que algo não está bem e, quando os sintomas finalmente aparecem, a doença pode já estar em um estágio avançado", explica Gláucia.

Além disso, a pesquisa também mostrou que 23% dos tutores que diminuíram o número de consultas o fizeram em razão do gato ficar estressado fora de casa, incluindo na clínica veterinária. Com um número substancialmente menor de idas às clínicas do que os cães, os gatos representam uma grande oportunidade para a Medicina Veterinária, além de possuírem uma necessidade de saúde significativa não atendida. Por essa razão, a Royal Canin firmou parceria com a American Association of Feline Practitioners e a International Society for Feline Medicine e se tornou patrocinadora do programa Cat Friendly Practice no Brasil. Criado por especialistas em felinos, o programa tem o objetivo de mudar a cultura dos profissionais, das clínicas e hospitais veterinários para que compreendam melhor as reais necessidades dos gatos, elevando o cuidado e reduzindo o estresse do animal, de seu tutor e de toda a equipe envolvida em seu atendimento.

Outro dado levantado na pesquisa mostra que os gatos acabaram aparecendo de uma maneira menos planejada na vida dos tutores se comparado aos cães. Mais de 47% dos respondentes disseram que o gato simplesmente apareceu em sua casa ou que o encontrou na rua e acabou ficando com ele. Gláucia conta que, em muitos casos, esse gato é criado com acesso às ruas, sendo mais exposto a doenças e acidentes. "Infelizmente, isso leva muitos tutores a acreditarem que o gato é independente, vive sozinho e não precisa de atenção com sua saúde. Mas, a realidade é que ele também precisa de cuidados básicos, a começar pela vacinação e consultas de rotina", destaca.

Investimento mensal. A pesquisa também revelou que, antes da pandemia, a média mensal de gastos com o gato estava majoritariamente entre R$ 50 e R$ 100. Após o seu início, observa-se um corte de gastos e 48% dos tutores entrevistados relataram gastar até R$ 50 por mês com todos os cuidados dedicados ao seu bichano.

A redução dos investimentos com a saúde do pet também ficou evidente em outra pesquisa realizada pela Royal Canin Brasil, em junho deste ano, com clínicas e hospitais veterinários, que mostrou queda de faturamento em 67% destes estabelecimentos. Destes, 20% tiveram queda de mais de 30% nos resultados financeiros.

Fonte: AI, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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