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Em período de quarenta, silvestres revisitam grandes centros

Segundo etólogo, comportamento se dá pela proximidade com reservas naturais

Wellington Torres, em casa

wellington@ciasullieditores.com.br

Com o passar do tempo e com toda a industrialização propagada pela humanidade, muito se é debatido perante a sobrevivência e importância das outras espécies que compõe o nosso planeta. Contudo, a obrigatoriedade da quarentena, visando controlar a propagação da Covid-19, reforçou que a vida sempre encontra um meio, onde animais das mais diversas espécies começaram a aparecer nos grandes centros das cidades.

Seja por coiotes nas ruas de São Francisco, pumas pelo centro da cidade de Santiago, no Chile ou cervos em Londres, com o afastamento humano, os animais silvestres passaram a visitar tais localizações.

De acordo com doutor em bem-estar animal e etólogo, Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho, a ação tem ocorrido por dois motivos: a proximidade com reservas naturais ainda preservadas e a baixa incidência de ruídos humanos, causados por ônibus, carros e a grande massa populacional.

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Durante quarentena no Chile, Pumas foram
avistados em área populada (foto: reprodução)

“Naturalmente, quando os centros urbanos são esvaziados e são próximos de locais onde habitam animais silvestres, isso faz com que eles aumentem suas áreas de moradia e de exploração em busca de alimentos e recursos. Quando as cidades se silenciam, os animais passam a se sentir mais seguros”, explica o profissional.

Ação que pode acarretar numa mudança duradoura do comportamento de algumas espécies. “Se estes animais tiveram uma experiência que não foi agressiva, não foram machucados e, eventualmente, localizaram algum alimento, eles vão retornar. Eles aprendem que ali é um lugar em que se pode estar”, afirmou Machado.

Sendo assim,  à medida em que a quarentena passa a ser revogada e as pessoas voltam a ocupar os polos centrais, gradualmente, reassumindo suas rotinas, “é possível que muitos animas se habituem e possam até, dependendo de como os seres humanos se comportarem, voltar a utilizar e coabitar alguns desses locais”, ressalta o etólogo.

Baixa adesão da quarentena no Brasil
impossibilitou avistamentos (foto: reprodução)

Avistamentos em território nacional.No entanto, o número de avistamento de silvestres durante o período de quarentena, ainda vigente em muitas partes do mundo, não tem se aplicado ao Brasil, o que, na visão do especialista, pode ser justificado por diferentes motivos, como a fraca adesão nacional do afastamento social e pelas poucas reservas próximas aos centros urbanos.

“Uma das coisas que fez com que não aparecesse tantos animais silvestres no Brasil, é que exatamente em alguns lugares, a quarentena foi bem fraca. Por exemplo, em uma cidade como São Paulo, que em algum momento teve uma quarentena significativa, no entanto é muito grande, seria pouco provável o avistamento de vida silvestre; agora, nas cidades menores do interior, que praticamente não houve quarentena, a vida das espécies continuou igual para os animais que lá habitam, onde seria o caso deles reaparecerem”, contextualiza o pesquisador.

Segundo Machado, a situação brasileira ainda é agravada pelo pouco empenho na preservação ambiental. “A nossa vida silvestre tem sido dizimada, especialmente pela perda de habitat, que é a maior causa de extinção de espécies, fazendo com que o tamanho das populações diminua por falta de alimento”, afirma.

Caso encontre um animal silvestre, o que fazer? De acordo com o profissional, a melhor coisa que podemos fazer diante de um encontro inesperado é “não fazer nada”: “Não interfira, evite que o animal se aproxime de locais que possam ser perigosos, ou mesmo causar algum dano, pois, em geral, ele vai ao lixo para buscar alimento. Mas, se por acaso, for algum animal que ofereça de perigo, chame a ajuda especializada, como a polícia ambiental ou outros canais competentes”, explica.

Precisamos mudar!“Já que nós somos a espécie dominante do planeta, precisamos ser racionais, vamos destinar algumas áreas para que as espécies silvestres possam manter os seus ciclos de vida, se reproduzir e se manter no planeta, junto conosco”, finaliza.

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