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Especialista aponta boa abordagem para tratar obesidade

Boa relação entre veterinários e tutores facilita cuidado de cães com o problema

Wellington Torres, da redação

wellington@ciasullieditores.com.br

Quando se é questionado aos profissionais da Medicina Veterinária qual seria o problema que mais tem acometido os animais de companhia no período contemporâneo, obtemos a resposta de maneira rápida: a obesidade. Silenciosa e responsável por ocasionar diversas comorbidades, ela nem sempre é de fácil identificação aos tutores de cães, exigindo, por muitas vezes, maior resiliência do profissional ao dialogar com o cuidador.

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 Obesidade já acomete mais da metada
da quantidade dos cães (Foto: Reprodução)

Com isso, a professora do módulo de endocrinologia de cães e gatos no curso de pós-graduação da Equalis, e presidente da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (ABEV), Viviani de Marco, ressalta a importância da boa abordagem ao cuidador pet. “Para diminuir a epidemia de obesidade, é necessário que haja maior comunicação dos especialistas no problema, para assim, estimular o tratamento e prevenção”, afirma.

Por definição, a patologia é o acúmulo de gordura corporal no organismo, sendo ela um problema crônico, recidivante e de difícil tratamento. Para Viviani, utilizar o termo doença, ao explicar para o tutor a situação do pet é o que, muitas vezes, faz com que o quadro seja revertido.

“É importante falar para o tutor que o problema que o animal está enfrentando é muito além de estar apenas acima do peso, se trata de uma doença. Pois a partir do momento que ele encara a situação com o peso da palavra, sabe que terá de fazer o tratamento adequado, nem que seja único e exclusivamente na formas de dieta e atividade físicas”, ressalta.

Ao receber o paciente na clínica para o atendimento e ao constatar o excesso de peso, fazer uma triagem laboratorial ou, se necessário, dosar alguns testes hormonais, são indicados por ela, para que, assim, a identificação do tipo de obesidade - primária ou secundária – seja realizada.

Para a endocrinologista, quanto antes for iniciado o tratamento para intervir ou de preferência prevenir, seja numa primeira consulta, ou durante a vacinação, mudará a vida do animal, porque depois que a obesidade estiver instalada no organismo, será um desafio tratar.

O ponto principal em que o médico-veterinário precisa estar atento durante a anamnese é para como questionar o tutor sobre a quantidade de alimento que o cachorro está ingerindo, assim como o quê.

Em relato, a veterinária explica que, além de perguntar o que o animal tem consumido, ela indica que o cuidador pese tudo o que foi oferecido ao cão, seja ração, biscoitos, frutas e afins.  “Isso é importante, pois pode ser que eles (tutores), na maioria das vezes, ofertem o dobro da necessidade calórica. Não que o quadro já esteja instalado”, ressalta, afirmando que, nesses casos, bastará uma adequação do balanço energético.

No entanto, o balanço energético positivo pode levar a expansão do tecido adiposo, não só do volume, mas, também, da quantidade de células do material. “Um ex obeso sabe como é difícil diminuir o peso, pois conforme se vai ganhando essa massa, ocorre o aumento de tamanho de adipócitos e o número”, compara e ressalta Viviani.

Ao decorrer da perda de peso, a veterinária explica que o tecido murcha, mas a quantidade persiste.

Com o acúmulo de gordura, poderá ocorrer uma série de prejuízos à saúde. Principalmente se for localizada no tecido adiposo intra-abdominal visceral, acarretando em alterações metabólicas, hormonais e gerando uma inflamação crônica, o que leva ao prejuízo da função dos órgãos, a comorbidade e redução na qualidade de vida.

Referente à parte epidemiológica, Viviani indaga que a frequência de obesidade já chega a mais de 50% de cães. “É uma frequência muito grande e tem correlação com a frequência mundial da população humana, que tem aumentado e deve ser comentado durante o atendimento”, explica.

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Especialista sugere que tutores compartilhem
 vida saúdavel com pets (Foto: reprodução)

A relação entre tutores e pets, como também já foi explicado por Daniela Ramos, aqui no portal, pode ser tão benéfica quanto maléfica aos animais de companhia. “Muitas vezes, a obesidade está ligada diretamente ao comportamento do tutor. É ele quem escolhe o quê, quando e quanto será ofertado de alimento, assim como o quanto ele auxilia, incentiva, passeia e brinca”, realça a especialista em endocrinologia. Ainda de acordo com ela, está se tornando comum clientes e cães emagrecerem juntos.

Contudo, para facilitar esse importante contato entre as partes, ela indica que os profissionais utilizem score de condição corpórea, do sistema de 9 pontos. Nesta ferramenta, as notas são representadas da seguinte forma: nota 5 é referente ao peso ideal, 6 é 10% acima, o 7 é 20%, o 8 é 30% e o 9 é da nota anterior em diante.

“Quando é estipulado esse score, conseguimos estimar quantos porcentos acima do peso o animal está, aí utilizamos no cálculo para determinar quantas calorias o cão passará a ingerir”, explica.

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