Assine

Especialistas destacam a importância da nutrição para a saúde de pets

Alimentação é uma das principais aliadas para a longevidade dos animais

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

“Dra., ele voltou a comer, está mais disposto, tornou a ser como era antes: feliz! Que bom que encontramos você para cuidar da alimentação dele”. Frases, como essa, vindas de tutores satisfeitos, é que fazem valer a pena todo o esforço depositado em um dos principais trabalhos de um médico-veterinário: garantir saúde por meio da nutrição. Hoje, no Dia do Nutricionista, conversamos com duas especialistas que destacam a importância deste item para o bem-estar e longevidade de pets, principalmente para os que se encontram hospitalizados ou se recuperando de alguma enfermidade.

Na teoria, nutricionista é o profissional que estudou nutrição sem ter feito um curso na área médica previamente, já o nutrólogo é um médico-veterinário que, após concluir a graduação, realizou uma pós-graduação em Nutrição Animal. “Mas, na prática, não há diferença, pois ambos atuam no desenvolvimento de dieta, de acordo com a queixa ou necessidade de cada espécie, idade e indivíduo”, pontua a veterinária especialista em Nutrição Clínica de Cães e Gatos, responsável pelo atendimento nos centros Pet Care e Provet, responsável pela coordenação do setor Pet Nutri, na Health 4 pet, e responsável por atendimentos domiciliares, Carla Maion.

sache19
Uso de alimentos úmidas pode estimular a alimentação
dos animais enfermos (Foto: reprodução)

A profissional explica que a nutrição do paciente doente é fundamental para a sua recuperação, pois a doença gera estresse, desconforto, inapetência, anorexia e má nutrição, nesta ordem, muitas vezes. “O animal desnutrido tem menos chances de se recuperar e voltar ao status saudável. Em casos crônicos, a dieta é parte do tratamento e deve ser considerada para que os parâmetros sejam controlados, a longevidade seja alcançada e a qualidade de vida seja estabelecida”, destaca.

A médica-veterinária, mestre e doutora em Nutrologia de Cães e Gatos, Luciana Domingues de Oliveira, ainda adiciona que a alimentação é fundamental, pois os nutrientes afetam todas as células vivas do organismo. “Por este motivo, a Associação Mundial de Medicina Veterinária de Pequenos Animais (WSAVA) estabeleceu que a nutrição seja conhecida como o 5° Parâmetro Vital (5VA), acompanhando os outros quatro sinais vitais no exame clínico: temperatura, pulso, respiração e avaliação da dor, que já são abordados a cada interação com o paciente”, indica.

Oferta do alimento. Carla comenta que muitos pacientes internados desenvolvem paladar seletivo, caprichoso e o tutor ou o veterinário acaba por oferecer alimentos brandos, como “canja”, ou ricos em carboidratos. “Mas, na verdade, a maioria das afecções requer altos índices de calorias em gorduras e proteínas, além de incrementos em antioxidantes, vitaminas e minerais específicos para a convalescença”, argumenta.

Existem diversas abordagens, de acordo com Luciana, para alimentar adequadamente os animais que não estejam comendo por conta própria. “É preciso pensar nas abordagens mais simples para início das tentativas, como estímulo à ingestão voluntária, pelo uso de rações úmidas, de dietas caseiras ou até aplicação de fármacos estimulantes de apetite”, pondera. Para estímulo à alimentação oral espontânea, Luciana indica a utilização de rações secas ou úmidas sozinhas ou adicionadas de ingredientes palatáveis, como caldos, carne cozida, creme de leite, queijo cottage ou outros ingredientes que sejam favoritos pelos pacientes. “Também é possível oferecer a alimentação natural balanceada, que costuma ser mais apetitosa para os cães comparadas à ração”, complementa.

paciente19
O fornecimento do alimento deve considerar a doença
basal do paciente e atender a seu paladar caprichoso
do momento (Foto: reprodução)

A especialista Carla revela que já conheceu um hospital que oferecia sardinha e leite condensado para os internados. “Um horror! Temos que difundir cada vez mais a importância de buscar o profissional desta área para trazer informação e atender, da melhor forma, os pacientes internados que se alimentam por sonda ou, ainda, os de ambiente intensivo (UTI). São situações muito diferentes e oferecer o correto fará toda a diferença no final”, sinaliza.

Perfil nutricional. Se o animal está enfermo, Carla informa que, geralmente, as dietas comerciais são as mais prescritas pelo alto grau de tecnologia e exatidão na composição, sem excessos e sem carências, o que, muitas vezes, é difícil na dieta caseira pela alta seletividade que o paciente apresenta e pelo volume calórico que ele deve ingerir. “Mas, ainda assim, é possível”, garante.

O fornecimento do alimento deve considerar a doença basal do paciente, como destacado por Luciana: “Ou seja, não existe uma única dieta que atenda todos os pacientes, seja em fase de internação ou na recuperação. Cada doença tem suas necessidades de aumento ou redução dos nutrientes, como proteínas e aminoácidos, gorduras, vitaminas e minerais. Por exemplo: para um doente renal, é fundamental fornecer um alimento com redução de fósforo e de proteína e aumento de gordura e vitaminas do Complexo B”, explana.

Já para pacientes que apresentam doenças onde não haja mudanças de necessidade de nutrientes específicos, mas existe perda de peso e algum estado de má-nutrição, Luciana afirma que, normalmente, se recomenda rações ou alimentação natural com aumento de proteínas e energia, como dietas para filhotes ou alimentos terapêuticos para animais convalescentes. Carla também cita que, caso o pet tenha ingerido um corpo estranho, passado por cirurgia e herdado sequela gástrica ou intestinal, deverá ser acompanhado nos meses seguintes e, provavelmente, receberá uma dieta altamente digestiva até a recuperação total. “Varia de cada caso para cada gravidade, para cada conduta durante a internação”, reforça e finaliza o tópico: “O importante é dizer que a recomendação do melhor alimento e tempo de uso deve ser uma orientação do veterinário responsável pelo paciente”.

Nutrição animal. Para Luciana, essa especialidade é, relativamente, recente quando comparada a outras áreas da saúde animal. “Dessa forma, é importante observar que ainda existem poucos veterinários nutrólogos no mundo, inclusive no Brasil. Diante da escassez desses profissionais e do aumento do interesse na alimentação natural, tutores acabam buscando receitas em sites da internet e difundindo, em 99% das vezes, conhecimentos imprecisos de fontes duvidosas que, no final, acabam comprometendo a saúde de seus animais a curto, médio e longo prazo, por conta do incorreto balanceamento das receitas”, lamenta. Por isso, a recomendação da profissional é dar preferência a alimentos industrializados quando não se tem à disposição um nutrólogo para elaborar uma dieta exclusiva para cada animal, principalmente para pets que apresentam alguma enfermidade.

A nutrição sempre foi a paixão de Carla, junto com a prática médica veterinária, como ela narra: “Muito antes de entrar na Unesp e me formar, eu colecionava amostras de ração de variadas marcas, das mais simples às mais caras, e as comparava a olho nu. Não sabia muito bem como lidar com a porcentagem dos níveis de garantia dos rótulos das amostras que eu pedia aos petshops, mas sabia que um dia isso tudo faria sentido e mais: seria o sentido e a razão de eu ajudar, mais ainda, os pacientes que eu atendesse”, relata. Para a profissional, a nutrição nada mais é que uma alquimia: “Linda, necessária, responsável, sustentável e que faz com que eu ouça diariamente: ‘Dra., ele está muito melhor’”, comemora.

Seja o primeiro a comentar
Seu comentário foi enviado. Aguarde aprovação.
Erro ao enviar o comentário. Por favor, preencha o captcha e tente novamente.