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Esporte pode intensificar a relação do tutor com seu animal de companhia

O surf aumentou a cumplicidade na relação de Bono, o Cão Surfista, com seu cuidador

Cláudia Guimarães, em casa

claudia@ciasullieditores.com.br

Qual é sua maior diversão quando vai à praia? Descansar, tomar um sol, tomar uns drinks com os amigos ou procurar a concha mais bonita que possa encontrar?! Para Bono, um Labrador de 9 anos de idade, a experiência do passeio deve contar com uma dose a mais de adrenalina. O cão, mundialmente conhecido, adora o surf e acompanha – ou é acompanhado – por seu tutor Ivan Quintães de Castro Moreira. Em comemoração ao Dia Internacional do Surf, lembrado sempre no terceiro sábado do mês de junho, conheça um pouco mais sobre o cão surfista.

Seu tutor conta que Bono está contigo desde que tinha 45 dias de vida. “Sou de família surfista, comecei no esporte muito novo e competi bastante, mas nunca me tornei profissional. Até que veio a ideia de praticar, de fato, alguma atividade. Assim, comprei uma prancha de stand-up e fui para o litoral de Búzios (RJ), numa praia onde não tinha ondas. Bono veio nadando atrás de mim, puxei ele para cima da prancha, ele se equilibrou e, então, comecei a remar já com a dificuldade dele em cima”, relembra.

O surf, propriamente dito, conforme lembra Moreira, veio alguns meses depois: “Fui remando para um canto, com umas ondas pequenas, tentei deslizar e vi que conseguia surfar. Então, comecei a treinar quando as ondas estavam pequenas e aí começou o contato do Bono com o surf também. Ele sempre me acompanhava”, compartilha.

Segundo seu tutor e companheiro, a principal característica de Bono é o fato de ele ser muito dócil. Tanto que até trabalha com crianças com câncer, atuando como cão terapeuta. “Ele é bem carinhoso e totalmente apaixonado pelo mar, pela prancha e pelo surf. Quando pego uma prancha, ele já a reconhece: começa a pular, abanar o rabo e, quando eu falo ‘quer surfar?’, ele já começa a latir incansavelmente. Destacando que ele não tem o costume de latir em casa, por outros motivos”, salienta.

Assim, Ivan Moreira reforça que Bono, realmente, sente uma felicidade contagiante quando sobe na prancha. “Quando jogo ela em qualquer lugar, ele já sobe. Dá para perceber, em vídeos, quando ele entra em uma onda, suas expressões. Quem surfa sabe qual é essa sensação. Tenho o privilégio de ter um cão que é apaixonado por surf, assim como eu”, comemora.

Quando vê a prancha, Bono já começa a pular, abanar o rabo e,
quando seu tutor pergunta ‘quer surfar?’, ele começa a latir (Foto: Clever Barbosa)

Cuidados com o companheiro. Algo que Moreira sempre faz é tirar a água salgada do copo de Bono, com uma ducha de água doce. Inclusive, esse também é o ritual após o animal sair de uma piscina, para remover o cloro de sua pele e pelos. “Outro cuidado é secá-lo muito bem, porque, senão, podem surgir problemas, como dermatite úmida, muito comum em Golden Retriever e Labrador, o que pode resultar até em feridas na pele”, pondera.

Mas, como destacado pelo tutor, nem só os cuidados em casa bastam. É importante manter as consultas em dia. “Levá-lo ao veterinário é imprescindível. Até porque ele já não é nenhum garoto, então, quanto mais conseguirmos manter o check-up em dia, melhor é. Acredito que consultas preventivas são fundamentais para mantê-lo saudável”, avalia.

Quem realiza os atendimentos de Bono na clínica, há quase 3 anos, é a médica-veterinária Paloma Dalloz: “As principais orientações para o Bono é respeitar seu limite em relação à idade. Por ser um cão que já fez muito exercício físico, possui uma memória muscular boa, mas, agora, com a idade um pouco avançada – costumo dizer que ele é um jovem senhor –, já pode começar a surgir uma coisinha ou outra, então, fazemos trabalho de prevenção”, informa.

Bono, assim, passa bastante tempo no setor de reabilitação da clínica, preparando sua musculatura, justamente, para poder praticar os exercícios. “A grande questão das atividades do cão surfista é a subida na prancha, quando ele fica em pé. Por outro lado, com o equilíbrio, ele acaba trabalhando toda a musculatura acessória, o que é muito importante, então ele deve ser ágil e estar com o peso muito bem controlado, porque, se ele começa a engordar, sobrecarrega a articulação e ele fica mais lento”, alerta.

Paloma diz que Bono também é submetido, com frequência, a exames de sangue para dosar os hormônios da tireoide. “É muito comum com os labradores nessa idade terem o hipotireoidismo, que Bono não tem. Ele é super saudável nesse quesito. Um ponto que acho importante manter em dia, principalmente nos cães que são praieiros, como os chamo, é a vermifugação, bem como a prevenção do verme do coração, que causa dirofilariose. Bono toma uma injeção que tem duração de um ano e que preveni a doença”, revela.

Paloma aponta que não há nenhuma orientação específica para um cão de esporte. “Na verdade, o que ele precisa é se alimentar com uma ração super premium, que vai oferecer teor de proteína de melhor qualidade, que é o que um cão atleta mais precisa. Hoje em dia, as suplementações que Bono toma são para melhorar a articulação por conta da idade e para a pelagem ficar mais bonita. Seus tutores gostam de dar alguns petiscos também, então sempre oriento para oferecer, de preferência, os mais naturais e frutas, evitando aqueles com mais químicas e corantes”, recomenda.

Dupla é cinco vezes campeã mundial de surf. Para
atingir sucesso e garantir sua saúde, Bono é acompanhado
por veterinários (Foto: divulgação)

On-line nas redes. A ideia de criar uma página no Instagram para Bono (@bonosurfdog) surgiu quando ele e seu tutor começaram a surfar. “Antes, eu nunca tive redes sociais para mim. Criei a página para ele, passando a postar fotos dele surfando e mostrando como é nosso estilo de vida. Foi acontecendo naturalmente. Hoje, temos um engajamento muito forte, mas totalmente orgânico, acho que é o principal”, aponta.

Com o tempo e com as postagens, o animal foi ficando famoso, virou apresentador da série “Bono, o Cão Surfista”, do Canal OFF, e, então, o Instagram começou a se movimentar ainda mais. “Hoje em dia, ele é super conhecido, pessoas pedem para encontrar com ele, tirar fotos com a gente, é muito legal”, declara Moreira.

De forma nostálgica, o tutor afirma que, se fosse possível voltar no tempo, há 6 anos, lá em 2014, não imaginaria que ele e Bono iriam conseguir fazer tudo o que fizeram. Os dois juntos são cinco vezes campeões mundiais de surf e Bono já foi sete vezes para a Califórnia e duas vezes para o Havaí.

“Surfamos as maiores ondas já surfadas por um cachorro que tem no Havaí e, também, as ondas mais longas e, por isso, Bono entrou para o Guinness World Records (uma edição publicada anualmente, que contém uma coleção de recordes reconhecidos internacionalmente), por ter surfado uma onda por mais 33 minutos, na Amazônia. Além disso, fazemos um trabalho, desde 2014, com as crianças acometidas pelo câncer, no Rio de Janeiro, e trabalhamos na Obra do Berço, com crianças carentes. Às vezes, nem comento para não parecer prepotente, mas acho que o Bono é único, por todas essas razões e pela característica dele mesmo, quem convive sabe. Tenho a maior sorte do mundo de Deus ter colocado esse ‘cara’ em minha história. A vida dos cães é muito curta, então, temos que viver intensamente e, por isso, ele me acompanha em tudo o que faço na vida”, finaliza.

Em relação à hipótese de Bono entender o surf, na visão de sua médica-veterinária Paloma, o esporte, antes de tudo, acaba reforçando a relação entre ele e o tutor. “O Ivan é uma pessoa muito animada e quer sempre praticar exercícios e acredito que o Bono percebe isso, que nada dá mais prazer ao tutor do que surfar e surfar com seu cachorro”, observa.

Paloma acredita se tratar de uma retroalimentação de prazer o que acontece entre esses dois personagens da vida real. “O animal acaba vendo, em seu tutor, a realização de um prazer e, utilizando outros tipos de experiências como exemplo, como cães que andam com sapatos, com roupinhas, pet que busca um objeto e volta, é como se fosse um sistema de recompensa. Claro que o animal sente prazer em fazer uma atividade física, mas o surf, especificamente, é como se ele tivesse sido treinado. Bono já nasceu no Rio de Janeiro, indo sempre à praia, para, quando chegar lá, liberar toda sua energia. E isso pode acontecer em um espaço de diversão própria para cães ou em uma casa de campo: a liberação de energia e essa conexão com seu tutor. Acho isso muito importante. Felizes são os cães que têm essa relação”, considera.

Por fim, para a veterinária, o mais importante não é o Bono ser um cão surfista: “Ele poderia ser maratonista, remador, o que for. O que acho de mais destaque é a relação que tem com o mar, com o tutor, com essa coisa tão carioca. Ele se tornou a cara do Rio de Janeiro e da felicidade para todos os cariocas que frequentam as praias”, assegura.

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