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Estudante de Medicina Veterinária dá aula de solidariedade

Diante das dificuldades de abrigos, ela criou uma entidade de apoio a protetores e ONGs

Cláudia Guimarães, em casa

claudia@ciasullieditores.com.br

A pessoa que resolve oferecer ajuda fixa em situações e para instituições que condizem com suas ideologias, sem receber nada em troca e por livre e espontânea vontade pode ser chamada de voluntária. Neste Dia do Voluntariado, narramos a iniciativa da estudante de Medicina Veterinária, Alessandra Arnaudin Rabelo. Ela é fundadora e presidente da Associação em Prol da Vida e Redução da Dor Animal Focinho Caridoso.

"Escolhi a Medicina Veterinária do Coletivo, porque ela
não é só um desafio diário: é uma felicidade constante",
declara presidente da ONG (Foto: reprodução)

Ela nos conta que sempre pensou que colocar seus estudos em prática por meio do trabalho voluntário seria mais motivador do que um estágio remunerado. No entanto, se deparou com dificuldades em encontrar uma ONG séria e registrada no Estado de Goiás, que pudesse a certificar. “Além disso, descobri um cenário de profunda dificuldade nos abrigos. Foi assim que pensei na possibilidade de fundar a ONG Focinho Caridoso, a qual, atualmente, contamos com voluntários de diversos cursos de graduação que podem exercer sua função social”, revela.

Quando Alessandra estava procurando abrigos para se voluntariar, pôde ver de perto as dificuldades que essas entidades passavam, entre elas, pela falta de tempo. “A maioria dos Protetores Independentes precisa fazer o manejo de mais de 150 animais, trabalhando sozinhos, ou em dupla, e vivem em exaustão. Dessa forma, não possuem nem tempo de movimentar empresas ou a própria comunidade para ajudá-los com as doações. Percebi que, para exercer a Medicina Veterinária do Coletivo, eu não precisava abrir um abrigo, mas, sim, preencher o vazio que impede que essas instituições desempenhem um trabalho de melhor qualidade”, analisou.

Dessa forma, a Focinho Caridoso, hoje, tem o objetivo de oferecer bem-estar aos animais por meio da assistência dada a Protetores Independentes e ONGs. Mas como? “Por meio de doações, feita em forma de rodízio entre os mais de 20 abrigos catalogados no Estado de Goiás. Eles são visitados e passam por cursos de forma constante, para que possamos certificar nossos apoiadores, tudo de forma mais transparente e clara possível”, explica.

Depois desse registro como ONG, a estudante conta que empresas também passaram a olhar com bons olhos a Focinho Caridoso e isso tem ajudado os voluntários. “Por isso, sempre encaminhamos Protetores Independentes assistidos que ainda não se registraram a procurar este caminho, pois nossos animais não devem viver de migalhas. Se somos nós que nos abaixamos para erguê-los no colo, eles merecem vida - e vida de qualidade”, argumenta.

Para nossa entrevistada, o trabalho voluntário pode
lembrar os vetrinários que a vida de seus pacientes está
sempre em primeiro lugar (Foto: reprodução)

Quem planta, colhe o bem. Na visão de Alessandra, depois que você funda uma ONG, transforma a sua vida completamente: “É viciante! Hoje, a Focinho Caridoso é uma extensão da Alessandra Rabelo: acordo, durmo e sonho pensando em ideias para mudar a realidade dos animais que ainda vivem em situação de abandono e sofrimento. Não há mais como retirar esses cães e gatos dos meus pensamentos. Eu escolhi a Medicina Veterinária do Coletivo, porque ela não é só um desafio diário: é uma felicidade constante”, explana.

A futura veterinária acredita que seus colegas de profissão também deveriam se dedicar à área do voluntariado. ”Aqui, aceitamos desafios e somos motivados constantemente. Ao entrar na faculdade, senti muita falta de matérias como sociologia, que mostrassem para os graduandos ‘ei, você é um transformador da comunidade’. O trabalho voluntário lembra ao veterinário que, antes de tudo, ele é médico e, por isso, a vida de seus pacientes está sempre em primeiro lugar. Ser lembrado disso já é extremamente motivador”, aponta.

A graduanda ainda observa que, em meio as mais de 70 áreas de atuação do médico-veterinário, conforme descrito pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), estes profissionais podem esquecer do que, realmente, os motivou a escolher esta profissão tão ampla. “A frase ‘quis Veterinária, pois amo animais’, dita por tantos calouros, pode acabar se perdendo na mente dos estudantes com o tempo, devido aos desafios da faculdade. Trabalhar voluntariamente é dedicar horas do seu dia pelo mais puro desejo de salvar vida, pelo sentimento que motivou vários alunos a chegarem até aqui: o amor”, compartilha a jovem que deixa um recado para quem deseja, também, se voluntariar, mas ainda não deu o primeiro passo: “Saia de casa agora e ajude! A vida não pode esperar e seus livros não vão te ensinar tudo. Os casos, as histórias e as vidas que você encontrará dentro dos abrigos jamais serão esquecidos”, assegura.

Para ela, o trabalho voluntário é aceitar colocar em prática nosso papel enquanto cidadãos: “É utilizar a sua vida para deixar marcas em outras. Levantar o canudo e pegar o diploma para pendurá-lo na parede é a mais pura hipocrisia. Somos nós que montamos a sociedade que vivemos, então, abra suas janelas para ver a infinidade de possibilidades de ajudar, mas não esqueça de abrir, também, a sua porta para que possa ir até elas”, finaliza.

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