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Estudo analisa como funciona a socialização felina

De acordo com a pesquisa, gatos podem tão sociáveis quanto bebês e cães

O comportamento do felino para com os seus tutores é frequentemente debatido e comparado com a relação que o homem possui com os cães. É levantado que os felinos são mais distantes, misteriosos e independentes, até mesmo que sua relação com o tutor venha do interesse em ser alimento.

 Para desmistificar essas afirmações de senso comum, pesquisadores da Oregon State University publicaram um estudo que afirma que os pets estão tão fortemente ligados aos seus tutores quanto os cães ou os bebês.  "A ideia de que os gatos não se importam com as pessoas, não se sustenta", disse a cientista em comportamento animal da Oregon State University, Kristyn Vitale, principal autora do material, publicado na Current Biology.

Realizada em 2017, a pesquisa explica que a maioria dos gatos prefere interagir com uma pessoa a comer ou brincar com um brinquedo, que ao complementada com um outro estudo mais recente, os gatos ajustam seu comportamento dependendo de quanta atenção recebem, são sensíveis às emoções e humores das pessoas e que sabem seus nomes.

Durante a pesquisa, Vitale e seus colegas resolveram testar uma hipótese de como os gatos constroem suas ligações com os tutores, para isso 79 cuidadores de filhotes e 38 de gatos adultos foram recrutados para participar de um “teste de base segura", frequentemente usado para medir os laços de cães e primatas com seus tutores.

No experimento, que durou seis minutos, os tutores entraram em uma sala desconhecida com seus animais. Depois de dois minutos, o dono saiu da sala, deixando o gato ou o gatinho sozinho - uma experiência potencialmente estressante para o animal. Quando o proprietário voltou dois minutos depois, os pesquisadores observaram a resposta do felino.

Mias da metade dos animais foram saudar seus donos quando eles voltaram e depois foram explorar a sala, retornando periodicamente aos humanos. Esses animais, concluíram os pesquisadores, estavam firmemente ligados aos seus donos, o que significa que eles os viam como uma base segura em uma situação desconhecida.

"Isso pode ser uma adaptação do vínculo que eles teriam com os pais quando jovens", disse Vitale. Esse comportamento, ela acrescentou, pode significar: "Está tudo bem. Meu dono voltou, sinto-me à vontade e seguro, e agora posso voltar a explorar o ambiente".

Cerca de 35% dos gatos e gatinhos exibiram insegurança no apego: evitavam os donos ou se agarravam a eles quando voltavam para a sala. Isso não quer dizer que esses animais de estimação tenham um relacionamento ruim, disse Vitale, mas que não encaram seus donos como uma fonte de segurança e alívio do estresse.

 Após a primeira rodada de testes, os pesquisadores inscreveram metade dos gatinhos utilizados no estudo em curso de treinamento e socialização e outra metade serviu como um grupo de controle. Na segunda tentativa, foram encontrados os mesmos resultados, o que significa que o treinamento não afetou o comportamento de apego dos animais e seus tutores, indicando que um gato forma um vínculo, que parece permanecer estável ao longo do tempo, disse Vitale.

Em gatos - como em bebês e cães - os pesquisadores ainda não conhecem todos os fatores que moldam o relacionamento com o cuidador, mas é uma mistura complexa de genética, personalidade e experiência. Porém, ao contrário de cães e bebês, muitos gatos passam quase todo o tempo dentro de casa, portanto ser levado para um novo ambiente pode ser uma experiência estranha e assustadora. Para alguns gatos, uma resposta temerosa a uma situação estressante pode ter precedência sobre um vínculo seguro com o dono, portanto, os resultados do estudo podem não capturar totalmente as ligações de alguns gatos.

Vitale e seus colegas pretendem se aprofundar mais no estudo do relacionamento dos gatos com as pessoas e testar se intervenções mais específicas podem ajudá-los a se sentir mais seguros e ser adotados mais rapidamente. Para a pesquisadora, quanto mais for descoberto a respeito desses animais, mais veremos que eles são criaturas sociais e que as ligações sociais são realmente importantes para eles.

Fonte: Estadão, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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