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FMVZ-USP desenvolve estudo sobre obesidade canina

Cães que não vão à clínica foram avaliados na cidade de São Paulo

A obesidade é a doença nutricional de maior incidência na clínica de pequenos animais e, entretanto, carece de estudos detalhados que a caracterizem na população canina da América Latina. Levando isso em conta, na Universidade de São Paulo, produziu-se uma análise detalhada a fim de determinar a prevalência da obesidade em cães da cidade e seus fatores associados – importante para prevenir suas complicações. 

Trata-se da tese de doutorado de Mariana Y. H. Porsani, defendida no Departamento de Clínica Médica (VCM), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP.  Mariana explica que estudos de prevalência são difíceis, pois é necessário ter uma noção da população inteira da cidade, sendo mais comum análises que partem de algum recorte específico. “Já fizeram estudos com animais de clínica, o que já mostra que eles têm um cuidado diferente. Queríamos saber como era a população real, incluindo os que não tinham acesso ao veterinário”, diz ela. Assim, foram realizadas visitas em domicílios de São Paulo, escolhidos segundo o censo dos cães domiciliados na cidade. As regiões foram determinadas por sorteio, de forma a abranger o público mais distinto possível.  

Apesar da seriedade da doença, nem todos os tutores
a reconhecem como tal (Foto: reprodução)

Os cães foram avaliados por meio do Escore de Condição Corporal (ECC) – método que consiste em inspecionar gordura das costelas, abdômen, cauda e regiões de proeminência óssea. A escala classifica os animais em abaixo do peso, condição ideal, sobrepeso e obeso. Os tutores tiveram seus índices de massa corporal (IMC) medidos e responderam a um questionário sobre condição socioeconômica e estilo de vida.  

O estudo avaliou 258 cães e 221 tutores, obtendo uma prevalência de obesidade em 14,6% e da junção de sobrepeso e obesidade em 40,5%. Houve associação de maiores ECC com excesso de consumo alimentar, presença de proprietários idosos, sexo e status reprodutivo – fêmeas castradas eram o grupo majoritário acima do peso.  

Não reconhecimento da obesidade. A doença acarreta uma série de malefícios à saúde do animal, sendo um dos principais responsáveis por complicações que reduzem sua expectativa de vida. Decorrente de um desequilíbrio no balanço energético, esta condição pode estar relacionada a fatores genéticos, ambientais, comportamentais e socioculturais. 

Apesar da seriedade desse quadro, nem todos o reconhecem como tal. “Há muitos tutores que não sabem o que é a obesidade canina, mas também há muitos que sabem como ela é, mas não reconhecem que seu animal está obeso”, conta Mariana. No questionário proposto aos tutores, foi possível notar que havia uma tendência em classificar seus animais o mais próximo possível do ideal, subestimando ou superestimando os pesos. Assim, cães que estavam obesos eram apontados como “sobrepeso” enquanto os em estado sobrepeso ou abaixo dele eram apontados como “condição ideal”.  

Esse problema advém tanto do comportamento defensivo do tutor – com receio do julgamento por não estar cuidando do seu animal da forma “correta” - quanto da ausência de um parecer profissional sobre a situação. Muitos veterinários tornam-se relutantes em informar sobre a obesidade, temendo que a informação possa ofender ou irritar os clientes. Apesar disso, Mariana acredita que o quadro vem se alterando: “Hoje em dia, isso é mais falado, o que deixa mais fácil do que era há tempos atrás. As pessoas estão vendo a necessidade de observar a questão do peso como um problema. O diálogo tem sido cada vez mais fácil com proprietários e veterinários mais jovens”, revela. 

Por fim, o estudo sobre a obesidade canina dentro de São Paulo se faz necessário para que, no futuro, novas estratégias de prevenção e controle sejam propostas. Mariana acredita que o próximo passo seja a conscientização dos profissionais. “Focamos muito nos proprietários, mas é preciso lembrar que boa parte dos animais vai ao veterinário desde filhote, então se ele souber informar os tutores, por consequência, eles terão consciência”, conclui. 

Sobre o tema, clique aqui e confira o vídeo que a equipe da C&G VF produziu, em parceria da endocrinologista Viviani De Marco.

Fonte: FMVZ-USP, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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