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Gatos necessitam de tratativa individualizada na fisioterapia

Procedimentos invasivos potencializam estresse e agravam problemas

Wellington Torres, da redação

wellington@ciasullieditores.com.br

Diferente dos cães, de comportamento mais amigável e de fácil contato com cuidadores desconhecidos, os gatos são animais que, em sua essência, se representam de maneira mais arisca e introvertida. O que exige cuidados mais específicos, principalmente quando falamos de tratamentos fisioterápicos.

Comumente acometidos por displasias coxofemorais, artroses, fraturas e luxações, o que difere a tratativa destes pets está no serviço extremamente individualizado, como afirma o médico-veterinário, especializado em Cirurgia, Ortopedia e Traumatologia em animais de companhia e autor do livro “Tratado de fisioterapia e fisiatria de pequenos animais”, Gustavo Vicente.

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É possível tratar qualquer problema felino sem fazer
manejo excessivo ou gerar estresse, afirma Vicente 
(Foto: reprodução)

“O gato não é um cachorro pequeno. É muito comum chegarem com dúvidas do que podem ou não fazer, em comparativo com os métodos usados em cães na fisioterapia, e independente do que seja, qual a área, a resposta é não. O comportamento, manejo, afecções e particularidades são extremamente diferentes”, alerta.

Em questão de diagnóstico, Vicente explica que existe uma dificuldade em se descobrir a dor em felinos, sendo ela mascarada pelo comportamento do animal. “A primeira etapa, a subclínica, é difícil. O gato raramente manca, o que pede ao profissional que irá atendê-lo, um modo de análise mais minucioso”, explica.

Segundo o fisioterapeuta, deixar o gato solto na sala, enquanto conversa com o tutor, é uma ótima maneira de fazer com que o animal mostre o que está incomodando. Exames neurológicos e ortopédicos também são precisos, mas, no segundo, é necessário que seja realizado um exame por meio da palpação. “Palpar o animal pode fazer extrema diferença. Se o veterinário tratar o paciente apenas pelo relato do tutor, o mesmo, estará negligenciado a real situação do felino”, afirma.

Entre as causas mais comuns de afecções ortopédicas, Vicente explica que displasia coxofemoral, artrose, fraturas e luxações são as que mais aparecem na rotina dos consultórios de fisioterapia para animais.

A artrose, segundo ele, é uma doença de caráter inflamatório, degenerativa das articulações e que não possui cura, sendo assim, o papel do fisioterapeuta é fazer com que a velocidade da doença cesse, proporcionando uma melhora na qualidade de vida do animal ao reduzir a dor.

Por causar deformidades ósseas, a doença é muito comum em animais senis, no entanto, também pode ser desenvolvida por meio de sobrecargas de peso. “90% dos gatos acima de 12 anos de idade possuem algum grau do problema”, realça.  Para tratar, o especialista indica o uso de controlador, protetor articular, fisioterapia, acupuntura e ozonioterapia.

No caso da displasia coxofemoral e incongruência da cabeça do fêmur com o acetábulo, o problema ocorre com maior facilidade por ser “uma articulação que funciona como um sistema de chave e fechadura, com isso e por qualquer incongruência, quando começa a ter atrito ósseo  ocorre uma reabsorção da cabeça do fêmur e do acetábulo e, quando o animal vai andar, essa articulação entra em processo de sub luxação e o ligamento redondo, responsável por segurar a cabeça do fêmur sofre estiramento”, explica.

O problema, muito comum em raças de felinos maiores, como maine coon e persas, atinge aproximadamente de 6,6% a 36% de toda a população de gatos, como explica o fisioterapeuta. No tratamento, a fisioterapia possibilita a redução da dor e da inflamação na caixa articular, melhorando qualidade do líquido sinovial ao diminuir a dor na região afetada. Vicente ainda indaga que, depois que o paciente estiver sem dor, o profissional terá de trabalhar no ganho de massa muscular para estabilizar a articulação com o um aumento de descarga de peso no membro afetado.

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Entender as características individuais do paciente
é imprescindível para o tratamento
felino (Foto: reprodução)

Em casos de fraturas, o profissional explica que a primeira coisa a ser realizada é acelerar a consolidação óssea. “Por meio do tratamento, vamos conseguir fazer com que esse osso se cicatrize mais rápido, com o auxílio do magneto, do laser, ultrassom, assim como podemos trabalhar com a fototerapia para ajudar, fazendo com que o osso cicatrize mais rápido”, informa.

Para reduzir a dor, Vicente indica o uso da eletroestimulação, exercícios e esteira aquática, claro que, de maneira adaptada à espécie e perfil do indivíduo que será atendido. “É importante que entendem o comportamento do paciente, no caso da esteira aquática, não dá para usar com todos”, indaga.

Pelo comportamento da espécie, a fisioterapia tem outra função muito importante no tratamento dos gatos, reduzir a carga medicamentosa. “É muito complicado dar anti-inflamatório para estes animais, eles odeiam tomar comprimido e com a fisioterapia conseguimos melhorar a situação da dor por outras vias”, explica.

Ainda de acordo com ele, é, sim, possível tratar qualquer problema felino sem fazer o manejo excessivo ou gerar estresse no paciente. Seja pelo uso complementar de caixas de transporte, petiscos, companhia do tutor ou, até mesmo, algum objeto que o animal tenha afeição. “Claro que irá limitar um pouco a terapia, mas o tempo das sessões de gatos não precisa ser o mesmo de uma sessão de cachorro”, afirma.

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