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Homeopatia: veterinária comenta técnica contra pulgas e carrapatos

Durante a primavera, ectoparasitas se proliferam por conta do calor e da umidade

Cláudia Guimarães, em casa

claudia@ciasullieditores.com.br

A primavera traz mais que paisagens bonitas por conta do surgimento de flores coloridas. Em relação aos animais, além da atenção ao risco de alergia por conta do contato com o pólen ou intoxicação por causa de certas plantas, é preciso estar atento à proliferação dos ectoparasitas: pulgas, carrapatos e mosquitos. Esses turistas indesejados costumam surgir nessa época do ano por conta do ambiente quente, mas, ao mesmo tempo, úmido.

Conversamos com a médica-veterinária homeopata, presidente do Instituto Homeopático e de Práticas Integrativas e membro da Comissão de Homeopatia, do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-SP), Talita Thomaz Nader. Ela revela que se trata de um desafio constante o controle dos ectoparasitas. “Teve uma época em que no verão era mais recorrente, mas, hoje em dia, o ano todo lidamos com isso, mesmo que, no inverno, seja de menor reincidência, mas existe”, informa.

A profissional dissemina a ideia e a prática do uso da homeopatia para o controle das pulgas e dos carrapatos. Antes de explicar a aplicabilidade, ela lembra que homeopatia é uma terapêutica desenvolvida há mais de 200 anos, por um médico alemão, Dr. Samuel Hahnemman. “Baseada no tratamento do doente e não da doença e utilizando medicamentos de origem vegetal, animal e mineral altamente diluídos, é utilizada para restabelecer a saúde de humanos, animais e até das plantas”, descreve.

Em diversas situações, segundo Talita, é possível utilizar os medicamentos homeopáticos em detrimento dos alopáticos, porém, não há restrições de associação entre as terapêuticas, caso seja necessário. “Além de formulações homeopáticas que favorecem a relação dos animais com os parasitas, no sentido de torná-los mais resistentes, o uso de substâncias naturais de ação repelente e o manejo ambiental são fundamentais para o controle parasitário”, salienta.

Todo animal que possui carrapato é um animal
parasitado, mas não necessariamente ele tem
uma doença parasitária (Foto: reprodução)

Os medicamentos homeopáticos são fornecidos via oral, diretamente na boca do animal ou, então, colocado na água. Já sobre soluções que podem ser aplicadas no ambiente em que o animal vive para combater os ectoparasitas do local, Talita indica: “O vinagre é uma boa opção para prevenção de infestação, porém, se já houver alto grau de infestação ambiental, provavelmente será necessário utilizar produtos convencionais com ação parasiticida”, adiciona.

Ela garante: funciona! De acordo com a veterinária, a técnica da homeopatia, nestes casos em específico, em geral, possui uma eficácia muito satisfatória. “Porém, vai depender de alguns fatores, tais como uso adequado do medicamento homeopático, controle ambiental, manejo adotado para evitar altos graus de infestação e, inclusive, das características climáticas”, complementa.

Talita comenta que, muitas vezes, mesmo uma casa com mais de um animal, apenas um deles tem pulgas. “Há características próprias de cada organismo para definir a susceptibilidade para as parasitoses. Isso acontece não só em relação a ectoparasitas, como para outros microrganismos e, também, em casos de lesão, dermatite, otite etc.”, menciona. Isso, na visão da profissional, faz toda a diferença na anamnese homeopática. “A primeira pergunta para identificar os possíveis agentes envolvidos é ‘quando começou?’. Pode ser agentes emocionais, tóxicos, ambientais e o agente etiológico entra como oportunista”, insere.

Pensando nesse conceito de agente causal e etiológico, Talita explica que, quando o paciente é tratado visando controle desses agentes que causam injúria ao animal, é preciso pensar que o indivíduo apresenta susceptibilidade. “Quando olhamos para a dinâmica das infecções, percebemos que há várias questões envolvidas no agente, no hospedeiro e no ambiente: a condição nutricional do hospedeiro e suas características devem ser levados em consideração. O ambiente acaba sendo o meio que pode ou não tornar propício que essa relação seja tendenciosa a uma enfermidade. Nem sempre a relação é de doença. Tudo depende da dinâmica que existe entre o hospedeiro e o parasita”, declara.

Controle dos ectoparasitas depende de alguns fatores,
tais como uso adequado do medicamento homeopático
e controle ambiental (Foto: reprodução)

Saúde do pet. O controle se torna um desafio, na opinião da veterinária, justamente pelo fato de que onde há vida, há parasitismo. “A questão é que, muitas vezes, os indivíduos são parasitados e esse parasitismo gera injúria: o parasita se apropria de determinados nutrientes e gera toxinas que impedem que o animal se mantenha em um bom estado de saúde. Todo animal que possui carrapato é um animal parasitado, mas não necessariamente ele tem uma doença parasitária”, reforça.

Quando a homeopatia é utilizada como possibilidade de controle, segundo Talita, esse raciocínio é muito importante: “O que queremos evitar é uma doença parasitária. O parasitismo faz parte do conceito de vida, é um fenômeno ecológico. Quando alguém fala que um cão de três anos nunca teve carrapato, a chance desse pet apresentar uma erliquiose na primeira picada é muito grande, já que o contato eventual com esses organismos participa da formação do sistema imune”, discorre.

Assim, de acordo com a veterinária, é fundamental que os animais, ao longo do processo de vida, tenham exposições controladas e saudáveis a esses parasitas. “Há vários imunologistas que defendem que, com a ausência de contato, ao primeiro desafio, o sistema imune não conhece os caminhos de respostas, não dando conta e, de fato, a doença parasitária vem. Percebemos isso na prática clínica: animais extremamente sensíveis, com contatos muito eventuais a carrapatos desenvolvem erliquiose e até mais de uma vez. Por outro lado, animais com exposição mais frequente a esses parasitas não desenvolvem ou desenvolvem de forma menos grave as doenças”, compartilha.

Quando o assunto é controle de pulgas e carrapatos, Talita salienta a necessidade de evitar altos graus de infestação. “Isso porque, quando a infestação acontece, há um desequilíbrio importante na relação hospedeiro-parasita, predispondo o surgimento de doenças e tornando difícil a resolução somente com medicamentos homeopáticos, comprometendo, portanto, a saúde animal e ambiental”, finaliza.

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