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LVC se apresenta como uma ameaça à Saúde Pública e deve ser combatida

Proteção é principal arma nessa batalha em prol da saúde e bem-estar dos cães

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Como você demonstra amor e cuidado ao seu pet ou paciente? O que acredita ser essencial para a saúde e o bem-estar do animal? Alimentação de boa qualidade, brincadeiras, petiscos, check-ups regulares na clínica, um bom atendimento, entre outros, são importantes, mas, é preciso ter uma palavra-chave na mente: proteção. Hoje (10), no Dia Nacional de Combate à Leishmaniose Visceral Canina (LVC), a C&G VF traz tópicos importantes a serem discutidos sobre o tema.

Conforme destaca a médica-veterinária e gerente Técnica do Hospital Veterinário PetCare, Sibele Konno, a leishmaniose é uma zoonose, portanto, ao prevenir e cuidar do cão, o tutor diminui a possibilidade do seu animal se tornar um reservatório da doença. “Assim, ele protege, também, todos os que o rodeiam. Também vale lembrar que prevenir doenças e cuidar da saúde do pet, não só tem um papel na Saúde Pública, como, também, é um ato de amor e de responsabilidade do tutor”, avalia.

Para ela, o debate sobre o combate à leishmaniose é valioso no Brasil por conta do avanço da doença nos Estados. “Pelo fato de ser uma zoonose, do Brasil ser o País com o maior número de casos da América Latina e pensando na letalidade da Leishmaniose, que ainda é alta, é preciso sempre reforçar a temática”, opina a profissional que é a favor de campanhas com maior envolvimento da sociedade, já que muitas medidas preventivas são de responsabilidade de todos.

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O animal vacinado e que usa, regularmente, coleira
antiparasitária está menos exposto ao risco de
contrair a LVC (Foto: reprodução)

Assim, na visão de Sibele, prevenção é “saúde”: “Tudo que envolve a precaução de doenças promove a saúde de todos. Também temos que nos lembrar que cuidar da saúde dos animais e faz parte da posse responsável que os tutores devem ter”, sinaliza.

Disponível no mercado. A MSD Saúde Animal possui em seu portfólio farmacêutico a Scalibor, coleira antiparasitária para cães à base de deltametrina. Ela é indicada para o controle dos mosquitos vetores da Leishmaniose em cães, de moscas, como Stomoxys calcitrans e Musca doméstica e,  ainda, auxilia no controle de infestações causadas por pulgas e carrapatos. 

Segundo o gerente Técnico da MSD, Marcio Barboza, a coleira foi desenvolvida para promover uma lenta liberação do princípio ativo. “Ao utilizá-la, nas primeiras 2-3 semanas, ocorrerá uma lenta diminuição das infestações, com aumento da eficácia após esse período, auxiliando no controle de carrapatos e pulgas. Para mosquitos e moscas o controle é garantido por até 4 meses e é necessário efetuar a troca da coleira respeitando esses períodos”, orienta. 

A coleira pode ser utilizada continuamente sem oferecer problemas ao animal e não é necessário retirá-la na hora do banho e nem durante os períodos de chuvas.

Relembre. Como explicado por Sibele, a LVC é uma zoonose causada por um protozoário do gênero Leishmania e transmitida por um vetor (flebotomíneos, como a Lutzomyia longipalpis e L. cruzi). “Esta doença grave pode causar lesões em diversos órgãos e em diferentes graus. Os cães acometidos podem apresentar manifestações cutâneas, apatia, quadros de imunossupressão, alterações cardiovasculares, renais e oftálmicas”, enumera. Além disso, o animal apresenta fraqueza e debilidade, ficando mais suscetível a outras enfermidades, além da perda de peso evidente.

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Proteção também é sinônimo de amor e responsabilidade
do tutor ao animal (Foto: reprodução)

Apesar de toda proteção que o tutor possa tentar oferecer, se notar sintomas como os mencionados, somados à anorexia/inapetência, deve ficar em alerta e levar o pet a um veterinário. “As manifestações clínicas podem variar de acordo com o estado imunológico do animal e pela carga parasitária. Muitas vezes, os sinais cutâneos são mais evidentes e costumam ser característicos (onicogrifose, alopecia, lesões erodidas ou ulceradas, hiperqueratose nasodigital, pápulas, crostas /pústulas, disqueratinização). Outros sintomas comuns: linfonodomegalia, hepato e/ou esplenomegalia, anemia, poliúria/polidipsia, distúrbios de coagulação, alterações articulares, vasculite, blefarite, uveíte, endoftalmite, ceratoconjuntivite, epistaxe além de sinais neurológicos”, lista.

Outro ponto importante destacado por Sibele é que alguns cães infectados são assintomáticos, ou seja, não apresentam nenhum sintoma da doença. “Isso ocorre, principalmente, quando o animal for vacinado ou se não apresentar comprometimento do sistema imunológico e a resposta imunológica ao parasita não levar a uma inflamação intensa”, explica.

Ele tem LVC. E agora? Quanto ao diagnóstico, ele é realizado por meio de exames de sangue (sorologia) ou de identificação do parasita, por meio de citologias de linfonodo, medula óssea, esfregaço de ponta de orelha. Caso dê positivo, Sibele reforça que o pet deve ser levado ao médico-veterinário para iniciar o tratamento. “Hoje, estão disponíveis medicações específicas e com bons resultados e, também, deve realizar exames periódicos para acompanhamento de sua saúde. O uso de coleiras com piretróides repelentes é obrigatório, bem como medidas de manejo como a exposição do animal aos flebotomíneos nos horários de maior atividade do inseto, limpeza do ambiente onde o animal circula e permanece, evitando a proliferação do vetor”, orienta.

A veterinária acredita que muitos casos de LVC possam, sim, levar à eutanásia: “Principalmente, quando há perda de qualidade de vida. Quanto ao controle da doença em humanos, a eutanásia dos animais infectados é uma alternativa impopular e improdutiva, uma vez que medidas preventivas, como o uso de repelentes em pessoas e em cães (coleiras), limpeza de matéria orgânica (onde o vetor se reproduz) e vacinação dos animais em área de risco têm mais impacto”, menciona.

O maior dos mitos. Muitas pessoas acreditam que podem contrair a leishmaniose tendo contato com o cão infectado. No entanto, Sibele esclarece que a transmissão da doença ocorre por meio da picada do mosquito. “A ausência dessa informação pode resultar em abandonos e eutanásias, que ocorrem pelo medo que o tutor tem em contrair a enfermidade. O esclarecimento de que, com o tratamento, o animal apresenta importante melhora clínica, além da diminuição significativa da carga parasitaria deve ser repassado pelos veterinários a seus clientes”, finaliza.

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