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Manter certas espécies de animais selvagens em casa é um grande risco

Veterinário comenta caso de modelo que mantinha um filhote de leão como pet

Cláudia Guimarães, em casa

claudia@ciasullieditores.com.br

Como será que cada pessoa procura um animal de estimação ideal? Considerando a rotina da casa e dos membros da família, dando prioridade a animais mais fáceis de cuidar ou pensando nos momentos que passarão juntos? Seja o que for, a modelo iraniana Qazel Yadegari, de 22 anos, fugiu bastante do comum.

Em meio a uma operação que investigava a venda ilegal de animais pela internet, a polícia descobriu fotos de Qazel com animais selvagens em seu Instagram, incluindo um filhote de leão. Já que os selvagens cativos em casa são proibidos por lei, a modelo foi detida. Para a equipe policial, ela declarou que mantinha os animais por hobby. Tinha uma cobra píton, que estava com ela há muito tempo, e o leão foi trazido do exterior por 9 mil dólares.

Sobre o caso, o médico-veterinário André Luiz Mota da Costa comenta com a equipe web da C&G VF que cada País tem sua legislação em relação a animais selvagens como pet. “Mas, em relação à periculosidade dos animais envolvidos no ocorrido, um leão será sempre um animal selvagem. Não recomendo que seja criado como animal de estimação, pois colocará em risco a vida de todos. Já a píton que a modelo tinha, da espécie píton-bola (também chamada de píton-real), é muito dócil e de pequeno porte (atinge, no máximo, 1,5m). É muito comum a manutenção dessas serpentes como animais de estimação e não há relatos de acidentes graves. Diferente de pítons de outras espécies, que são de grande porte e de alta periculosidade”, explica.

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Veterinário conta que há grande procura por animais não convencionais de
pequeno porte, como roedores, aves e répteis (Foto: reprodução)

A modelo em questão postou algumas fotos em sua rede social que mostravam o “leão de estimação” junto a seu cão. “Criar leões junto com cães sempre poderá resultar em um acidente e, pela força do leão, o cão sempre sairá perdendo”, aponta o veterinário que ainda chama atenção para o risco que a própria tutora corria: “Enquanto o leão é filhote, ela vai ganhar só carinho e uns arranhões, mas, assim que o animal atingir maior porte, uma mordida, mesmo brincando, pode ser fatal”.

Selvagens no Brasil. Costa menciona que, em alguns Estados brasileiros, a manutenção de pítons-bola provenientes de criadouros legalizados é permitida. “O Estado da Paraná é um exemplo. Já para se ter um leão, a pessoa deve abrir, junto à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, uma solicitação para abertura de um Mantenedouro de Fauna Exótica, que requer uma série de exigências legais e de segurança. Como animal de estimação não é permitido ter um leão no Brasil pela legislação atual”, reforça.

O veterinário assegura que o sucesso na manutenção desses animais sob cuidados humanos é uma realidade. “Porém, dependendo da espécie, isso só deve acontecer em instituições que possuam profissionais especializados no tema. Manter certas espécies em casa é um grande risco. Em algumas localidades dos EUA, onde é possível manter um leão ou chimpanzé em casa como animal de estimação, é comum vermos nos noticiários graves acidentes. Em relação à saúde do animal e seu bem-estar, a presença de profissionais especializados e um ambiente bem planejado para cada espécie é fundamental”, destaca. Em sua visão, caso a pessoa não tenha condições de manter o animal em ótimas instalações e de contratar profissionais especializados para ajudar no manejo, é preferível que não o tenha.

Escolhidos como pets. No entanto, manter algumas espécies de selvagens em casa, com as devidas autorizações dos órgãos competentes, é possível, de acordo com Costa. Para isso, o tutor deve, inicialmente, procurar um profissional especializado para orientar desde a escolha da espécie a ser criada. “A partir daí, é indispensável avaliar as condições necessárias para instalações, alimentação, cuidados gerais e, por fim, a aquisição por meio de um criadouro legalizado”, orienta.

Quando questionado sobre por que acredita que algumas pessoas tenham preferência por pets não convencionais, Costa revela que possui clientes que preferem algo mais exótico. “Alguns afirmam ter ‘se cansado’ dos cães e gatos, já que sempre tiveram afinidade com aves ou répteis”, declara. Hoje, segundo o veterinário, há grande procura por animais não convencionais de pequeno porte, como roedores, aves e répteis, devido aos lares terem menos espaço para cães ou, até mesmo, por serem animais que exigem menos tempo do tutor. ‘Enfim, temos vários perfis de pessoas que optam pelo animal selvagem. O mais importante é que a pessoa conheça todas as necessidades para a manutenção correta, visando sempre o bem-estar animal”, finaliza.

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