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Medicina Veterinária acumula casos de sucesso com a homeopatia

Medicina integrativa une a especialidade à alopatia para o bem-estar animal

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Antes de colocar em prática, tudo deve ser criado com um conceito, algumas regras e ideias básicas para que o conteúdo consiga ser disseminado de forma abrangente aos demais indivíduos. No caso da homeopatia, eles se encontram em forma de importantes pilares da especialidade, sendo a Lei dos Semelhantes o principal deles.

No Dia Nacional da Homeopatia, abordamos esta lei, firmada por Hipócrates, bem como os benefícios da terapêutica. Para isso, o médico-veterinário que atua em homeopatia veterinária, Marcos Eduardo Fernandes, destaca que, na especialidade, o semelhante cura o semelhante. “Ou seja, se uma planta é capaz de causar vômito, preparando seu suco, segundo o método homeopático (diluído e dinamizado, com sua farmacotécnica), o medicamento produzido poderá ser utilizado para vômito”, discorre.

Os benefícios que a homeopatia pode trazer aos animais são inúmeros, de acordo com o profissional. “Podemos utilizá-la como tratamento principal, apenas com remédios homeopáticos, como o que indicamos em casos de dermatites, alergias, quadros de diarreia e vômito, tanto em quadros agudos como crônicos. E também pode ser utilizada como terapia complementar, administrada juntamente com medicamentos normais de outras terapêuticas, por exemplo: no câncer, diabetes, doenças epiléticas e outras doenças graves em que o uso exclusivo da homeopatia não está indicado por conta do comprometimento do bem-estar do animal”, menciona.

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Quadros psiquiátricos dos animais, como por exemplo,
a onicofagia, podem ser melhorados (Foto: reprodução)

Nas terras brasileiras. A homeopatia, na visão de Fernandes, está ganhando força no Brasil e no mundo, agora no terceiro milênio. “Nosso País é importante dentro da terapêutica homeopática, não só em quantidade de medicamentos utilizados, mas na qualidade de profissionais que temos por aqui”, argumenta.

A sustentabilidade, a economia de água e resíduos industriais provocados pela indústria farmacêutica devem ser acautelados, como destaca o veterinário. “Por isso, a especialidade tende a crescer ainda mais. Não só ela, mas todas as terapêuticas integrativas, como a Medicina Tradicional Chinesa, acupuntura, fitoterapias, naturais, mais baratas, sem efeitos colaterais, terão um crescimento exponencial”, analisa.

No entanto, um dos pontos negativos e que impedem um avanço rápido da homeopatia é a limitação no campo de pesquisa, como observa Fernandes. “A ciência não reconhece a especialidade e, por isso, os investimentos que realizam na área são pequenos e inexpressivos. Se nós tivéssemos apoio financeiro dentro das instituições e menor preconceito em relação ao método homeopático, evoluiríamos muito nessa técnica”, aposta.

Apesar de tudo isso, a especialidade cresce, não pelo apoio exclusivo da ciência e dos profissionais, mas pela contribuição dos consumidores, conforme comenta o clínico. “Por meio da pressão da sociedade é que se produz, hoje, por exemplo, alimentos orgânicos, e que se busca novas técnicas terapêuticas, porque as pessoas estão cansadas de ser submetidas a terapias agressivas que trazem benefícios por um lado e malefícios por outro”, expõe.

Melhora garantida. Os casos que mais ganham resultados da terapia homeopática, segundo Fernandes, são os transtornos psíquicos, ou seja, os quadros psiquiátricos dos animais, como por exemplo, a onicofagia, hábito que o cão desenvolve de comer suas unhas; tricotilomania, hábito que ele desenvolve ao arrancar os pelos do corpo, entre outros. Esses quadros também são considerados psiquiátricos nas pessoas e estão ligados a processos depressivos, ansiosos e transtornos obsessivos compulsivos”, explica.

A homeopatia, de acordo com o profissional, é uma terapêutica que tem uma ação importante no plano mental e emocional. “Animais que se comem, se mutilam, se lambem, que têm coceira psicogênica, com quadros psíquicos importantes, melhoram com o uso da homeopatia. Não falo em cura, porque essas situações são crônicas e, eventualmente, dependendo do que acontece na vida dos animais, podem retornar, mas a terapêutica traz uma melhora expressiva nesses sintomas mentais”, garante.

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Para profissional, um dos pontos negativos e que impedem um avanço rápido
da homeopatia é a limitação no campo de pesquisa (Foto: reprodução)

Quebrando mitos. O veterinário reforça que o método homeopático nada tem a ver com a espiritualidade. “Ele provoca, no organismo, um efeito físico, não químico, diferente da alopatia, que, quando se toma um antibiótico, por exemplo, alcançamos um efeito químico. Tomar um homeopático é receber um impulso, uma vibração. É como colocar o dedo na tomada e receber um choque, que será importante porque age na energia vital do paciente”, declara.

Os medicamentos homeopáticos, como mencionado por Fernandes, são extraídos do reino mineral, vegetal e animal. Além disso, ainda é possível produzir um medicamento homeopático com a utilização de outras substâncias. “A diluição do medicamento homeopático é interessante: Pegamos a matéria-prima, diluímos uma parte da substância para 100 de água e, depois, batemos o frasco na palma da mão, misturado com uma solução hidro alcoólica, que não pode estar totalmente cheio. Isso porque é importante que a água tenha movimento para que o medicamento seja diluído e dinamizado. A grande magia da homeopatia está justamente nessa parte”, assegura.

A especialidade tem inúmeros benefícios, como reforça o veterinário, e eles devem ser espalhados, em sua visão, para que as pessoas utilizem essa técnica, tanto como tratamento de si próprio, como dos animais. “As utilidades são inúmeras, mas as principais são: baixo custo, pois um remédio homeopático custa em torno de 25 a 30 reais, sendo que, às vezes, todo tratamento de uma doença é realizado apenas com um único medicamento; é sustentável, já que uma gota do suco de uma planta (tintura mãe) faz inúmeros frascos de medicamento; são produzidos fora da indústria, de forma artesanal nas farmácias, gerando o mínimo de lixo e resíduo industrial”, enumera.

Além disso, Fernandes cita que existe uma facilidade de administração do medicamento, sendo possível colocar na água ou no alimento e, com isso, o pet faz uso da homeopatia sem saber o que está tomando. “E aqui vale destacar: isso faz cair por terra os efeitos placebos e psicológicos de quem não acredita na homeopatia. Não existe efeito placebo e psicológico porque o animal não sabe qual técnica e terapêutica está sendo utilizada em sua doença. Os remédios atuam no corpo todo do indivíduo, por isso, o trata como um todo: seu físico, seu mental, espiritual e emocional”, defende.

Parceiros ou rivais? Apesar dos benefícios já mencionados na literatura de Medicina Veterinária, alguns veterinários ainda questionam o método, mas, hoje, segundo o profissional tem sido cada vez mais raro. “Eles estão mais conscientes, abertos e interessados nas técnicas por conta dos benefícios que elas trazem. Antigamente, ora se criticava a homeopatia, ora a alopatia. Hoje, vivemos uma medicina integrativa, onde não existe o que é ‘mais ou menos importante’ em termos de terapêuticas. Existe, sim, um olhar e uma preocupação para o paciente, sobre o quanto ele vai se beneficiar ou não de uma determinada terapia. A grande questão, nos dias atuais, é o bem-estar do animal e não as brigas e as crenças a respeito dos métodos”, compartilha.

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