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Nutrição: comunicação entre veterinário e tutor é essencial

É preciso sanar todas as dúvidas para que as prescrições nutricionais sejam aderidas

Nos últimos anos, a nutrição de cães e gatos evoluiu em virtude de muitos estudos científicos na área. Antes, muitos tutores forneciam sobras de alimentos aos seus animais e poucos produtos comerciais estavam disponíveis para a compra, onde a alimentação tinha apenas por objetivo suprir as necessidades energéticas do animal.

Em meados dos anos 90, inúmeros estudos foram realizados evidenciando os benefícios da nutrição para a melhoria e manutenção da saúde animal. O uso de alimentos adequados para as individualidades dos pets possui diversos benefícios, como aumento da expectativa de vida; correção de deficiências nutricionais; prevenção de doenças, além de atuar como coadjuvante no tratamento de doenças como doença renal crônica, obesidade, hipersensibilidade alimentar e outros1,14. Dessa forma, a nutrição terapêutica se mostrou tão importante quanto qualquer outro tratamento medicamentoso, pois evita a progressão clínica de doenças.

Cabe ao médico-veterinário realizar prescrições adequadas para cada individualidade do animal, baseando-se nas necessidades nutricionais dos cães e gatos. Porém, muitos tutores não seguem as prescrições realizadas pelos profissionais e as modificam sem o prévio conhecimento do veterinário, onde alterações na quantidade do alimento ou até mesmo introdução de alimentos não prescritos são realizados. Tais atitudes podem ser justificadas pelo fato de que, tutores transferem o seu próprio prazer em se alimentar para seus animais e consideram as restrições alimentares prescritas como forma de sofrimento para eles.

Abaixo as referências bibliográficas utilizadas pela autora. O Artigo completo pode ser acessado na edição 254, de outubro de 2020.

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